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asd · May 27, 2026

asd :: atualização semanal da diversidade

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4CO I Comunicação e Cultura · asd

A NR-1 chegou e o sofrimento de grupos minorizados precisa ser olhado de perto

Ontem entrou em vigor a nova fase da NR-1, que passa a exigir que empresas incluam aspectos psicossociais no gerenciamento de riscos ocupacionais. Isso significa olhar para fatores como metas abusivas, sobrecarga, assédio e demais práticas de gestão que adoecem os trabalhadores.

Mas vale ressaltar que, para grupos minorizados, o sofrimento psíquico é consequência desses motivos e também de agressões que atravessam o cotidiano de quem não se encaixa no padrão esperado.

Uma pesquisa mostrou que 62% das pessoas desses grupos dizem que suas empresas não oferecem um ambiente seguro e acolhedor, mesmo quando há políticas de diversidade.

Uma matéria ajuda a concretizar esse ponto no caso de pessoas negras: além de metas, prazos e hierarquias, a experiência no trabalho também pode ser marcada pela aparência como campo de vigilância racial. Cabelo, roupa, corpo e modo de se apresentar, quando se afastam do padrão branco que muitas empresas ainda tratam como sinônimo de neutralidade, deixam de ser expressão e passam a ser lidos como inadequação ou desleixo.

E uma outra reportagem fala sobre como a cultura da produtividade a todo custo prejudica todo mundo, mas não atinge todo mundo do mesmo jeito. Para muitas mulheres, a pressão por alta performance no trabalho se soma à carga doméstica, ao cuidado com outras pessoas, à culpa por não dar conta de tudo e à sensação de que até o descanso precisa ser justificado.

Então, sim, a NR-1 importa. Mas ela também provoca a reflexão: como fiscalizar a saúde mental em empresas que não sabem lidar de verdade com a diversidade dentro de suas equipes e não conseguem enxergar que sofrimento não é um problema individual?

Será que certificações e auditorias feitas pelo Estado podem sanar a situação?

Nesta semana, o Ministério das Mulheres entregou o Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça a 80 empresas. Entre as práticas reconhecidas estão ampliação de licenças, auxílio-creche, flexibilização de jornada e ações de enfrentamento à violência contra mulheres no ambiente corporativo.

O selo em si não é um problema, mas é mais o que fazem dele. Porque uma empresa pode ter certificação, políticas internas, comitê e ainda assim manter práticas que tornam o cotidiano insustentável para quem não ocupa o lugar padrão de sempre.

Então, para muito além de parecer inclusiva, responsável ou “atenta às novas exigências”, é preciso construir uma cultura em que as pessoas possam trabalhar sem precisar esconder quem são, sem medo de represália quando denunciam e sem carregar sozinhas a conta da sobrecarga.

preconceitos
Artigo desmonta fala de Luciano Huck sobre o Bolsa Família, com a ideia de que beneficiários não querem trabalhar, e mostra como esse discurso ignora dados sobre emprego, renda e saída do programa. | UOL

exclusão cara
Estudo do Banco Mundial mostra que pessoas LGBT+ no Brasil enfrentam mais desemprego, informalidade e discriminação no trabalho, resultando em um custo de R$ 94,4 bi por ano ao país. | G1

direito em falta
Pesquisa mostra que pessoas negras ocupam só 13,4% das vagas nas maiores bancas de advocacia do país, com presença ainda menor em cargos de liderança. | Notícia Preta

direitos reprodutivos
Com exemplos como Google, Apple, Meta e Microsoft, benefício corporativo de fertilidade ganha espaço como estratégia de retenção e inclusão. | Você RH

afirmativa
FutureBrand São Paulo abre vagas de estágio exclusivas para estudantes pretos e pardos. | Você RH

bê-á-bá
STM passa a exigir que ao menos 10% da carga horária de treinamento de funcionários seja dedicada a direitos humanos, inclusão e diversidade. | Poder 360

barreira
USP nega prova em Libras a candidatos surdos em seleção de mestrado e OAB-SP vê possível discriminação por falta de adaptação razoável. | Folha de S.Paulo

mobilidade 60+
Nissan fecha parceria com a start up Vô Contigo, plataforma de transporte para pessoas 60+, com reforço de frota e treinamento de motoristas. | Folha de S.Paulo

elas investem
Oryx Capital, Fin4She, B3, Alocc e Rio Bravo refletem o avanço das mulheres no mercado financeiro, em um cenário em que elas já detêm 34% dos ativos globais. | Veja

sem recuo
Amstel e La Roche-Posay mantêm apoio à Parada LGBT+ de São Paulo, enquanto o evento enfrenta queda de 60% nas receitas de patrocínio e maior cautela das empresas com a pauta. | Meio & Mensagem

por outro lado…
Câmara de São Paulo aprova, em primeira votação, projeto que tenta restringir eventos LGBT+ a espaços fechados, no mesmo dia em que avança texto contra contratos com empresas condenadas por discriminação. | Folha de S.Paulo

sem fila
Nova lei determina que o INSS conceda salário-maternidade em até 30 dias. Se o prazo não for cumprido, o benefício será liberado automaticamente. | Folha de S.Paulo

cota em disputa
Flávia Medeiros, oficial de chancelaria exonerada do Itamaraty, tenta reverter decisão após banca racial indeferir sua candidatura em concurso por cotas e questionar sua autodeclaração como pessoa negra. | CNN Brasil

letramento
Idafro pede ao CNJ que jurados passem por formação sobre racismo, perfilamento racial e estereótipos antes de julgamentos nos tribunais do júri. | Folha de S.Paulo

acesso sem inclusão
Casas de show em São Paulo avançaram na acessibilidade para o público, mas ainda excluem artistas com deficiência ao manter bastidores, banheiros e backstages sem estrutura adequada. | Folha de S.Paulo

inclusão não é problema
Mizael Conrado critica falas capacitistas de agentes públicos em São Caetano do Sul e defende que esporte, acessibilidade e participação de pessoas com deficiência são deveres democráticos. | Folha de S.Paulo

maternidade sem pausa
Andrea Bianchi, nova VP de pessoas da Heineken no Brasil, defende uma liderança mais humanizada e relata como maternidade, diversidade e relações de confiança atravessaram sua trajetória até o C-level. | Forbes

racismo codificado
Joy Buolamwini, cientista e fundadora da Liga da Justiça Algorítmica, expôs vieses racistas em sistemas de reconhecimento facial e pressionou Amazon, IBM e Microsoft a reverem suas práticas. | UOL

cartografia da diversidade
ODC e UFSM lançam livro que mapeia a diversidade na publicidade entre 2020 e 2025, analisando gênero e sexualidade, questões étnico-raciais, idade e geração e corpo. | Meio & Mensagem

Oração para Desaparecer, livro de Socorro Acioli

Em Oração para Desaparecer, Socorro Acioli conduz a história de Cida, uma mulher que desperta sem memória em uma aldeia de Portugal e precisa reconstruir a própria vida a partir de fragmentos: uma língua, um sotaque, um colar de búzios, uma sensação de origem que ainda não sabe nomear. A trama atravessa Brasil e Portugal com a força da fabulação, misturando ancestralidade, mistério, amor e pertencimento.

A leitura interessa justamente por aquilo que deixa em suspenso: o que faz alguém ser reconhecido como pessoa antes mesmo de conseguir contar a própria história? Acioli escreve sobre desaparecimento, mas também sobre escuta, acolhimento e reconstrução. Há algo muito bonito na forma como o livro trata a identidade como um território vivo, feito de memória, vínculo, imaginação e das marcas que carregamos mesmo quando tudo parece ter sido apagado.

#acessibilidade: a capa do livro tem fundo azul vibrante e, no centro, há a silhueta preta de um cavalo-marinho. Na parte superior, o título aparece em letras pretas desenhadas à mão.

Sou o Outro do Outro, exposição de Es Devlin

A artista britânica Es Devlin ocupa a Casa Bradesco com uma exposição imersiva que transforma presença em linguagem. Em seis instalações monumentais, o público atravessa espelhos, bibliotecas, imagens, vozes e ambientes que provocam uma pergunta: quem somos quando vistos, lidos e refletidos por outras pessoas?

Com curadoria de Marcello Dantas, a mostra aproxima arte, tecnologia e pensamento humanista sem perder de vista um tema caro às conversas sobre diversidade: a alteridade. A experiência convida a deslocar o olhar, reconhecer outras existências e perceber que toda identidade também se forma no encontro. É uma boa escolha para quem gosta de arte contemporânea que mexe com o corpo, com a percepção e com a forma como habitamos o mundo.

Serviço
Exposição: “Sou o Outro do Outro”, por Es Devlin
Quando: até 27 de julho de 2026; de terça a domingo, das 12h às 20h
Onde: Casa Bradesco, Alameda Rio Claro, 190, Bela Vista, Cidade Matarazzo, São Paulo – SP
Curadoria: Marcello Dantas
Ingressos: disponíveis pelo site da Casa Bradesco.

Minha Idade Não Me Define

O perfil Minha Idade Não Me Define, criado por Sylvia Loeb e Carla Leirner, abre uma conversa sobre envelhecimento, autonomia e presença digital. Com uma abordagem inteligente, elas tratam a idade como parte da experiência, sem reduzir pessoas maduras a estereótipos ou limitações.

Um dos pontos mais interessantes do projeto é a aproximação com a inteligência artificial. O perfil se apresenta como a primeira comunidade de IA 50+ do país e propõe inclusão digital a partir de novos olhares sobre o envelhecer. Em vez de deixar a tecnologia restrita aos mais jovens, elas colocam pessoas maduras no centro da conversa sobre futuro, repertório, aprendizado e participação.

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