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Ascen Cripto Newsletter · Jul 20, 2026

🟠 CVM do Brasil quer regular a tokenização

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(Imagem Ilustrativa: CVM do Brasil e Tokenização)

⚖️ A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) anunciou na sexta-feira (17) a criação de um grupo de trabalho para estudar a tokenização de valores mobiliários e propor novas regras. A iniciativa foi oficializada pela Portaria CVM/PTE 177, publicada no Diário Oficial da União. O chamado Grupo de Trabalho de Tokenização (GTT) vai avaliar o uso de tecnologia de registro distribuído no registro, na custódia, na negociação e na liquidação desses ativos.

Tokenização é a representação de um ativo tradicional — uma ação, um título público, um fundo, um imóvel — como um registro digital em blockchain. A tecnologia de registro distribuído (DLT) é a base que sustenta esse registro, um banco de dados compartilhado entre vários participantes, sem uma autoridade central. Juntas, permitem negociar e liquidar o ativo de forma mais rápida e barata, 24 horas por dia.

O GTT terá duração inicial de 120 dias, prorrogável por mais 30, e deve encaminhar ao colegiado, em até 60 dias, uma proposta de regime regulatório experimental para a tokenização. O grupo reúne representantes de 14 áreas da autarquia, sob coordenação de José Alexandre Vasco e Bruno Gomes. O presidente da CVM, Otto Lobo, afirmou que a tokenização representa uma transformação estrutural do mercado de capitais e exige uma atuação regulatória igualmente inovadora.

O movimento acompanha um setor que já tem escala no país. Pelos dados do RWA Monitor, os tokens de ativos do mundo real no Brasil somam R$ 9,96 bilhões em captação e reúnem 5.593 ativos tokenizados em 2026. A regulação chega para dar segurança jurídica a um mercado que cresceu antes de ter um arcabouço próprio.

A prioridade não é só brasileira. Pesquisa da Broadridge com 200 executivos de serviços financeiros da América do Norte apontou que 84% das instituições consideram a tokenização importante para os negócios, e 68% esperam que ela remodele ao menos parte dos mercados financeiros nos próximos três a cinco anos. BlackRock, Franklin Templeton, JPMorgan e a DTCC já operam ou constroem infraestrutura para ativos tokenizados — sinal de que a corrida saiu da fase de experimento.

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(Imagem Ilustrativa: GENIUS Act e EUA)

📜 Os reguladores americanos chegaram ao sábado (18) — prazo de um ano fixado pelo GENIUS Act — sem publicar as regras finais que colocam em prática o novo arcabouço federal de stablecoins. Os pacotes do OCC, da FDIC, da NCUA e do Tesouro seguem apenas como propostas, e as normas que envolvem o Federal Reserve e as autoridades antilavagem continuam inacabadas, algumas ainda em consulta pública.

O GENIUS Act (Guiding and Establishing National Innovation for US Stablecoins) é a lei americana que regula stablecoins, sancionada em julho de 2025. Ela exige lastro integral 1 para 1 em ativos líquidos, obriga divulgação mensal de reservas e proíbe o emissor de pagar juros ao detentor.

A Seção 13 da lei exigia que cada regulador promulgasse suas regras em até um ano da sanção, sem previsão de extensão automática. Parte do atraso é técnica — a consulta pública de uma das propostas da NCUA só encerrou um dia antes do prazo, tornando impossível concluí-la a tempo. Na proposta conjunta de identificação de clientes, cinco diretores do Fed apoiaram a liberação, mas o presidente Kevin Warsh se absteve.

O atraso não muda a data em que a lei passa a valer. Pela Seção 20, o GENIUS Act entra em vigor de qualquer forma — na data que vier primeiro entre 18 de janeiro de 2027 ou 120 dias após a publicação das regras finais. Como essas regras ainda nem saíram, vale a data fixa de janeiro de 2027. O que fica para depois é apenas o detalhamento técnico da fiscalização, já que as exigências centrais — reservas 1 para 1 e proibição de pagar juros ao detentor — já constam do próprio texto da lei.

Neymar usa a camiseta da marca Satoshi Nakamoto ao lado de Bronny James. (Foto/Reprodução — Instagram @neymarjr)

🇧🇷 Neymar Jr. voltou a chamar atenção no meio cripto ao aparecer com uma camiseta estampada com o nome Satoshi Nakamoto, pseudônimo do criador do Bitcoin. A peça é de uma grife de mesmo nome, que vende roupas com referências à cultura das criptomoedas, e custa US$ 450 — cerca de R$ 2,4 mil pela cotação atual. Na foto, o jogador aparece ao lado de Bronny James, do Los Angeles Lakers.

Item Media
Bored Ape #6633

Não é a primeira ligação de Neymar com o setor. Em janeiro de 2022, no auge da febre dos NFTs, ele comprou dois itens do Bored Ape Yacht Club — o BAYC #5269 por 198,69 ETH (R$ 3,4 milhões na época) e o #6633 por 159,99 ETH (R$ 2,7 milhões), este último usado por ele como foto de perfil no Twitter. A coleção reunia celebridades como Eminem, Snoop Dogg e Justin Bieber.

NFT (non-fungible token, ou token não fungível) é um registro em blockchain que representa a posse de um item digital único — uma imagem, um vídeo, um colecionável. Diferente de uma criptomoeda, em que uma unidade vale igual a outra, cada NFT é individual e não pode ser trocado por outro de forma equivalente, o que serve para provar autenticidade e propriedade de um item específico.

O investimento derreteu. Até fevereiro deste ano, a melhor oferta pelo BAYC #5269 era de 7,12 ETH, ou R$ 73 mil — uma queda de 96,4% medida em Ethereum. O preço de piso da coleção, que chegou a R$ 1,7 milhão em maio de 2022, caiu para R$ 66,3 mil. A camiseta, ao menos, não flutua com o mercado.

Veja aqui a coleção do Neymar listada no Open Sea (Market Place de NFTs)

(Imagem Ilustrativa: Autoridade francesa bloqueia Polymarket)

🇫🇷 A Autorité nationale des jeux (ANJ), autoridade nacional de jogos da França, ordenou na sexta-feira que os provedores de internet do país bloqueiem o acesso à Polymarket. O órgão classifica os mercados de previsão como jogos de azar ilegais, afirma que a plataforma não é autorizada no país e lembra que anunciar sites de jogo não autorizados é crime, com multa de até 100 mil euros.

Um mercado de previsão é uma plataforma onde as pessoas apostam dinheiro no resultado de eventos futuros — uma eleição, um jogo, o preço de um ativo. Cada aposta é um contrato que se paga caso o evento se confirme, e o preço reflete a probabilidade que o público dá a cada desfecho. A Polymarket é uma das maiores e opera com criptomoedas.

A ANJ diz que a plataforma tem características viciantes semelhantes às dos jogos regulados, mas amplificadas pela ausência dos mecanismos de proteção do mercado legal. O órgão também levantou suspeita de manipulação — apostas sobre o clima teriam indicado que sensores meteorológicos podem ter sido hackeados. A Procuradoria de Paris investiga o caso desde maio de 2026, apontando falta de verificação de identidade, e a Polymarket já operava com bloqueio geográfico em 36 regiões.

A França se junta a uma lista que inclui Singapura, Polônia, Portugal, Hungria, Ucrânia e Indonésia. O Brasil entrou nesse grupo antes — em abril de 2026, o Conselho Monetário Nacional editou a Resolução CMN 5.298, que proibiu a oferta de contratos de mercados de previsão no país e atingiu 27 plataformas, entre elas Kalshi e Polymarket, sob o entendimento de que operavam como apostas sem regulação.

Saiba mais sobre a Polymarket, Kalshi e Mercados Preditivos aqui:

(Imagem Ilustrativa: Semana em Cripto da Ascen Cripto)

🗓 Eventos na semana que impactam o mercado de criptoativos

• Bitcoin (BTC) — negocia entre US$63 mil e US$65 mil (cotado perto de US$64,8 mil), alta de +1,6% em 7 dias. Segurou o suporte mesmo com o choque do petróleo e o clima de aversão a risco global.

• AltcoinsEthereum (ETH) entre US$1.840 e US$1.900 (+4% em 7 dias), o melhor desempenho entre as grandes; Solana (SOL) entre US$74 e US$76 (-1,7%) e XRP entre US$1,08 e US$1,10 (-0,4%), ambas de lado.

• ETFs spot — os fundos de Bitcoin encerraram 8 semanas de saídas com +US$197 milhões na semana até 10/07, mas o fluxo voltou a ficar volátil (saída de ~US$425 milhões em 13/07, seguida de entradas em 15/07 e 16/07); o IBIT da BlackRock segue líder, com ~US$60,3 bilhões acumulados. Os ETFs de Ethereum também romperam a sequência negativa, com +US$84,4 milhões na semana até 11/07 e o ETHA da BlackRock puxando o fluxo.

• Strategy (MSTR) — a empresa de Michael Saylor interrompeu as compras e chegou a vender 3.588 BTC (~US$216 milhões) para bancar dividendos de ações preferenciais. Mantém 843.775 BTC a custo médio de ~US$75.476 — acima do preço atual, o que a coloca no prejuízo na marcação a mercado.

• Desbloqueios de tokens — a onda de unlocks segue pressionando a oferta, com PUMP liderando (~US$139 milhões, primeiro cliff de equipe e investidores) e ARB e SEI entre os destaques da semana.

• Segurança — o protocolo Ostium sofreu um exploit de oráculo em 15/07, com ~US$18 a 24 milhões drenados de seu vault público, reacendendo o alerta sobre riscos de DeFi em meio à aversão a risco.

• Regulação (EUA) — o CLARITY Act (marco de estrutura de mercado cripto) segue travado no Senado, sem tempo de plenário alocado. O recesso de 07/08 vira prazo prático, e as apostas de sanção ainda em 2026 caíram para ~39%.

• Estrutura — sentimento em medo extremo (índice na casa de 22 a 25), com o mercado preso entre o suporte do BTC e o choque do petróleo. Sem gatilho positivo claro, o viés de curto prazo segue defensivo até o FOMC de 29/07.

• EUA — semana leve em dados macro e já em blackout do Fed antes do FOMC de 28–29/07 (decisão em 29/07). No radar, os PMIs preliminares (24/07), os pedidos de auxílio-desemprego e dados de moradia.

• Earnings (Big Techs) — semana decisiva de resultados, com Alphabet e Tesla em 22/07 e, na sequência, Microsoft, Amazon e Meta — juntas, cerca de US$16 trilhões em valor de mercado. O foco será o capex de IA, e o tom desses balanços tende a ditar o apetite a risco que respinga no cripto.

PetróleoBrent perto de US$88 e WTI em torno de US$82, com alta de +14% na semana. O salto foi puxado pela escalada militar entre EUA e Irã no Golfo Pérsico.

• Geopolítica — os EUA reimpuseram um bloqueio naval a portos iranianos perto do Estreito de Hormuz, e o tráfego comercial na rota — por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — segue limitado. É o principal vetor de risco para os mercados no momento.

• Brasil — o IPCA-15 de julho sai na semana (por volta de 24/07) e serve de prévia para o próximo passo do Copom, que só volta a se reunir em 04–05/08. A Selic segue em 14,25% após o corte de junho.

• Leitura geral — a semana tem dois motores: os balanços das Big Techs e a tensão EUA–Irã no petróleo. Com o Fed em silêncio e o calendário macro fraco, o mercado deve operar reativo a esses dois eixos, e o cripto tende a seguir o humor de risco das bolsas até a decisão do FOMC.

📊 Investidores montam US$ 2,5 bilhões em opções apostando em Bitcoin a US$ 72 mil na semana do Fed

A estrutura de bull call spreads na Deribit mira US$ 72.000 até 31 de julho, dois dias após a decisão de juros do Fed. Os futuros indicam 75% a 80% de chance de manutenção da taxa, com o Bitcoin perto de US$ 64.628.

🇪🇺 BCE seleciona 36 instituições para o piloto do euro digital

Entre as escolhidas estão Deutsche Bank, Stripe, Revolut e Adyen, com a Itália liderando em número de participantes. O piloto começa no segundo semestre de 2027 e vai durar 12 meses, testando pagamentos online e offline.

🇧🇷 Foxbit passa a responder por mais de 41% do dólar digital negociado no Brasil

A corretora anunciou rebranding para Foxbit Infra e vira infraestrutura financeira via API para bancos e fintechs. A fatia acima de 41% em USDT e USDC soma mais de R$ 1 bilhão movimentado no último mês.

Solana distribui US$ 50 mil em hackathon com dados da Copa do Mundo no Brasil

O World Cup Hackathon premia aplicações que usem dados dos 104 jogos da Copa na blockchain Solana, divididas em mercados preditivos, experiências para torcedores e ferramentas de negociação. O encerramento presencial ocorre na Solana House SP.

🏦 Tether investe em rodada de US$ 197 milhões do neobank argentino Ualá

A emissora do USDT aportou US$ 20 milhões na captação liderada pela Allianz X, que avaliou a fintech em US$ 3,2 bilhões. O Ualá tem mais de 11 milhões de clientes e licenças bancárias na Argentina, no México e na Colômbia.

🏛️ Senadora Warren cobra que Trump divulgue seus ganhos com cripto em 2026

A democrata pediu um relatório voluntário até 23 de julho, após a declaração de 2025 mostrar US$ 1,4 bilhão em ganhos do presidente com projetos cripto. Ela aponta conflito de interesse enquanto o Senado debate o CLARITY Act.

⛓️ Robinhood aposta em levar 27,6 milhões de usuários casuais ao DeFi

A layer-2 da corretora chegou ao 2º lugar em volume de DEX, mas a atividade é dominada por memecoins — a CASHCAT subiu mais de 2.100% na primeira semana. O mercado de ativos tokenizados da rede soma apenas US$ 12,66 milhões.

⚖️ FTX vai distribuir cerca de US$ 900 milhões a credores na quinta rodada

Os pagamentos começam em 31 de julho, via BitGo, Kraken ou Payoneer. Com essa rodada, a massa falida terá devolvido cerca de US$ 10 bilhões desde o colapso de novembro de 2022.

🇯🇵 SBI compra a corretora singapuriana Coinhako após aval regulatório

A japonesa SBI Holdings adquiriu participação majoritária na controladora da Coinhako após aprovação da Autoridade Monetária de Singapura. A compra integra uma expansão que já inclui Bitbank, EDX Markets e a blockchain Strium.

🛡️ ether.fi fecha a maior cobertura contra slashing da história do Ethereum

A ether.fi contratou a Nexus Mutual para proteger seus validadores contra até 15.000 ETH em penalidades de slashing [punição que confisca parte do ETH de validadores que falham ou agem de forma maliciosa], a maior apólice do tipo já feita. Desde 2019, a Nexus cobriu mais de US$ 7 bilhões em riscos de contratos inteligentes e staking.

🔓 Across sofre o primeiro ataque na Solana, mas garante que fundos de usuários estão seguros

O protocolo desativou depósitos na Solana como contenção e afirmou que nenhum usuário foi afetado, com as perdas restritas à Risk Labs. O ataque veio depois de a bridge [ponte que transfere ativos entre blockchains diferentes] já ter movimentado mais de US$ 34 bilhões.

🐀 Foto de perfil do CEO da Coinbase joga memecoin a US$ 33 milhões e derruba 90% em horas

Brian Armstrong trocou o avatar no X pelo mascote do token $BRIAN e o valor de mercado disparou na rede Base; quando ele voltou a foto antiga, a moeda desabou mais de 90%. Armstrong não criou o token nem tem ligação oficial com ele.

X avatar for @ascendani

Daniel Ascen@ascendani

🤖O intervalo entre lançamentos de modelos de IA de ponta caiu de 37,5 para 11 dias Em 2023, saía um novo modelo de fronteira a cada 37,5 dias entre @OpenAI , @AnthropicAI , @Google , @grok e @Meta . Em 2026, o intervalo mediano é de 11 dias — o menor da série. A maior queda

10:56 AM · Jul 16, 2026 · 323 Visualizações

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