🟠 Bolívia avalia adotar o USDT no sistema nacional de pagamentos
🇧🇴 O ministro da Economia da Bolívia, José Gabriel Espinoza, anunciou em 13 de julho que o governo avalia incluir o USDT — stablecoin da Tether — no sistema nacional de pagamentos, em circulação ao lado do boliviano e do dólar como opção regulada.
Stablecoins são criptomoedas desenhadas para manter valor fixo em relação a uma moeda tradicional, quase sempre o dólar americano. O USDT, da empresa Tether, é a maior delas e funciona como um dólar digital que circula em redes blockchain, sem passar pelo sistema bancário convencional.
O contexto explica o movimento — o banco central removeu as restrições a criptomoedas em junho de 2024 e o volume saltou de US$ 46,5 milhões no primeiro semestre daquele ano para US$ 294 milhões no mesmo período de 2025, alta de 630%. Escassez de dólares e migração do câmbio fixo para flutuante empurraram empresas e consumidores para alternativas digitais.
A adoção institucional andou na frente da política formal. O estatal Banco Unión já permite comprar USDT pela carteira Yasta desde abril, para remessas e pagamentos internacionais. O obstáculo é de compliance — a Bolívia segue na lista cinza do GAFI [órgão global de combate à lavagem de dinheiro], sob monitoramento reforçado, e Espinoza afirmou que qualquer integração exigiria controles antilavagem mais rígidos antes de avançar.
Saiba mais sobre a Tether aqui:
🟠 EUA e Reino Unido publicam roteiro conjunto para stablecoins
⚖️ Os Tesouros dos EUA e do Reino Unido publicaram em 14 de julho uma declaração conjunta com recomendações para os mercados de ativos digitais, pela Transatlantic Taskforce for the Markets of the Future. O texto descreve stablecoins reguladas como ferramentas capazes de tornar os sistemas financeiros mais eficientes e competitivos.
As recomendações pedem que os reguladores dos dois países desenvolvam abordagens comuns para ativos tokenizados — Banco da Inglaterra e FCA (Financial Conduct Authority) do lado britânico, CFTC (Commodity Futures Trading Commission) e SEC (Securities and Exchange Commission) do lado americano.
Sobre stablecoins, os dois governos defendem lastro integral de no mínimo 1 para 1 em ativos líquidos de alta qualidade, com padrões rígidos de custódia e segregação de reservas, e pretendem garantir ao detentor prioridade sobre as reservas na frente de outros credores em caso de insolvência do emissor.
Tokenização é a representação de um ativo tradicional — um título público, uma ação, um imóvel — como um registro em blockchain. Isso permite negociar e liquidar esse ativo 24 horas por dia, sem os intermediários e prazos do sistema financeiro convencional.
O anúncio chega com o GENIUS Act, lei americana de stablecoins, rumo à vigência em janeiro de 2027. Questionado em audiência sobre o prazo de 18 de julho para publicar as regras de implementação, o presidente do Fed, Kevin Warsh, respondeu que o banco central está correndo para cumpri-lo. Relatório britânico divulgado junto estima que a tokenização pode adicionar até US$ 44 bilhões ao produto anual do Reino Unido até 2035.
O GENIUS Act (Guiding and Establishing National Innovation for US Stablecoins) exige que as stablecoins tenham lastro integral em dólares ou ativos de liquidez equivalente, obriga auditoria anual para emissores com valor de mercado acima de US$ 50 bilhões e define regras para emissores estrangeiros. Sancionada em 2025, a lei ainda depende das propostas de regulamentação que as agências federais estão elaborando para sair do papel.
🟠 Visa lança plataforma de emissão de stablecoins para instituições
🏦 A Visa anunciou na quinta-feira (16) a Visa Stablecoin Platform (VSP), infraestrutura que permite a instituições financeiras emitir, movimentar e administrar stablecoins em ambiente controlado pela companhia, sem construir sistemas próprios do zero.
A fase inicial dá suporte à emissão da OUSD (Open USD), ativo com paridade no dólar desenvolvido sob o modelo Open Standard. Jack Forestell, chefe de produto e estratégia, afirmou que as stablecoins inauguram uma nova camada de dinheiro programável, mas que a dificuldade da maioria das instituições não está no conceito, e sim na realidade operacional. A plataforma reúne cunhagem e gestão de fluxos em um único painel, integrado aos recursos de pagamento já existentes da bandeira.
A OUSD (Open USD) é uma stablecoin em desenvolvimento pelo consórcio Open Standard, que reúne mais de 140 empresas — entre elas BlackRock, Coinbase, Mastercard, Stripe e a própria Visa —, com lançamento previsto para o segundo semestre de 2026. A diferença em relação às concorrentes está em quem fica com o rendimento das reservas. A Circle, por exemplo, retém o que os ativos que lastreiam o USDC geram; a Open USD pretende repassar esse rendimento às empresas que usam a stablecoin, cobrando apenas uma taxa de administração. A estrutura de reservas e o modelo completo de tarifas ainda não foram divulgados.
Os controles de segurança são o eixo do produto. Transações de alto risco exigem aprovação de dois indivíduos distintos, listas de permissão restringem envios a endereços verificados e a empresa mantém registro de auditoria de todas as ações na rede. O ambiente de testes está aberto apenas a um grupo restrito de parceiros, e os dados do piloto vão orientar a expansão do acesso.
🟠 OFAC sanciona carteiras do Irã e Tether congela US$ 131 milhões
🚨 O OFAC, escritório de controle de ativos estrangeiros do Tesouro americano, atualizou na terça-feira (14) a designação do Banco Central do Irã para incluir quatro novos endereços de criptomoedas. Segundo análise on-chain da Chainalysis, as carteiras receberam US$ 165 milhões em stablecoins, e US$ 131 milhões foram congelados imediatamente pela Tether.
A medida amplia o bloqueio contra a instituição, que segundo o Tesouro usa criptomoedas para contornar sanções, financiar o regime e canalizar ativos para parceiros regionais, incluindo o Hezbollah.
As operações cripto do banco central iraniano ganharam escrutínio desde o início do conflito com os EUA — no mês passado, o OFAC sancionou as principais corretoras que a instituição usava para entrar e sair de stablecoins.
O episódio expõe a contradição do uso de stablecoins por atores sancionados. São líquidas e aceitas globalmente, o que atrai qualquer usuário, legítimo ou não. Mas o emissor pode congelar saldos a pedido de autoridades. A Tether já bloqueou quase US$ 475 milhões em endereços ligados ao Banco Central do Irã. Os endereços recém-designados receberam recursos de um provedor institucional de liquidez e de um processador de pagamentos sediado na Ásia.
🟠 Agentes de IA da Ethereum Foundation encontram falhas no código
🤖 A equipe de segurança da Ethereum Foundation apontou agentes de inteligência artificial contra o código central do Ethereum e encontrou falhas reais. Em post de 9 de julho assinado pelo pesquisador Nikos Baxevanis, a fundação confirmou ao menos uma vulnerabilidade divulgada publicamente — uma falha que permitia derrubar remotamente um nó da rede, já corrigida.
A falha estava na libp2p, biblioteca que os clientes do Ethereum usam para conversar entre si. Cada computador que sustenta a rede — um nó — precisa trocar informação com os demais o tempo todo, e é essa camada de comunicação que estava exposta. O problema foi registrado como CVE-2026-34219, o código público usado no mundo todo para catalogar vulnerabilidades.
A descoberta em si não surpreendeu. O trabalho pesado foi separar o joio do trigo — a maioria das falhas apontadas pelos agentes estava errada, repetida ou fora do escopo, e filtrar os falsos positivos convincentes deu mais trabalho do que gerar as hipóteses. O método, com vários agentes rodando em paralelo, foi adaptado de uma abordagem publicada pela Anthropic.
Cada agente assume um papel — reconhecimento, caça, preenchimento de lacunas ou validação. Para uma falha ser confirmada, ela precisa ter um ponto de entrada que um atacante realmente alcance, um defeito demonstrável e um teste independente que funcione contra o código de verdade. A conclusão da equipe foi que a IA não substituiu o pesquisador de segurança, só mudou onde o tempo humano é gasto.
🔄Retrospectiva Semanal (17/07/2026)
⚡️Flash Notes
🤖 Euforia de IA perde fôlego e deixa o Bitcoin menos volátil que a bolsa sul-coreana
O índice Kospi caiu quase 25% em quatro semanas e sua volatilidade implícita de 30 dias saltou para 81% ao ano, mais que o dobro dos 38% do Bitcoin. Traders de varejo coreanos acumulam mais de US$ 2 trilhões em liquidações forçadas em menos de três meses.
🃏 Jupiter lança plataforma de cartas Pokémon tokenizadas na Solana
A DEX lançou em beta o Jupiter Gacha, onde o usuário compra pacotes aleatórios com cartas físicas autenticadas e classificadas de Pokémon e One Piece, cada uma lacrada e representada por um token negociável on-chain.
📊 Volume de futuros da Binance dispara 80% em junho e chega a US$ 1,61 trilhão
Maior total mensal do ano, contra US$ 893 bilhões em maio, segundo dados do CryptoQuant. OKX somou US$ 609 bilhões e Bybit US$ 434 bilhões, num trimestre em que o volume total de futuros em corretoras centralizadas caiu 11%.
⛓️ Robinhood Chain entra no top 5 de volume em DEX com US$ 3,1 bilhões na primeira semana
A layer-2 lançada em 1º de julho atraiu mais de 65 mil usuários, US$ 300 milhões em stablecoins e US$ 13 milhões em ações tokenizadas, com TVL em DeFi acima de US$ 100 milhões em 15 dias.
🏦 Larry Fink diz que alavancagem em Bitcoin diminuiu e se declara otimista com os mercados
O CEO da BlackRock afirmou à CNBC que os excessos de alavancagem foram eliminados, dando lugar a mais estabilidade. O IBIT detém 735 mil bitcoins e viu cerca de 90 mil deixarem o fundo desde maio.
⚡ Cambridge coloca o Ethereum como 2º menos intensivo em energia entre redes proof-of-stake
Estudo do CCAF estima consumo anual de 7,87 GWh, equivalente a cerca de 2.000 residências britânicas e queda de 99,96% ante o período pré-Merge. O relatório alerta para risco de concentração geográfica e de provedores dos nós.
⚖️ Senado americano vota por unanimidade contra perdão presidencial a Sam Bankman-Fried
A resolução aprovada na quarta-feira (15) afirma que o fundador da FTX não deve receber clemência executiva sob nenhuma circunstância. SBF cumpre pena de 25 anos e pediu formalmente o perdão a Trump em junho.
🇧🇷 Governo lança plano contra o crime organizado e classifica criptoativos como setor vulnerável
A portaria 1.258/2026 do Ministério da Justiça, publicada na quarta-feira (15), coloca as criptomoedas ao lado do mercado imobiliário e de veículos de luxo entre os setores expostos à infiltração criminosa. A meta é de 240 ações integradas em 2026.
🇬🇧 Reino Unido condena quadrilha que roubou £ 4 milhões em cripto se passando por policiais
Três homens ligavam para as vítimas alegando que seus criptoativos estavam em risco, apoiados por sites falsos que imitavam páginas oficiais da polícia. Apenas £ 1 milhão foi recuperado; um dos condenados declarava renda de £ 444.
🚔 Falsos policiais sequestram influenciador e levam R$ 750 mil em cripto em Ribeirão Preto
Dois homens vestidos com roupas da Polícia Civil invadiram um hotel no dia 3 de julho, exibiram um mandado falso e algemaram a vítima de 18 anos. Um suspeito foi preso após reconhecimento facial no Uber que chamou para fugir.
🔐 Malware para macOS rouba carteiras de cripto e sequestra sessões do Telegram
A SlowMist identificou um infostealer que coleta dados do Keychain, cookies do Safari e bancos de dados de mais de uma dúzia de carteiras, incluindo Exodus, Ledger Live e Trezor Suite. A verificação em duas etapas do Telegram não protege, porque o ataque reutiliza a sessão local já autenticada.
📈 ETFs de Bitcoin acumulam US$ 368 milhões em três dias seguidos de entradas
Os fundos spot americanos registraram US$ 181 milhões na terça, US$ 108 milhões na quarta e US$ 79,2 milhões na quinta, levando o saldo de julho de volta ao positivo após saídas de US$ 4,51 bilhões em junho.
🇺🇸 Operador do teleprompter de Trump lucra US$ 100 mil apostando em discursos na Kalshi
Gabriel Perez apostou em mais de uma dúzia de mercados de “Menções”, que preveem se palavras específicas aparecerão nos discursos. A Kalshi detectou a atividade e encaminhou o caso à CFTC; a Casa Branca o colocou em licença não remunerada.
🏛️ Bitmine gera US$ 46 milhões com staking de Ethereum em um único trimestre
A receita representa 98% do total da empresa no trimestre encerrado em 31 de maio, contra apenas US$ 624 mil vindos da mineração de Bitcoin. A companhia detém 5,77 milhões de ETH, com 85% das reservas em staking.
🇰🇷 Coreia do Sul mira títulos públicos tokenizados e primeiros ETFs de cripto à vista
O plano econômico do segundo semestre inclui piloto de tokenização de títulos vinculado ao projeto de CBDC institucional de 2027, aprovação do Digital Asset Basic Act até o fim do ano e revisão da Lei de Mercados de Capitais.
🇨🇿 República Tcheca bloqueia a Polymarket por operar jogos de azar sem licença
A plataforma entrou na lista de provedores não autorizados publicada em 13 de julho, e os provedores de internet têm 15 dias para bloquear o acesso. A Polymarket já está restrita em ao menos dez países europeus, além do Brasil.
💳 CEO da Strategy diz que Bitcoin teria de cair a US$ 10 mil para a dívida virar preocupação
Phong Le afirmou à Bloomberg TV que a empresa não pretende parar de comprar e só avaliaria riscos ligados ao endividamento com o BTC entre US$ 8 mil e US$ 10 mil. O caixa está em cerca de US$ 3 bilhões.

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