📊 O Bitcoin era negociado a US$ 77.984 neste domingo, 23 de agosto, alta de 24,1% em sete dias e o maior avanço semanal em dois anos. O ativo chegou a superar US$ 79 mil na sexta-feira, maior nível desde maio, depois de passar seis semanas preso entre US$ 62 mil e US$ 66,5 mil. O Índice de Medo e Ganância está em 66, na faixa de ganância, contra 29 nove dias atrás.
A alta não ficou concentrada em poucos nomes. O XRP disparou 54,4% e passou de US$ 1,53 pela primeira vez em meses, o Ethereum (ETH) subiu 31,8%, a US$ 2.470, e o HYPE avançou 37% até uma máxima histórica perto de US$ 78. Zcash (ZEC) e Chainlink (LINK) ganharam mais de 30% cada.
Os ETFs à vista captaram US$ 2,6 bilhões na semana, sendo US$ 1,9 bilhão nos fundos de Bitcoin e US$ 697,2 milhões nos de Ether, a melhor semana desde outubro. O volume combinado triplicou para US$ 29 bilhões, e o patrimônio subiu 25,4% nos fundos de Bitcoin, a US$ 96,1 bilhões, e 35,9% nos de Ether, a US$ 14,3 bilhões.
ETF à vista é um fundo negociado em bolsa que compra e guarda o próprio ativo, em vez de acompanhar o preço por contratos futuros. Cada cota emitida obriga o gestor a comprar Bitcoin no mercado, e cada resgate obriga a vender, o que faz do fluxo desses fundos um termômetro direto da demanda institucional.
Mesmo depois da melhor semana em dez meses, os dois produtos seguem no vermelho em 2026, com saída líquida acumulada de US$ 2,9 bilhões nos fundos de Bitcoin e US$ 191,8 milhões nos de Ether. Uma semana forte recuperou parte do terreno, não o ano.
Fora do mercado especulativo, o uso cotidiano avançou em paralelo. O gasto com cartões cripto passou de US$ 1,04 bilhão em julho, com mais de 10 milhões de transações, contra US$ 306 milhões um ano antes, e o ticket médio subiu de US$ 59 para US$ 86. As stablecoins bancaram 70% desse volume, com USDC em 50,8% e USDT em 20,3%. Os dados são da Paymentscan e mostram alta de 600% no valor transacionado em mercados de menor PIB, com supermercado respondendo por 35% das compras no Brasil.
⚖️ Washington teve três movimentos cripto em três dias. A SEC apresentou sua primeira proposta de regulamentação feita para criptoativos, Donald Trump recebeu executivos do setor no Salão Oval, e a CFTC abriu a reunião inaugural do Comitê Consultivo de Inovação. A fala mais dura veio de Mike Selig, presidente da CFTC. Ele disse que aprovar o Clarity Act é a forma mais segura de impedir que outro Gary Gensler conduza uma campanha de guerra jurídica contra o setor, referência ao ex-chefe da SEC sob quem a agência moveu 125 ações de execução. E avisou que, se o projeto seguir travado, a CFTC vai montar um regime próprio com as autoridades que já tem.
A SEC é a comissão de valores mobiliários dos Estados Unidos, equivalente à CVM, e regula o que é considerado investimento. A CFTC regula os mercados de commodities e derivativos, como petróleo e futuros. A briga sobre qual das duas manda em cripto trava o setor há anos, e o Clarity Act é o projeto de lei que pretende resolver isso definindo quais criptoativos ficam com cada uma.
A proposta da SEC, chamada Regulation Crypto Assets, mira a captação de recursos. Libera ofertas de até US$ 5 milhões em quatro anos ou US$ 75 milhões por ano sem registro completo, derruba certas exigências estaduais e cria uma saída para o projeto deixar de ser tratado como valor mobiliário assim que ele consegue funcionar sem seus fundadores.
A comissão votou por processo seriatim, com os comissários se manifestando fora de reunião pública, depois de cancelar às pressas a reunião aberta marcada para 14 de agosto.
Trump pediu ao Congresso uma versão justa do projeto quando os parlamentares voltarem em setembro, referência às cláusulas dos senadores Thom Tillis e Ruben Gallego que ele considera dirigidas contra si. Antes das declarações públicas, Brian Armstrong, da Coinbase, Brad Garlinghouse, da Ripple, Arjun Sethi, da Kraken, e um sócio da Andreessen Horowitz se reuniram em separado com o Secretário de Comércio Howard Lutnick para destravar esse ponto.
⛏️ O projeto de mineração de Bitcoin da Tether no Uruguai naufragou numa briga por contrato de energia, segundo apuração da Reuters. A empresa investiu cerca de US$ 120 milhões em dois sítios no departamento de Florida a partir de maio de 2023, e a operação foi desligada da rede em 25 de julho de 2025. A comunicação final de demissões saiu em 25 de novembro de 2025.
Minerar Bitcoin é usar máquinas dedicadas para resolver cálculos que validam as transações da rede e criam novas moedas (BTCs). A chance de ganhar a recompensa é proporcional ao poder computacional de cálculo que o minerador coloca na disputa. O nome técnico desse processo se chama Prova de Trabalho (ou Proof-of-Work em inglês).
A disputa era sobre uma cláusula de potência. A Tether lia o número contratado como piso, a estatal UTE lia como teto, e a operação passava dias sem energia suficiente conforme a demanda crescia. A troca de governo em março de 2025, com a posse de Yamandú Orsi e a nomeação de novos diretores da UTE, endureceu o lado estatal. Representantes da empresa não compareceram à assinatura do contrato revisado, e a Microfin, braço uruguaio da Tether, parou de pagar as contas de luz dois meses depois da transição. Em junho a companhia notificou a UTE do encerramento, e no mês seguinte veio o corte.
O tamanho do recuo fica claro no que estava prometido. O Uruguai era o primeiro passo de uma expansão que incluía Brasil, Paraguai e Argentina, e em junho de 2025 o presidente-executivo Paolo Ardoino afirmou que a empresa seria a maior mineradora de Bitcoin do mundo até o fim daquele ano. A Tether declarou ter mais de US$ 2 bilhões aplicados em 15 sítios na região e não respondeu aos pedidos de comentário.
🏆 O Zcash era negociado a US$ 862 neste domingo, alta de 4,6% em 24 horas e máxima de US$ 885 no dia, o maior preço desde 2018. A capitalização chegou a US$ 14,55 bilhões e o ativo é hoje o 11º maior do mercado, com volume diário de US$ 1,4 bilhão. O gatilho foi a Grayscale, que protocolou na sexta-feira a quinta emenda ao registro para converter seu fundo de Zcash em ETF à vista.
O pedido detalha o produto. O fundo passaria a se chamar The Zcash ETF, com código ZCH na NYSE Arca, taxa anual de 2,5%, custódia da Coinbase Custody e agente de transferência no BNY Mellon. O truste existe desde 2017 e tinha mais de US$ 260 milhões sob gestão na sexta. Uma subsidiária do Digital Currency Group negocia aportar cerca de 200 mil ZEC ao fundo, algo perto de US$ 172 milhões nos preços atuais. Falta a aprovação da SEC, e seria o primeiro fundo americano a seguir o preço do ZEC diretamente.
O apetite apareceu primeiro nos derivativos. O volume de futuros em 24 horas chegou a US$ 9,54 bilhões, quase nove vezes o do mercado à vista, com posições em aberto perto de US$ 1,8 bilhão, cerca de 13% da capitalização do ativo. A alta também é recuperação de um tombo. Em junho o preço caiu a US$ 250 depois que os desenvolvedores revelaram uma falha crítica que permitia falsificar moedas, corrigida em seguida.
Zcash é uma rede de pagamento que permite esconder remetente, destinatário e valor da transação, envolvendo a criptomoeda ZEC, usando provas criptográficas. É a principal alternativa ao Monero entre as chamadas moedas de privacidade, com a diferença de que no Zcash o sigilo é opcional, e a maior parte das transações ainda circula de forma transparente.
Saiba mais sobre o Zcash aqui:
🗓 Eventos na semana que impactam o mercado de criptoativos
🚀 Bitcoin (BTC): subiu 24,1% em 7 dias, a US$ 78 mil, maior alta semanal em dois anos. Tocou US$ 79,5 mil na sexta. O Fear & Greed foi de 22 (medo extremo) há três semanas para 66 (ganância).
🔺 Altcoins: subiram mais. XRP +54,4% (US$ 1,53), ETH +31,8% (US$ 2.470) e SOL +28,8% (US$ 96).
💥 Squeeze de vendidos: o motor mecânico da alta. Entre quarta e quinta, US$ 3 bilhões em posições vendidas foram liquidadas em 24 horas (US$ 1,67 bi em BTC, US$ 1,14 bi em ETH), maior evento desde 2021, contra US$ 263,5 milhões do lado comprado.
💸 ETFs à vista (spot): os de BTC captaram US$ 1,92 bilhão em cinco pregões seguidos, com pico de US$ 606 milhões na quinta. Os de ETH somaram US$ 697,2 milhões.
⚖️ Regulação: a SEC propôs em 18/08 sua primeira regra ampla do setor, com isenções de registro de até US$ 75 milhões por ano para emissores. No dia seguinte, Trump reuniu Coinbase, Ripple e Kraken na Casa Branca e cobrou o CLARITY Act, travado no Senado, que tem janela de votação em setembro antes do recesso eleitoral.
⛏️ Mineração respira: o hashprice (receita diária por poder computacional) saltou 20,4% em quatro dias, a US$ 38,29 por PH, melhor nível desde maio. Ainda assim, o faturamento de agosto (US$ 682,7 milhões até dia 22) segue atrás dos US$ 875 milhões de julho.
🏢 Strategy (MSTR): o mNAV (valor de mercado da empresa dividido pelo bitcoin que ela carrega) voltou a 1,05x, acima de 1, com a ação subindo 14% na quarta, o dobro do bitcoin no dia.
🚨 Maya Protocol: seis falhas encadeadas drenaram US$ 1,7 milhão, derrubaram o CACAO 89% e pararam a rede. Foi o 16º hack registrado só em agosto.
🧭 Leitura: a alta veio de fora, não de dentro. Quem destravou o gatilho técnico foi a recompra de dívida do Tesouro americano, e a regulação deu a segunda perna. Os fundamentos que apertavam o setor em julho apenas aliviaram.
💣 Dívida americana: passou de US$ 40 trilhões na quarta, cinco meses depois de cruzar os 39 trilhões, com o juro de 30 anos em máxima de 19 anos (5,31%). O secretário Bessent reagiu dobrando as recompras de dívida longa, mas o alívio durou pouco e o 10 anos fechou a semana em 4,74%, acima dos 4,68% anteriores.
📉 Bolsas americanas: o S&P 500 caiu 1,4% na semana, a 7.674 pontos, espelho invertido do cripto.
🇯🇵 Japão e Ásia: o Nikkei perdeu cerca de 4,4%, pressionado pelos juros longos americanos. O núcleo do CPI japonês acelerou para 1,8% em julho, reforçando aposta em alta do BOJ em setembro, com o iene perto de 159 por dólar.
🥇 Ouro: subiu 5,5% na semana e acumula +14,0% em agosto, a US$ 4.681, empurrado pela dívida de US$ 40 trilhões e pelo dólar mais fraco.
🛢️ Petróleo: segunda semana seguida de alta, com o Brent +6,6% a US$ 94,4. O tráfego pelo Estreito de Ormuz caiu forte desde o início do conflito e Washington ameaça novas medidas contra o Irã.
🇧🇷 Brasil: o Ibovespa subiu 2,45%, aos 171.031 pontos, com o dólar a R$ 5,14. Lula e Trump conversaram por 1h20 sobre tarifas e as equipes retomam a negociação. A Selic está em 14,00%.
📅 Leitura geral: o dinheiro que subiu o cripto veio do balanço do Tesouro, não do Fed. E é o Fed que fala agora. PCE e PIB do segundo trimestre saem na quarta (26/08), e o Jackson Hole vai de 27 a 29/08, com o primeiro discurso de Kevin Warsh como presidente do Fed. O tema do simpósio, inovação financeira em pagamentos, coloca o setor no centro da conversa a 19 dias da decisão de 16/09.
🎮 Memecoin do vazador de GTA 6 dispara e chega a US$ 22 milhões
O CYBERLEEK, lançado na Solana em 15 de agosto, subiu 1.400% em 24 horas. A Take-Two intimou Microsoft, Discord e X para identificar o responsável até 4 de setembro.
🏦 Ray Dalio recomenda ouro e um pouco de Bitcoin contra a crise da dívida
Em publicação de 21 de agosto, sugeriu de 10% a 15% da carteira em ouro e prevê uma crise da dívida americana em cerca de três anos, para mais ou para menos dois.
🤖 Agentes de IA já movimentam stablecoins em pagamentos entre máquinas
O protocolo x402, da Coinbase, acumula 165 milhões de pagamentos e US$ 50 milhões, com cerca de 480 mil agentes ativos. O ticket médio é de 30 centavos e 99% do volume roda em USDC.
📋 Bybit restringe contas de brasileiros que não migrarem o cadastro
O prazo venceu em 21 de agosto e as restrições começaram no dia seguinte. Em 21 de setembro as posições abertas são encerradas e os saldos convertidos automaticamente para USDT.
⚡ Solana reduz o tempo de bloco de 400 para 350 milissegundos
A mudança entrou em vigor em 22 de agosto pela proposta SIMD-0525 e reduz a espera pela confirmação. O objetivo final é chegar a 200 milissegundos em mais três cortes.
🇧🇷 Outubro vai revelar o novo desenho do mercado de cripto no Brasil
A projeção de pedidos de autorização ao Banco Central caiu porque parte das empresas encerrou a operação antes do prazo. A ABcripto cita grupo de trabalho com a CVM sobre tokenização.
🕵️ Uso de inteligência artificial em crimes com cripto cresce 40% em um ano
A TRM Labs registrou 201 invasões no primeiro semestre, o dobro do mesmo período de 2025, com 61% das perdas ligadas à Coreia do Norte e prejuízo com deepfake 263% acima de todo o ano passado.
🏖️ The Sandbox suspende pontes na Base e na BNB Chain após exploit
Uma falha em permissões da LayerZero permitiu cunhar SAND com valor nominal de US$ 49 bilhões, mas o impacto real ficou abaixo de 0,01% do fornecimento. Bithumb e Upbit suspenderam saques.
🔧 Cliente que sustenta o Drex corrige cinco vulnerabilidades
As falhas no Hyperledger Besu foram encontradas pela CertiK e corrigidas em 27 de julho, com os detalhes divulgados só em 14 de agosto. Os nós vulneráveis podiam esgotar memória e travar o consenso.
🇯🇵 Nomura tem o primeiro registro cripto do Japão em quatro anos
A Laser Digital Japan foi autorizada como prestadora de câmbio de criptoativos e começa provendo liquidez ao mercado local. O país reclassificou cripto como instrumento financeiro, com regras em vigor a partir de 2027.

Comments
Nothing yet. Say the first thing.
Sign in to join the conversation.