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filmesdearthur · Jul 15, 2025

Superman (2025) | James Gunn reacende a esperança no cinema de Super-Heróis

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A estreia do novo Universo DC aposta em um olhar mais humano e solar para o Homem de Aço, resgatando valores clássicos dos quadrinhos sem abrir mão de uma abordagem mais autoral


Quando James Gunn assume a responsabilidade de dar uma nova cara ao universo de super-heróis da DC Comics, eu imaginaria que sairia algo similar ao que assisti, considerando o que ele apresentou ao dirigir a trilogia de Guardiões da Galáxia e a sequência de Esquadrão Suicida. James Gunn tem um olhar bem interessante para o gênero; não à toa, ele ajudou a formular o que por muito tempo ficou conhecido como Fórmula Marvel. Não estou dizendo que ele seja algum revolucionário ou algo assim, mas dá para ver o quanto ele é nerd, de fato entende o que é quadrinho de super-herói. Isso já torna tudo o que ele faz totalmente destoante do que normalmente se apresenta dentro deste nicho, novamente, não significa muita coisa.

Quando olhamos para o Superman de Gunn, parece que estamos diante de algo que talvez vá contra a maré e que pode vir a se moldar como uma nova leva no cinema de super-heróis. Não havia herói melhor para começar com isso. Superman sempre surge como o primordial, o pontapé inicial para algo. Se vai ser bom ou não, veremos mais à frente.

Dentro de sua própria cosmologia, Gunn busca uma visão extremamente solar e visualmente deslumbrante para a construção de seus personagens. Clark e o Superman muitas vezes são confundidos como personagens rasos, por parecerem ser guiados por um moralismo barato e simplório. O filme, porém, não nega essa faceta, mas busca entrar em um conflito acerca disso, sem desconstruir o personagem ou trazer um significado além. A cena da entrevista entre Clark e Lois exemplifica isso, seguida do reencontro entre os dois, no qual é proferida uma das falas mais marcantes do filme.

É muito baseado nisso que o filme se sustenta: Superman é um punk rock. Sua ética e moralismo, em determinado momento, dão a tônica do que será discutido no filme e do entendimento para o crescimento do personagem em si. Pena que o filme parece querer separar certas coisas para abrir caminho a facetas diferentes. Muito desse discurso parece ser abandonado à medida que a narrativa busca demonstrar esse universo solar que cerca o personagem. Não que seja ruim, é muito bom finalmente poder ver cor em um filme de super-herói, uniformes extravagantes e personagens exatamente cartunescos, mas acho melhor ainda quando o filme não precisa abdicar de sua impessoalidade para poder abraçar algo maior. Algo que até me lembrou os filmes do Homem-Aranha de Sam Raimi, que fez um trabalho soberbo na construção de mundo ao redor de seu personagem.

Nessa mesma toada, quero destacar aqui o personagem de Lex Luthor, aquele que sempre se apresenta como o maior antagonista perante o Superman, aqui apresentado com um lado muito diferente. Lex é quase uma antítese da figura do Superman: um personagem carregado de ódio e inveja, que beira a psicopatia e à obsessão compassiva. A luz de Superman não causa um efeito de sombra sobre Lex, mas sim o ofusca e, diante do seu “desaparecimento”, o personagem se comporta como uma criança mimada em busca de atenção.

É até curioso ver como essa rivalidade transborda para a ética que põe os personagens em conflito, quanto à clara referência ao conflito entre Israel e Palestina, no filme substituídos por duas nações fictícias. Por mais espinhoso que seja esse caminho que o filme percorreu, aqui jaz uma certa genialidade de Gunn ao envolver o conflito como algo decorrente de coisas que fogem do moralismo barato que o próprio Superman acreditava que o regia. Trazendo sua simbologia como algo além: a bondade como resistência e a esperança sendo o verdadeiro punk rock. Até mesmo quando olhamos a forma como Gunn faz cinema, isso se conversa. Como disse antes, o diretor é um grandioso nerdaço, e tenho para mim que ele é um diretor muito entendedor do que é o gênero de super-herói nos quadrinhos, além disso, do que é quadrinho como forma de arte, aquela que não se descola da realidade, que é um produto de seu tempo e possui linguagem própria.

É nesse sentido que a presença do playboy mimado Lex Luthor, que lucra com o prolongamento do conflito e que, mesmo que no final não seja seu grande objetivo a conclusão desta guerra, usa todo o conflito como uma desculpa para buscar o fim de Superman — ele que simboliza algo que vai muito além do que se pode compreender. Nesse sentido, parece até algo que poderia se associar à cosmologia criada por Zack Snyder. Porém, enquanto simbologia, o Superman dele mais aparenta ser uma espécie de messias, ou até mesmo um deus propriamente dito. No universo de Snyder, há a tentativa da construção de um mito e o engrandecimento de uma figura, através até mesmo do seu corpo sarado, viril e másculo (um tanto fascistinha, mas beleza). Snyder parece não entender o que ele quer representar; busca nas suas referências uma simples emulação, bem ao estilo marqueteiro da escola em que ele foi formado.

É nisso até mesmo que cresce o contraponto genuíno que Gunn não abre mão no seu Superman: a sua humanidade. Uma das grandes cenas do filme é uma simples conversa entre Clark e seu pai, em que novamente o filme volta ao foco interpessoal da persona de Clark/Superman. O universo de Superman aos olhos de Gunn é repleto de riqueza, seja na personificação de seu protagonista e de seus antagonistas, quanto até mesmo dos coadjuvantes que atuam em uma ordem até diferente em relação ao restante. Novamente caindo nesses blocos narrativos que o diretor insiste em encaixar na história. Percebe-se um pouco disso durante toda a sequência do universo compacto, que apresenta toda uma estética de quadrinhos, mas que é subaproveitada como uma mera transição das etapas que o filme parece demarcar para si próprio.

Ao fim, como se tornou praxe para o cinema de super-heróis, nada verdadeiramente se conclui. A impressão é que vemos o primeiro arco dessa história se fechando. Sinceramente, me deu uma boa esperança do que pode vir, mesmo com o gênero extremamente desgastado com o público geral. O modus operandi da indústria cinematográfica é sempre o mesmo. A DC Studios, chefiada por James Gunn, dá a largada em uma talvez nova fase para o cinema blockbuster americano. Dado até o que sua principal concorrente vem apresentando, talvez não vejamos essa nova fase como algo novo, mas sim como uma substituição no âmbito geral.


Obrigado por ler O Som da Claquete!

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