Sam Raimi talvez esteja marcando uma volta muito presente ao cinema, e isso é ótimo. Após longos anos sem dirigir nada, em 2022 o diretor da trilogia do Homem-Aranha (2002–2007) e de Evil Dead (1981–1993) voltou às telonas para fazer o fraco Doutor Estranho no Multiverso da Loucura (2022). Acorrentado à necessidade de atender às demandas comerciais de conexão com o MCU, o diretor pouco pôde apresentar do que tem de melhor, ao contrário do que acontece agora.
Socorro! marca não só a volta de Raimi ao cinema, mas também sua volta ao cinema de gênero — um cinema galhofa e um tanto grotesco. O filme segue a história de Linda Linddle (Rachel McAdams), uma funcionária de uma grande empresa que, após um acidente aéreo, fica presa em uma ilha deserta junto do CEO da empresa, Bradley Preston, (Dylan O’Brien), que a odeia.
O começo, um tanto devagar, do filme serve muito para definir a persona desses personagens, bem como suas interações entre si. Linda é uma mulher muito inteligente, mas com pouco tato social, o que faz com que muitos na empresa não gostem dela. Já Bradley é o típico playboy que chega ao cargo de liderança por ser filho do fundador. Ele imediatamente demonstra desprezo por Linda, por não gostar de sua aparência e de tudo o que a envolve.
A partir dessa breve descrição, já dá para imaginar bastante sobre o que o filme pode desenvolver quando esses dois personagens se tornam os únicos sobreviventes em uma ilha deserta. Aí mora o grande mérito do filme: há inúmeras possibilidades, e Sam Raimi faz questão de explorar um pouco de cada uma. Em alguns momentos, estamos diante de um terror grotesco; em outros, de um filme de suspense e mistério; e até mesmo de uma comédia romântica. Toda essa transição acontece de forma até natural, à medida que o filme progride, assim como as atitudes de seus personagens.
É interessante como o filme pressupõe que nós, enquanto público, já tenhamos uma pré-concepção do que pode vir a acontecer, mas faz questão de brincar com isso e atirar para todos os lados. Aqui já se percebe a singularidade de Raimi ao imprimir sua marca no filme: os jumpscares galhofas e as cenas de gore extremamente gráficas e exageradas fazem com que eu queira ver mais dessa faceta.
Apesar de ter gostado bastante dessa bagunça do cinema de gênero, é justamente nisso que parece residir o motivo de eu não ter gostado ainda mais do filme. Mesmo tendo de tudo um pouco, nada é verdadeiramente incrível, e sempre fica a sensação de que, se o foco fosse mais direcionado, a experiência poderia ser mais satisfatória.

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