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Newsletter do Lona · May 11, 2026

Brainstorm não é rinha de ideia.

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Foi em Liverpool, Inglaterra, na década de 40/50.

Foi em Liverpool, Inglaterra, na década de 40/50.

Um professor de música do ensino médio passava lições extras para um aluno que não conseguia tirar notas mínimas para ser aprovado na aula de música.

Junto deste aluno, havia seu amigo de classe, que o mesmo professor de música alegou ser “carente de talento criativo”.

Esses dois amigos eram Paul McCartney e George Harrison.

Sim. Aquele professor de música tinha metade dos Beatles na sua sala de aula e não conseguiu perceber nada fora do comum.

Você sabe desenhar?

É comum as pessoas pensarem na criatividade como a habilidade de desenhar.

“Não sei desenhar.”

É o que dizem aqueles que não têm intimidade com o lado criativo do pensamento. São pessoas que naturalmente fogem da criatividade, da incerteza, do risco de estar errado, de se permitir pensar de forma lúdica sem tentar seguir um gabarito.

Quando entro em sala para conduzir um processo de estratégia de marca, fica evidente quem carrega uma relação traumática com a criatividade.

Muita gente pensa que criatividade é um dom. Um traço genético exclusivo de poucos privilegiados que tiveram a sorte de nascer com isso.

Não é assim.

Criatividade, assim como desenhar, pode ser aprendida. Assim como álgebra. Assim como montar uma planilha de DRE (demonstração do resultado do exercício).

Nas últimas semanas estive em sala para exercícios de estratégia com pessoas muito diferentes. E posso dizer: o que mais atrapalha o pensamento criativo não é a falta de talento. É a vaidade.

  1. A vaidade que traumatizou.

Quando você era criança e alguém disse que seu desenho estava horrível e que você não tinha jeito para isso, talvez tenha começado ali sua dificuldade de se ver como uma pessoa criativa.

Talvez seja por isso que hoje você não consiga nem pensar em pegar uma caneta piloto, ir para a frente de uma lousa em branco e tentar liderar uma sala cheia de profissionais confusos.

Talvez seja por isso que tudo que envolve ter ideias você ignora como se fosse, de fato, uma parte inacessível da sua vida.

Mas existe também outro tipo de vaidade.

  1. A vaidade que não te permite errar.

Veja, não existe criatividade sem erro. E se você não consegue lidar com a possibilidade de estar errado, especialmente com os outros vendo, você nunca chegará a ser verdadeiramente criativo. Porque estará sempre tentando acertar de primeira. E, pior, vai tentar poucas vezes. Só aquelas em que tiver 99% de chance de acertar.

Afinal, você não pode errar.

E é isso que vejo em muitas salas de reunião: adultos tentando chamar atenção para a própria inteligência, buscando validação do grupo e de si mesmos, confundindo “chuva de ideias” com “deixa eu provar que minha ideia é boa a qualquer custo”.

Existe uma disputa sobre o valor das ideias.

De quem foi a ideia?

De quem foi a parte mais importante da ideia?

Ou pior: “eu consigo provar que a minha ideia é a melhor, mesmo sem pesquisar nada, apenas com os meus argumentos e minha visão de mundo”.

O trabalho do estrategista não é apenas ter boas ideias. É criar um ambiente onde boas ideias possam sobreviver ao ego das pessoas.

Eu sei que você talvez não esperasse se tornar um “professor de criatividade”, mas isso faz parte do seu trabalho como diretor de marca, diretor criativo, estrategista de marca ou designer de marcas.

Aprender a controlar a sala é parte fundamental do profissional que deseja primeiro traduzir e depois direcionar o time de uma marca.

E para isso, você precisa aprender a estudar aquilo que talvez sempre tenha sido natural para você: ser criativo.

Antes de virar buzzword corporativa, Design Thinking era apenas o nome dado ao jeito como designers resolvem problemas: observar, investigar, formular hipóteses, testar, errar, ajustar e construir soluções.

Foi assim que o mundo corporativo tentou aprender o jeito de pensar do designer. Porque, em muitos ambientes de negócio, a criatividade foi exterminada pela vaidade, pelo medo do erro e pela necessidade de parecer inteligente o tempo todo.

O superpoder está aqui: pensamento criativo aplicado a problemas reais.

Se hoje eu consigo liderar uma sala com executivos mais experientes e, muitas vezes, menos criativos do que eu, é porque aprendi a estudar os fundamentos da minha profissão: o pensamento criativo, os fundamentos desse pensamento e as etapas do processo criativo.

Se você não for mestre no seu ofício, nunca será capaz de orientar seus clientes.

Design não é desenho, design é projeto.

Design é a capacidade de pensar criativamente sobre questões que, à primeira vista, não parecem artísticas.


Uma ótima semana,
LONA.

Read on andrelona.substack.com

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