fui checar meus unfollows no instagram da vênus e fiquei em choque. eu não sabia que recebia tantos assim. em trinta dias, recebi 5500 seguidores pra perder 3500. eu achava que meu número não crescia porque não chegavam novos, mas na verdade era porque saiam muitos.
minha página é bastante polêmica e desconfortável. eu falo sobre relacionamentos, homens e patriarcado de uma maneira bem direta e crua. pra mim não é mais um trabalho pesado, apesar de bater uma certa ressaca desse conteúdo de vez em quando. fico saturada de mulheres, fico saturada de homens. fico saturada de todo mundo.
a minha vida particular é bem organizada (alô mulheres aventureiras porém que odeiam sair da rotina) e gostosa, não tem muitos dramas. não mais. questões familiares estão calmas hoje em dia, consigo ter dinheiro pra pagar minhas contas e me divertir, saio todo final de semana, danço e bebo até a morte. eu não sou mais militante. a página pra mim é um projeto criativo. eu escrevo, falo e me comunico muito. você não vai me ver discursando sobre a página a não ser que o assunto surja naturalmente.
muitas vezes existem momentos como estes, de sentir uma certa rejeição. será que todos esses unfollows são de pessoas que chegaram por engano? acharam que eu era mais uma página feminista boazinha que fala de violência doméstica mas nunca critica homens? ou será que saíram dali porque sou debochada e irônica? será que não gostaram da minha personalidade?
muitas seguidoras relataram o mesmo. meu conteúdo assusta e ameaça uma percepção muito fundamentada da realidade. eu consigo compreender com mais profundidade isso agora e ter empatia por essas que saem e voltam. já senti um pouco de rejeição em saber que muitas descartam meu trabalho por pouco, mas é o direito delas. não é sobre mim. na verdade, essa é a minha maior lição dos últimos tempos: não é sobre mim.
se eu fosse mais meiga, teria menos unfollows? provavelmente não, talvez alguns dois ou três sejam de mulheres que não gostaram do meu tom, e tá tudo bem. a maioria é por conta do conteúdo. essas pequenas experiências de dúvida e medo me chamam pra alquimia que existe no sentimento de rejeição. eu me senti rejeitada, questionei minha personalidade, questionei o jeito que falo, e permaneci no desconforto. eu adoro ficar com o desconforto e não agir. quero saber o que ele me diz.
alguns minutos depois de processar esses dados surgiu uma pequena queda de inspiração. as pessoas não gostam do que falo. acho que não estou onde queria estar. por isso não vou pra frente. por isso tenho fracassado. é impressionante como o sistema nervoso começa a querer te proteger quando percebe uma ameaça. você não é tão amada assim, se diminua. compreender como funciona meu sistema nervoso me salvou (e nem precisa ser de forma super profunda, mas entender que seu corpo quer te proteger e envia pensamentos pra te desviar de perigos o tempo todo te traz lucidez sobre como tomar decisões pra além do medo).
por um momento, caí do cavalo. muita gente não gostou de mim ou do que publiquei. e agora? agora é voltar pra mim. porque eu crio? pra quem crio? quem eu quero me tornar? toda rejeição é uma oportunidade de voltar pra mim mesma. é um teste de amor próprio. não é um número que vai me fazer desacreditar em mim (eu estou sendo um pouco dramática, a minha página ainda cresce bastante todos os meses, mas gostaria que fosse mais).
então, querida artista/criadora, você muda seu comportamento e abordagem toda vez que percebe que não está agradando? se você faz isso, seu corpo não se sente seguro expressando quem você é. você não confia em si mesma. se expressar é correr o risco de ser rejeitada e adorada na mesma proporção. a gente precisa ter responsabilidade e evoluir, sempre, mas nem tudo é sobre você enquanto indivíduo, e sim, sobre como a sua obra ressoa no mundo.
quanto mais amada você for, mais odiada será. se sua obra não desperta nada, a reação não será nem muito negativa, nem muito positiva. neutralidade gera neutralidade. se não desperta amor, não desperta ódio. intimidade é assim. existe muito conflito na intimidade porque justamente existe muito amor, muita troca, muito contato.
eu sou a vênus mas também não só, eu não sou a minha página. aquilo lá é só um recorte meu. eu só sou minha obra enquanto a crio. eu sou um texto enquanto escrevo. e só. a vida é um fluxo de significados e não temos controle sobre nada.
depois de compartilhar sobre esse tópico de rejeição e perda de seguidores com a minha comunidade, ficou tudo ainda mais claro: meu conteúdo é subversivo. muitas mulheres colhem consequências por me seguir. recebi relatos contando que evitam curtir meus posts pra não aparecer no feed dos amigos, porque elas são consideradas amarguras. me acompanhar e me “assumir” é um processo particular delas também.
ando muito inspirada em escrever mais sobre processos criativos, visibilidade e medo de rejeição para mulheres. espero que vocês gostem!
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obrigada por me ler. se quiser acompanhar meus vídeos e insights mais de perto, me segue no instagram venusexilada. também tenho um podcast (mais íntimo, com episódios longos) onde falo sobre amor romântico, espiritualidade, astrologia e filosofo sobre a vida, disponível no youtube também. e se quiser se consultar comigo, o link atualizado está sempre aqui.

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