primeiramente, não estou influenciando ninguém a fazer o mesmo que eu fiz. eu sempre tive um nível grande de curiosidade e envolvimento com psicodélicos, sempre adorei descobrir onde minha mente pode chegar e sempre tive muito poder de metacognição a ponto de nunca ter tido uma bad trip de verdade. eu sempre consigo me ver de fora, nunca tive uma paranoia que durasse mais que cinco segundos. por isso, pra mim, sempre foi seguro. mulheres com muitos traumas, questões mal resolvidas, tendências melancólicas, transtornos mentais e usuárias de antidepressivos, etc não podem fazer o mesmo (a não ser que um dia isso vire terapia controlada e você esteja sendo guiada por um profissional). eu sou uma psiconauta aposentada. já tomei muito lsd na vida (ainda quero experimentar cogumelos), e pra mim, toda experiência com drogas é uma experiência de estudo, exploração e espiritualidade. pra muitas pessoas essas drogas são só diversão, pra mim, sempre foram uma experiência de expansão. nunca fui em festivais, sempre usei em situações aleatórias: parques, em casa, na praia… enfim, por conta disso, nunca abusei de nenhuma substância pois respeito o poder que elas tem sobre a minha mente.
dito isso, vou contar um pouco do meu relacionamento mais abusivo. com 17 anos conheci um cara de 35 (ele mentia a idade dizendo que tinha 28). eu era virgem e estava DESESPERADA por validação masculina. esse cara tinha carro, era charmoso e me proporcionava muitas experiências. eu sempre fui alta e por isso sempre pareci ter uma idade maior do que tenho, mas hoje eu sei que ele tem o padrão de se relacionar com mulheres de 18-20 anos justamente por serem muito ingênuas (como eu fui). esse homem era um narcisista, e porque eu digo isso: não, ele não era apenas egocêntrico e abusivo comigo, ele era com amigos, com a família, e até com amigos HOMENS. ele mentia compulsivamente, manipulava emocionalmente todo mundo. ele era o verdadeiro narcisista. absolutamente cativante e charmoso (naquela época), mas extremamente perigoso.
obviamente, me apaixonei e criei uma dependência emocional absurda. eu vivia com meus pais e odiava a minha vida. trabalhava numa farmácia, tinha que dar boa parte do meu salário para a minha família por necessidade e por isso, vivia numa certa escassez e ansiosa por experienciar a vida fora dali. ele foi a saída.
era um homem abusivo emocionalmente num nível muito grave, a ponto de ter ameaças, perseguição, possibilidade de vazamento de nudes (ele me gravava escondido durante o sexo), e muita manipulação sexual. depois de um tempo comecei a receber denúncias sobre ele de outras mulheres. aquele um ano e meio foi um caos. foi traumático (mas me recuperei e hoje não tenho mais nenhum medo dele).
apesar de tudo isso me ser revelado desde o início, eu não conseguia terminar. eu chegava a escrever cartas pra mim mesma com motivos mas meu nível de dependência emocional era tão grande que eu sentia uma dor física insuportável ao me afastar dele. eu falava disso tudo para os meus amigos e me tornei aquela mulher que reclama, reclama, e não termina. teve uma época onde cheguei a sair escondido com ele porque sentia vergonha de mim mesma por não conseguir cortar o laço. eu acho que o mesmo não me aconteceria se eu tivesse meu córtex pré-frontal desenvolvido, apesar dele ter vítimas com 30 anos de idade também. e ah, ele me traia compulsivamente também, mas isso era o de menos. cheguei a terminar com ele porque um homem apareceu me mostrando provas da traição (ele saía com a amiga dele), e eu continuei.
um dia decidi tomar lsd (não era a minha primeira vez) no parque com meu melhor amigo. eu nunca tinha experimentado de dia e percebi a enorme diferença do poder dele quando se está no meio da natureza. parece que me conectei com a vida de uma forma muito absurda e achei tudo tão incrível, tão vivo, tão potente, que algo no meu cérebro mudou. eu não queria me permitir viver a vida num estado de sobrevivência, vergonha e medo. aquela experiência me fez cortar um padrão. quando se toma lsd, cada minuto parece durar HORAS. chega a ser cansativo. ele te desacelera ao máximo. é uma droga psicodélica então mexe muito com teus sentidos e com a tua visão dependendo da potência. eu acho que me relacionei tão profundamente comigo mesma naquele dia que não queria mais me permitir sentir nada menos que aquilo.
ram dass, um dos meus guias espirituais favoritos (já falecido) teve a mesma experiência. ele usava lsd como forma de expansão da consciência e depois percebeu que o efeito não se sustentava, que deveria procurar estudos e técnicas pra permanecer num estado maior de conexão com o todo. aí veio a sua grande jornada pela índia e pela meditação. comigo foi parecido. não sou o que sou por causa do lsd, mas com certeza fazia parte do meu destino. tenho tatuado o livro dele na minha mão “be here now”.
depois desse dia, voltei a encontrar meu ex (escondida) após um dia de trabalho. nesse dia, beijei ele e não senti nada. beijei ele e senti um desprezo, um amargor, parecia que eu tinha perdido toda a conexão e desejo. foi uma experiência muito incrível. depois disso, não quis mais me relacionar com ele (mas ainda tive que lidar com uma certa perseguição porque até no meu trabalho esse homem apareceu dizendo que queria manter a amizade a força).
o lsd cortou um padrão. não quer dizer que curou a minha dependência emocional ou que não tive que lidar com um processo de término. mas ter uma experiência de prazer e presença trouxe uma oportunidade de relembrar que a vida é mais do que isso, é mais do que sofrer e se prender a um homem só porque você tem medo de ficar sozinha. não te recomendo lsd, mas te recomendo ter momentos de prazer, presença e alegria com amigas. te recomendo ter dinheiro pra poder viajar, comprar experiências que te relembrem que a vida é mais do que o amor performativo de um homem abusivo. mulheres conectadas com a vida não se abandonam. mulheres conectadas com seu poder criativo não aceitam se sentirem mortas por dentro.
mulheres jovens são muito vulneráveis a abusadores. se você tem menos de 26 anos, muito cuidado ao se relacionar com homens muito mais velhos do que você. o poder é muito desigual. você vai endeusá-lo. ele vai se aproveitar disso.
eu fiz uma tatuagem no braço junto com meu melhor amigo sobre esse dia. tatuamos uma pinha, porque esse parque tinha muitas e era um símbolo de vida, de conexão com o cosmos, com a ordem das coisas, com a grandiosidade da vida. depois de um tempo, estudando sobre despertar espiritual, descobri que a pinha é muito associada aos simbolismo da glândula pineal, uma glândula que libera uma substância (dmt) muito mágica perto da morte que causa uma espécie de lucidez extrema (ayahuasca também faz isso). e por isso, tudo se conectou. foi um dia de extrema lucidez, de fato.
hoje em dia não preciso mais de despertares espirituais (a gente se cansa deles também). mas sou grata demais pelo meu destino ter me guiado dessa forma.
obrigada por me ler. se quiser acompanhar meus vídeos e insights mais de perto, me segue no instagram venusexilada. também tenho um podcast (mais íntimo, com episódios longos) onde falo sobre amor romântico, espiritualidade, astrologia e filosofo sobre a vida, disponível no youtube também. e se quiser se consultar comigo, link aqui.

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