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Vênus Exilada by Ana Abel · Jul 27, 2026

nem tudo é culpa do patriarcado

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a teoria precisa nos ajudar a nomear e convidar para a ação

vamos lá falar sobre paradoxos novamente. eu recebo algumas indiretas de criadoras de conteúdo e psicólogas apontando que nem todo o sofrimento do amor romântico é estrutural e patriarcal, porque existe muita psicologia envolvida ali. e sim, eu concordo absolutamente e todo mundo sabe disso. na verdade, se você é mulher, você deve ter passado a sua vida estudando questões psicológicas, fazendo terapia e nunca, nunquinha, quebrou um único ciclo (mas deixou sua terapeuta rica). nessas horas, o conhecimento sobre patriarcado é o que te liberta.

você já passou por algumas crises enlouquecedoras onde você ficou analisando arduamente uma situação tentando decidir quantos % dela é patriarcado e quantos % é psicologia/biologia/neurociência? eu já. muitas vezes. e a conclusão que eu cheguei é a de que:

não importa.

conhecimento precisa te chamar pra ação. se o seu conhecimento só serve pra você ficar dando carteirada e criticando outras mulheres enquanto a sua vida é um grande cocô de pombo desorganizada e caótica, não dá, tá errado.

a teoria precisa te ajudar nomear, trazer clareza e agir. a teoria não cura suas feridas espontaneamente. ela é uma porta de entrada para a sua libertação que envolve: compreender o sistema, sua história, sua mente e o seu espírito. por isso, eu digo: a libertação do amor romântico e da busca por validação masculina não passa só por estudar feminismo (até porque é só ver a quantidade de feministas sofrendo nas mãos de milhares de homens voluntariamente), mas sim, por usar esse conhecimento como mais uma ferramenta para a sua libertação emocional e espiritual (que acaba por se refletir materialmente).

e porque estou dizendo tudo isso? eu foco em falar sobre patriarcado porque justamente é uma parte que falha MUITO em todo o processo. é a cereja do bolo da libertação para a maior parte das mulheres, por isso, me irrita quando mulheres criticam esse foco em falar da estrutura como se todo mundo estivesse careca de saber. não amiga, as mulheres ainda estão em ciclos eternos de autopunição e seus conhecimentos psicológicos sem letramento de gênero só reforçam ainda mais esse sofrimento. pode parar de culpar a mãe da menina por tudo viu, tem mais coisa aí.

o outro lado disso tudo é a feminista que acaba por achar que tudo é sobre patriarcado. que a imaturidade e infantilidade dela é patriarcado. o complexo de cinderela (livro ótimo) não é uma mentalidade incurável. ter medo da vida e não se responsabilizar por você mesma não é só sobre as violências que as mulheres sofrem.

podemos abraçar o paradoxo agora? sabemos que somos treinadas para ter uma mentalidade frágil, medrosa, passiva e dócil. sim. mas é totalmente possível falhar a socialização. cada uma, do seu jeito, no seu tempo. e é nesse ponto que entra psicologia e espiritualidade. você é uma pessoa, um indivíduo, e por mais que sejamos diferentes dos homens a nível de papéis e punições sociais, ainda temos algo em comum: precisamos trabalhar para dar sentido para as nossas vidas, e essa parte não é sobre patriarcado. essa parte é sobre você com você mesma, com o que você deseja fazer na terra, com como você quer passar seus anos aqui.

não existe uma única-grande-resposta-perfeita para certas questões. as vezes a nossa vivência daquela reposta vai passear por estudar feminismo e as vezes vai passar por só ser uma humana vulnerável vivendo uma experiência e tendo que aprender com ela.

dito isso, continuarei focando no patriarcado porque é o grande ponto cego de toda essa jornada, mas não se esqueça: você continua sendo uma humana adulta e precisa resolver a sua vida como uma. ninguém irá te salvar.

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obrigada por me ler. se quiser acompanhar meus vídeos e insights mais de perto, me segue no instagram venusexilada. também tenho um podcast (mais íntimo, com episódios longos) onde falo sobre amor romântico, espiritualidade, astrologia e filosofo sobre a vida, disponível no youtube também. e se quiser se consultar comigo, link aqui.

Read on anaabel.substack.com

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