eu acabo de postar um texto e imediatamente recebo comentários de pessoas que leram, sentiram, se engatilharam e me responderam. os artistas de antigamente não recebiam tanto feedback dessa forma tão rápida e violenta quanto os da nossa geração. a internet dá espaço pra que pessoas sem o mínimo de auto consciência despejem suas opiniões em você. o sistema nervoso do criador de hoje precisa de muito mais cuidado do que antigamente. a internet dá espaço, mas também te deixa mais vulnerável. você precisa proteger a sua loucura, a sua genialidade, independente da forma como expressa ela. seja por vídeos, textos, desenhos, mantenha a sua perspectiva. você decidiu compartilhar ela porque algo em você é mais forte do que o desejo de proteger seu ego.
a internet pode fazer você se sentir mais sensível a rejeição. nos tempos de hoje, mais do que nunca, o criador precisa aprender a se auto validar e não criar por desejo de reconhecimento e aprovação da sua audiência. até porque, na internet, o nosso público pode mudar e ser invadido por estranhos o tempo todo.
tudo que eu sei sobre criatividade está relacionado a dois livros: o ato criativo e o caminho do artista. no ato criativo, o autor (rick rubin) fala muito sobre o fluxo criativo: a capacidade de criar e se desapegar da sua obra. esse desapego cria uma infinidade de ideias, de fluidez, de beleza. se eu crio pra ser compreendida ou vista, minha criação começa a se moldar ao meu sistema nervoso. e não, eu não quero criar a partir do medo, mas sim, a partir da minha visão. todo criador é um visionário.
eu escrevo em particular para mulheres. elas são as que mais tem medo de rejeição. nosso corpo e mente foram condicionados para agradar, servir, ler ambientes, interpretar reações e se ajustar. ajustar, ajustar, ajustar. sempre aos outros, nunca a nós mesmas. meu trabalho espiritual e emocional dos últimos dois anos tem sido me conectar de forma muito visceral a minha expressão mais primária, ao meu espírito, a minha visão. tenho descontruído camada por camada e lidado com o medo todos os dias. quero me expor cada vez mais porque preciso explorar a minha capacidade em defender aquilo que é vivo em mim.
escrevo esses conselhos pra você, mulher criativa, ansiosa, overthinker e neurótica.
perder o desejo de ser amada
você acredita que a sua criação (pense até mesmo nos seus vídeos sobre vitamina d, caso você seja nutricionista) só é valida caso todo mundo concorde e se sinta visto com ela. seu sistema nervoso irá postar o vídeo e ficar ansioso esperando a primeira reprovação. caso reprovem, você tentará, na próxima, agradar aquela pessoa. aquela pessoa, tão insignificante, tão cheia de si, tão confortável no seu lugar de expectadora. você vai adaptar a sua voz por ela. porque você quer ser amada por ela? a conexão com o seu desejo de criar precisa ser mais forte do que o seu desejo de ser amada. é claro que queremos admiração, mas caso você decida trabalhar apenas por ela, apenas para receber validação, a sua criação ficará distorcida. não sairá de você, sairá do seu medo, e o seu verdadeiro público se afastará de você.
se você está competindo, já perdeu
se você está se comparando ou competindo com alguém, você já perdeu. se você compara a sua evolução, o seu tempo de investimento, o nível da sua audiência e as oportunidades que recebe em relação a outros artistas/criadores, você está desrespeitando a sua força criativa e ela se afastará de você. se você começa a colocar a sua expressão num modo competição, o universo irá te punir retirando ideias, te deixando ansiosa e insegura. quem está se divertindo sempre vence. o objetivo de criar é se conectar com seu corpo e receber ideias, transmiti-las e expressá-las. o objetivo de criar é criar.
bloqueio criativo é vergonha de si mesma e apego a uma identidade
todo bloqueio criativo que já tive estava relacionado a sentir vergonha por ser quem eu sou e pensar o que penso. vergonha de me importar com o que importo. vergonha de acreditar no que acredito. vergonha de me expor e as pessoas conhecerem meu mundo. vergonha. bloqueio criativo não é falta de ideias, é vergonha de ser você. o outro motivo desse bloqueio pode ser apego. talvez esteja na hora de mudar e você esteja com medo porque já condicionou sua arte a uma certa identidade. você se idealiza. você sente medo de trair a sua audiência, medo de ser julgada. de novo, você está criando por quem? pelo seu público ou pelo seu espírito?
seu público te encontrará, nada na sua arte precisa tentar seduzí-lo
existem muitas pessoas como você no mundo, e se você não for você, como elas vão te encontrar? se você performar outra pessoa, como elas vão saber que existem outras como elas? você está criando ainda mais solidão caso decida tentar agradar uma maioria. seja você, com todas as forças, e espere seus semelhantes aparecerem. não importa se são duas pessoas ou dez mil, a sua criação fará o coração de alguém aquecer, fará a mente de alguém encontrar uma resposta que estava procurando a muito tempo.
não interrompa seu fluxo criativo com cronogramas
ideias são sagradas. sua energia é sagrada. eu sei que cada pessoa tem seu método mas não tente bloquear o seu fluxo criativo com rigidez. “vou escrever três textos na semana, um sobre amor na terça, outro sobre a vida na quinta”. isso não funciona pra mim. eu acordo, tomo meu café e observo o que está latejando no meu coração naquele dia. faço o mesmo com podcasts, vídeos etc. nem todo mundo é tão espontâneo assim, mas acredito que quanto mais você respeitar a sua energia, mais criatividade surgirá. ouça o que estão te dizendo. ouça o que o universo quer que você expresse hoje. ontem postei um texto sobre sexualidade e senti vontade de conectar com outro parecido, mas sentei aqui, li comentários, senti emoções, e decidi falar sobre criatividade. escolha sempre o que é mais visceral e puro.
não tenha pena de si mesma
eu postei cinquenta vídeos até o primeiro ter mais de cem likes. 50 vídeos de 3 minutos, um por dia, todos os dias. eu estava comprometida com minha criatividade e lidando com a rejeição de saber que pessoas estão vendo meu fracasso. eu começava a trabalhar as 11h, precisava sair 10h20 de casa, acordava as 8h, tomava café, passava meu delineador e gravava. remoendo, sentindo vergonha e postando. viralizei. o processo não é linear e não é igual para todos, mas decidir parar de ter pena de si mesma é uma ótima forma de focar no que é prático e agir. essa ana vitimista ficou no passado, antes da ana criadora. não sinta pena por não ser “reconhecida”. todas as vezes que você está se lamentando por não valorizarem o seu trabalho estará se desconectando da sua criatividade. se você está fazendo o que faz esperando feedback o tempo todo vai perder o foco e a motivação rapidinho. a coisa que mais vejo são mulheres começando projetos e não continuando por mais de dois meses porque não foram “valorizadas”. desculpa, vamos de uma verdade crua? se você não foi valorizada é porque precisa se esforçar mais, por mais tempo, falta evoluir. lembro de um vídeo da aline tófalo dizendo que sempre se perguntava porque os vídeos dela não tinham o alcance que ela esperava, e ela entendeu que era porque ainda não estavam bons o suficiente. assuma pra si mesma que não tem como pular o processo. humildade e disciplina. segue.
aprenda a lidar com lutos e desapegos
na internet o tempo é distorcido. você olha pra alguém com um trabalho incrível e acha que essa pessoa começou ontem. mas não, ela faz isso há cinco ou dez anos. eu sofria muito me comparando com certas pessoas e acreditava que meu trabalho estava fraco. a gente quer o resultado sem viver o processo. perder a motivação faz parte. você precisa ser comprometida consigo mesma pra além da quantidade de serotonina que existe no seu cérebro numa terça-feira. se você só age em prol dos seus sonhos quando acorda de bom humor, talvez não esteja tão afim de viver ele. criar é se conectar com o seu espirito, não importa o estado dele. tristeza, alegria, euforia ou melancolia. tudo é oportunidade. o criador sabe enxergar que tudo é vida e tudo pode ser expressado. pratique enxergar o ato criativo em tudo. o que te motiva hoje não é o que te motivará amanha ou daqui a dois meses. ser uma artista/criadora exige constante luto e desapego.
não centralize suas neuroses
muitas mulheres focam em excesso nas próprias emoções e se desconectam do todo. todos os seres humanos sentem medo, uns mais, outros menos. todos tem medo de rejeição, uns mais, outros menos. todos tem medo de julgamento, uns mais, outros menos. suas emoções são tão únicas assim? se você se colocar num pedestal vai perder a conexão com a sua arte e com a visceralidade da experiência humana que todo artista é obrigado a experimentar. se você é sensível, é porque precisa criar. você não receberá nada da vida se decidir se isolar no seu medo. cuidado com o excesso de proteção. cuidado com esse egocentrismo disfarçado de “medo de rejeição porque minha família foi instável e agora tenho feridas de abandono”. é normal sentir angústia, mas não paralise. se tire do pedestal. é o que eu digo pra mim mesma toda vez que dou voz demais para os meus medos.
existe um demônio da criatividade dentro de mim e o que eu faço pra alimentá-lo é enfrentar todos os meus medos. se você passa mais tempo justificando a sua paralisia com sua neurodivergência, traumas de infância, relacionamentos fracassados ou experiências de quinze anos atrás, será que você quer mesmo viver de forma criativa ou quer só sentir que tem o potencial de ser uma criadora? as vezes a gente só quer se sentir validada mesmo e se apegar a uma identidade do que poderíamos ter sido, por puro ego. criar é um caminho solitário de muita alquimia emocional. precisa ter fibra. precisa ter coragem. você terá que enfrentar gatilhos o tempo todo.
esse mês completo um ano de criação da vênus exilada. mudei de vida por causa da minha coragem. escrevo para inspirar vocês a fazerem o mesmo. o mundo quer te conhecer. faça acontecer.
instagram | youtube | podcast no spotify | consultas astrológicas | indicações de livros

Comments
Nothing yet. Say the first thing.
Sign in to join the conversation.