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Vênus Exilada by Ana Abel · Aug 11, 2026

como viver a sexualidade feminina no patriarcado

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minhas conclusões sobre sexo e celibato depois de um ano refletindo sobre isso

vou ser bem sincera com vocês sobre as conclusões que cheguei a respeito da vivência da sexualidade feminina no patriarcado. são opiniões/percepções minhas. se identifique se quiser ou não. você tem o direito de decidir como vai viver a sua vida sexual nesse sistema e não sou eu quem vai determinar nada pra você.

eu sempre questionei a forma como mulheres buscam sexo, porque afinal, o sexo é muito utilizado como barganha. trocar sexo por afeto, trocar sexo por atenção, trocar sexo por possibilidade de ser escolhida. validação masculina. muitas mulheres viveram fases ou tiveram muitas experiências onde não experimentaram o sexo por desejo genuíno, mas por necessidade de serem vistas e validadas, transando enquanto esperam ser amadas e reconhecidas. quando você questiona isso, sua libido muda de direção.

se você é casada, muito provavelmente a vivência da sua sexualidade é totalmente condicionada ao seu marido. muitas mulheres casadas precisam usar o sexo como forma de aliviar os estresses do casamento. o sexo se torna uma forma de “se conectar” e mulheres acreditam que precisam transar pra aproximar o casal, já que homens “não sabem se comunicar”.

muitas mulheres “fogosas” são assim não por desejo genuíno, mas por resposta traumática. recebo muitos relatos falando sobre comportamento sexual exagerado como forma de buscar conexão por causa do medo de abandono.

quando faço posts com essas críticas sempre surgem mulheres defendendo a todo custo que toda expressão sexual é genuína e que não devemos nos reprimir, acusando as celibatárias ou mulheres que questionam essas vivências de serem conservadoras. é sempre uma conversa sensível. observo que nesse debate existem dois lados que são tóxicos: as transudas que acreditam que são super aventureiras quando na verdade estão buscando validação masculina (você pode ser muito sexual mas se fica triste ou se sente rejeitada quando não recebe atenção do macho que você se relaciona “só por sexo”, será que você é tão livre assim?) e do outro lado temos as celibatárias que acreditam que TODA experiência sexual feminina envolve busca por validação e violência, como se mulheres não tivessem corpos, clitóris e desejos. precisamos navegar no meio desses extremos.

eu mesma tive uma fase muito celibatária onde acreditei que todo desejo sexual fosse construído socialmente. sim. a diferença é que eu não saio comentando e ofendendo outras com as minhas opiniões. eu sempre amadureço, pesquiso e até mesmo quando falei sobre elas na página tentei manter um tom de abertura. odeio seguidoras que ficam cagando regras pra outras na página e já tive que bloquear algumas, inclusive, uma delas ofendia mulheres o tempo todo por se relacionarem com homens mas era casada. aham. pra além dessa visão política, também já vivi o celibato várias vezes por outros motivos (usamos essa palavra mas a maioria das mulheres não escolhem praticá-lo, elas só estão vivendo e cuidando da vida delas normalmente). eu sempre tive preguiça de procurar me envolver e sempre esperei alguém aparecer. sempre passei muitos meses sem sexo, aí encontrava alguém e vivia um romance por alguns encontros ou meses.

eu sempre tive múltiplos interesses e sempre estava envolvida com alguma coisa, por isso, não usava a experiência do date como forma de me distrair da vida. o meu problema sempre foi ficar obcecada e pedestalizar esses homens quando eles apareciam, mas fora isso, nunca busquei muito. o celibato não é um esforço pra mulheres com vidas interessantes.

eu respeito TODAS AS MINHAS FASES e você deveria respeitar as suas também. está com ódio de homens? quer ficar no celibato pra sempre? aceite, sinta, viva, experimente. você é um ser humano com um corpo e pode fazer com ele o que bem entender. não importa a motivação do seu celibato, se é por raiva, nojo de homens ou apenas por foco em si mesma. você tem todo o direito de fazer o que quiser.

depois de um tempo notei que começou a existir em mim uma curiosidade em me envolver sexualmente novamente e fiquei matutando muito sobre, afinal, eu já tinha desconstruído meu desejo por validação e comecei a encucar achando que minha vontade de experimentar era busca por atenção masculina, e foi nessa fase onde tive uma pequena morte do ego ao entender que não existe uma resposta perfeita pra tudo. se você é feminista, cuidado com esse excesso de neurose sobre “até onde é patriarcado”. muito se fala sobre “nós nos damos os nossos melhores orgasmos, pra que se relacionar com homens se a maioria das vezes nem gozamos com eles?”, e a minha resposta sobre isso é: depois de todo esse processo me sinto super a vontade pra comandar e dizer o que eu quero e não escondo a minha desaprovação. não performo mais, e por mais que orgasmos sozinha sejam incríveis, talvez o que eu busque no sexo seja mais do que só ele. a conclusão que eu cheguei é a de que existe uma parte minha que enxerga o sexo como uma experiência de aprendizado, toque, visceralidade, vulnerabilidade e erotismo, não dependo dela, não me sinto incomodada por não estar transando, mas quero continuar experimentando.

enfim, encontrei uma pessoa e me envolvi, e com isso, mudei algumas crenças sobre sexo casual que eu tinha. eu achava que não conseguiria me envolver sexualmente por muito tempo sem me apaixonar, mas agora quando penso no assunto percebo que vivo toda a minha experiência em primeira pessoa. quero levar meu corpo para certos lugares e o outro praticamente não existe nessa perspectiva. até o que eu faço pelo outro é sobre mim. mas não era assim antes. antes eu pensava nele e em como ele me enxergava.

eu sempre acreditei que sexo casual era extremamente perigoso emocionalmente e fisicamente para mulheres, mas o ponto é que: tudo é perigoso para mulheres. ser casada é perigoso. morar com um homem é perigoso. aliás, feminicídios são cometidos por homens conhecidos da vítima né. eu também acreditava que somos biologicamente fadadas ao apego e cheguei até a postar isso, porque vi pesquisas e podcasts falando sobre, mas também mudei de ideia. e não que não sejamos biologicamente mais vulneráveis por termos certos hormônios e capacidade de engravidar, mas isso não determina tudo.

sexo casual pode ser um terreno perigoso por dois motivos (para além do óbvio que é se relacionar com homens):

  1. mulheres tendem a romantizar interações com homens e usam sexo como barganha, buscando afeto e validação, e nesse meio tempo, entram em dinâmicas abusivas onde começam a se doar por completo e a se envolverem de forma ansiosa com homens, criando dependência emocional e ficando vulneráveis.

  2. homens tendem a sentir prazer na manipulação emocional, por isso, pra eles, sexo nunca é só sexo. existe o prazer da conquista e quase todos (recebo centenas de relatos sobre isso) não conseguem manter uma relação com respeito e cuidado básico por muito tempo, porque assim que perceberem que você não irá se envolver emocionalmente, ficam irritados e começam a te tratar mal.

a maior parte das histórias de sexo casual dura pouco tempo. mesmo as boas. a maioria dos homens não tolera uma mulher que não queira se envolver romanticamente, porque afinal, a maioria dos homens busca mulheres para extrair recursos delas e o enlace romântico é a forma de conquistar essa devoção feminina.

eu não citei questões de ists e risco de gravidez porque mulheres casadas também contraem doenças e correm o risco de se vulnerabilizar numa gravidez. isso não é uma romantização do sexo casual e obviamente não estamos falando de mulheres que se colocam em risco por conta de questões mentais etc. estamos falando do sexo casual da mulher que as vezes quer viver alguma experiência na boa, na paz, e não quer ser assumida ou casar.

nesse envolvimento entendi que eu tinha crenças muito concretas sobre mim. eu achava que me apaixonaria, mas não aconteceu. posso até gostar da pessoa, mas não consigo mais criar uma corrente de pensamentos que me levem a idealizar um homem, por tanto, pra mim, está sendo a solução. eu era absolutamente obcecada por quase todos os homens que eu me relacionava e acreditei que aquele era o meu jeito. hoje em dia, não me importo com mensagens, constância, não preciso sentir que ele me valida. quero só ser bem tratada e respeitada. não me importo com o futuro. na verdade, sinto que não tenho muita disponibilidade emocional para ouvir homens. mulheres são sempre mais interessantes e no meu tempo livre priorizo elas.

toda mulher que direciona energia em excesso pra buscar contato com homens vai empobrecer e perder o foco sobre a sua própria vida. mesmo que você se ache a transuda livre, se você está sempre caçando, duvido que sobre energia para cuidar das suas amigas, das suas finanças e do seu futuro. por tanto, tanto na vivência do sexo casual quanto na do celibato você pode estar perdendo tempo demais gerenciando homens ou a sua visão sobre eles.

existem mulheres experienciando sexo casual de forma obsessiva, como num vício em adrenalina, e isso com certeza afeta a capacidade dela de discernir e organizar a própria vida. agora, a mulher que faz celibato e está nos comentários no instagram ofendendo outras mulheres, cuidando da vida delas, está fazendo o que por si mesma?

o ponto principal é: verifique como você organiza a sua vida e em torno de quem. liberdade não é performar liberdade. liberdade é ter independência emocional e não estar nas mãos de ninguém, não depender da validação de outros ou precisar que homens regulem seu sistema nervoso pra você se sentir bem consigo mesma.

o sexo é um terreno onde existe muita reprodução de violência, abuso, poder e dominação. estudar como isso acontece e até mesmo como isso se manifesta emocionalmente em você é sempre uma ótima forma de se libertar. não dá pra falar de liberdade sexual só falando sobre “como ter orgasmos melhores”. liberdade sexual é não sentir medo de dizer não e não sentir vergonha por estar em celibato. afinal, se sexo é uma forma buscar status ou se te domina psicologicamente, você não está livre.

demorei muito pra elaborar minha opinião sobre tudo isso. fui vivendo e experimentando, processando emoções e integrando novas perspectivas. eu percebo muito que, por ser um assunto que envolve muita vulnerabilidade, acabamos por projetar nas outras as nossas vivências. por exemplo, vejo muitas mulheres héteros falando que sexo com homens é horrível, e sim, muitos homens transam mal, mas se você sente atração pelo corpo masculino vai ter experiências boas em algum momento. essas mulheres vão projetar em você e dizer que você é dependente emocional e pick me, que só transa por validação, e isso não é verdade. podemos criticar homens e ainda entender que temos algum nível de autonomia sobre o nosso corpo, não precisamos entrar no extremismo de colocar mulheres como totais vítimas (eu mesma quase caí nessa visão).

o celibato sempre é visto como repressão emocional, e não, não é. a libido é uma força vital que pode ser direcionada para mil coisas diferentes. a experiência do sentir, do erótico da vida está em milhares de outras vivências. sendo astróloga posso afirmar isso. todas nós temos a nossa vênus e desfrutamos da vida de formas diferentes. quem é você pra dizer que tal mulher está se reprimindo? aliás, mulheres são muito mais julgadas por não se envolverem sexualmente do que por se envolverem. as pessoas se incomodam muito com o celibato e a indisponibilidade sexual feminina.

enfim, paz no coração divas, façam o que quiserem. reflitam, se conheçam, se respeitem. ninguém tem o direito de dizer o que você deve fazer com o seu corpo. ao mesmo tempo, também precisamos entender que nem toda escolha nasce livre. autoconhecimento. sempre.

claro, é importante lembrar que você está no patriarcado e não tem o controle total de todas as situações. podemos sofrer manipulações e abusos, estamos sempre vulneráveis a isso o tempo todo em todas as relações com homens, sexuais ou não. tenha consciência sobre a estrutura e não carregue um peso que não é seu.

se você se sente vulnerável no sexo casual, não faça. sexo casual não é sinal de evolução espiritual. respeite o seu corpo. e se você sente que não quer fazer celibato, garanta que a sua vida não está sendo drenada por essa busca sexual e viva feliz. você não é inferior por isso. acho importante, com toda a certeza, aprender a lidar com a solidão. você não tem autonomia e controle nenhum se não sabe ficar sozinha por algum tempo. se você sai com as suas amigas e fica triste por não ter arranjado uma transa, você não é livre. existe muito medo de abandono disfarçado de libido alta.

talvez não exista uma fórmula ou resposta perfeita sobre isso tudo, mas tentei trazer as minhas perspectivas me baseando numa visão realista e nas vivências e angústias da maioria das mulheres que estão no processo da descentralização do amor romântico que conversei e ouvi nesse último ano.

vou finalizar esse texto indicando o destaques do meu instagram @venusexilada chamado “s3x” onde trago relatos, indicações de conteúdos/podcasts/livros e reflexões sobre esse assunto com ainda mais profundidade.

se cuidem.

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obrigada por me ler.

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