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Amo News · Feb 16, 2026

Amo (Well)News #6: pronto para viver 100 anos?

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Como o avanço da medicina nos torna mais longevos – e como músculos, equilíbrio hormonal e cuidado metabólico são muito mais do que uma tendência da vez (+ o livro da dra. Alessandra Rascovski)...

Branch with leaves showing color progression from green to yellow.
Photo by Jinan KB on Unsplash

Em questão de um século, pode-se dizer que a expectativa de vida do Brasil (e de muitos países do mundo) mais do que duplicou. Praticamente triplicou. E na última década, a longevidade não se tornou apenas um hiperfoco dos meus estudos e curiosidades pessoais: nunca falou-se tanto sobre menopausa, healthspan (tempo de vida COM saúde), perfil metabólico, cota proteica, equilíbrio hormonal e mais uma boa dezena de subtemas. Aqui mesmo, nesta Amo News, você leu há quase três anos sobre o bestseller mundial Outlive, do médico americano Peter Attia.



Nos últimos seis meses, meus estudos teóricos ganharam uma “pós-graduação” prática, em uma peregrinação por médicos e tratamentos relacionados a um tratamento importante da minha mãe idosa. Posso dizer que tudo que eu havia aprendido nesta última década se comprovou ao vivo e a cores. E tive o privilégio de poder aprender com ótimos médicos mais uma porção de coisas sobre a terceira idade, cada vez mais prolongada – mas nem sempre prolongada com a mesma qualidade.

Arrisco-me a dizer que existe um marco: ainda que você tenha uma loteria genética, na qual pouco ou nada fora exigido para te isentar de problemas mais importantes, 75 anos parece uma idade crucial na qual alguns boletos do que (não) foi feito começam a aparecer no horizonte. A fragilidade, a falta de mobilidade e a deteriorização da massa muscular transformam uma pessoa em meses.



Depois de Peter Attia, foi a vez da maravilhosa endocrinologista dra. Alessandra Rascovski – entrevistada da primeira edição da Amo (Well)News em janeiro de 2023 – trazer outros excelentes insights com seu recém-lançado livro. Atmasoma reforça todo aquele combo repetido à exaustão (alimentação, sono, atividade física e gerenciamento de stress), mas traz um poderoso bônus sobre saúde hormonal, especialmente importante para mulheres. Trago a seguir um top 10 de reflexões de dra. Ale e indico fortemente a leitura da “nossa Peter Attia” brasileira, uma médica séria, excepcional e com uma visão corpo-mente-alma indispensável a qualquer tempo.

  1. Centenários não são – e cada vez menos serão – uma raridade. Isto parte de uma democratização gradual de hábitos saudáveis. Mas vem também da importância de conhecer o próprio corpo, de modo a saber observar sintomas, ter uma visão preventiva e comunicar com clareza ao médico.

  2. O estresse é um dos quatro pés de uma mesa, ao lado de alimentação, atividade física e sono. Isto não é novidade. Mas o quão prejudicial ele é para todo o corpo, de inflamação crônica a risco de doenças, passando por questões hormonais (hormônios, os maestros dos nossos sistemas), é um foco que jamais deve ser deixado de lado. Emoções e traumas não tratados impactam até a imunidade. Em muitos sentidos.

  3. O Atmasoma propõe uma avaliação de 10 KPIs, termo usado pelo corporativo para indicadores de desempenho e emprestados por dra. Alessandra para definir fatores que devem ser medidos constantemente: saúde mental/cognitiva, hábitos, sono, nutrição, saúde intestinal, sexualidade, autoconfiança, espiritualidade, ambiente e análise de exames de sangue. O livro traz inclusive um teste para que consigamos avaliar nossos próprios KPIs de saúde constantemente.

  4. A saúde hormonal é a parte mais negligenciada (e é mesmo, dos muitos livros da área que li, este foi o primeiro que deu atenção especial a ela). Ao mesmo tempo, é a que regula todas as nossas funções vitais. De apatia e tristeza a dificuldade para emagrecer e insônia, tudo pode partir de desequilíbrios hormonais importantes.

  5. Ao longo do livro, são apresentados vários cases de “recuperação” de clientes baseados apenas em… hábitos. Comida de verdade, retirada de ultraprocessados, aumento no consumo de fibras e respeito ao ritmo circadiano (horários de dormir e acordar) fazem revoluções em questão de meses.

  6. Músculo é muito mais do que estética e proteção para a terceira idade: ele é apresentado como um “orgão” de saúde que combate dores e inflamações, sustenta o corpo, protegem o metabolismo e equilibram nossos hormônios. É ler este capítulo e nunca mais ter coragem de pular a musculação, viu?! Ah, e sem contar que a força muscular nos membros inferiores é um preditor de longevidade.

  7. Corpos parados (sedentários) tendem a ser mais desmotivados, mais inflamados, mais adoecidos, mais desconectados. O fortalecimento tem efeito terapêutico muito além da questão muscuesquelética, agindo inclusive como antidepressivo natural. Mexer-se é o suplemento mais completo que existe.

  8. Reconhece a procrastinação (oi!)? Ela é apresentada também como um mecanismo de defesa para um cérebro sobrecarregado.

  9. O valor dos hobbies (hobbies mesmo, aqueles que fazemos por prazer puro) para a saúde mental também é notável. O médico da minha mãe a prescreveu… aulas de cerâmica!

  10. Traga a natureza para perto de você! Claro que para quem mora na praia ou no campo, o ideal é ir até ela, mas estar em áreas urbanas não nos impede de colocar plantas e flores em casa, por exemplo. E pode ter certeza que qualquer verdinho – no prato ou no canto de casa – conta no seu placar geral!

Se você também é um interessado no tema, recomendo imensamente a leitura completa de Atmasoma: completo, didático, animador e voltado para o público brasileiro (os livros de médicos americanos de certa forma acabam apoiando-se nas estatísticas e perfis de seus conterrâneos).


p.s. Ainda no tema, abaixo, um podcast que adorei escutar nesta semana sobre os hormônios e a transição da menopausa. Como dr. José Bento pontua, “botões” vão sendo desligados na mulher quando ela sai da fase reprodutiva, idade com a qual costumava falecer no início do século passado. Hoje, uma mulher de 50 anos está com tudo – e com muita vida boa pela frente. Cuidar disto e se preparar para esta travessia fará toda diferença.

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