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Amo News · Feb 25, 2026

Fazer a mesma coisa por muito tempo

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Ale Garattoni · Amo News

Desde agosto de 2004, quando apertei o “postar” pela primeira vez – em um blog do UOL Blogs, praticamente a única alternativa na época –, até hoje, posso dizer que já vivi e vi MUITA coisa no digital. Nestas quase duas décadas, topo, topo mesmo, eu só estive em uma das minhas empreitadas: o ItGirls.com.br (2007-2010), um dos primeiros blogs de moda.

Como seria se eu tivesse continuado com o tal blog em agosto de 2010, quando o deletei para lançar um livro com o mesmo título? Não sei! Saí quando começava o boom dos blogs e blogueiras, não fiquei milionária a tempo, não ganhei viagens de primeira classe, não vivi a época áurea dos contratos de muitos dígitos. Perdi o timing do Instagram e, admito, nunca fui boa naquela rede. Talvez, se eu tivesse seguido a mesma linha, poderia ter tido mais colheitas, como muitos de meus pares da época. No entanto… vi muita gente grande daquela época desaparecer e mais um punhado perder a relevância conforme outras turmas iam se graduando amadurecendo na internet.

Minha trajetória no digital nunca, nunca parou. Sendo boa ou ruim, eu jamais deixei de experimentar uma novidade online – até no surto pandêmico do Clubhouse (quem lembra?!), eu fui/eu tava! Nem que fosse só para molhar o pezinho e/ou espiar o que estava acontecendo…

O que mais posso dizer olhando em volta nesta caminhada blog do UOL–blogspot de crônicas–ItGirls–blog (& redes) com meu nome–Amo Branding–5 Sentidos–Amo News–Amo 40+? Raros, raríssimos são os cases de sucesso que se mantiveram relevantes fazendo (quase) a mesma coisa, sem mudar nem se adaptar aos movimentos do mercado. Vira e mexe uma pessoa da minha geração é citada no Tiktok e os gen alpha só comentam “quem é esta pessoa?”. Na internet, hoje mais do que nunca, a tendência da cauda longa” (muitos nomes espalhados por diferentes nichos, cada um com sua bolha) é real.

... mas este está longe de ser um texto dizendo que dá pra viver da escrita de um dia pro outro – meu projeto de 18 meses precisou de 18 anos para acontecer!

Eu realmente não gosto de dizer que ganhei/ganho dinheiro no Substack, porque tenho o bom senso de saber que o que colho aqui tem mais a ver com os 18 anos de caminhada antes da primeira postagem na plataforma. Quer me ver brava é vir com um papo de que qualquer um pode começar qualquer coisa do zero que vai ter os mesmos resultados. Os próprios painéis de faturamento e listas de bestsellers aqui reúnem, na maior parte das vezes, escritores cujo histórico começou muito antes; cuja plateia é herança de outros carnavais – o que não tira o nosso mérito, mas soma gasolina premium no nosso desempenho.

Fato é: eu já faturei com uma única newsletter mais do que faturo hoje com duas. E tenho algo muito claro: somos todos novidadeiros e o fresquinho recém-lançado atrai. Os rankings de todas as plataformas se renovam ano após ano. A velocidade de crescimento tem sempre seu platô. O tempo é escasso e na economia da atenção somos muitos competindo por ela – um cenário bem diferente daquele de 2007, quando os mesmos 10 blogs & blogueiros de um tema se retroalimentavam e conseguiam se manter em alta simplesmente repetindo o que tinha sido feito ontem. Serve para tudo, aliás: criadores digitais, marcas de produtos, prestadores de serviço. O maior hype é sempre o próximo.

O tempo é cada vez mais rápido; se antes a alta de alguém durava, tranquilamente, uma década, hoje é difícil manter-se por um ano em algo que não é ao menos reembalado. Não é só nosso tempo de retenção médio (os minutos – ou segundos – que duramos em uma página) no conteúdo que foi reduzido; a nossa curva de interesse também atinge um pico e uma queda em uma velocidade incompreensível. Aquela influencer que viralizou em meados de 2025 provavelmente já sente na pele a queda dos números de engajamento se insistiu em seguir (apenas) pelo mesmo caminho.

Eu não sou inquieta e novidadeira ávida por mudanças só porque eu quero ou gosto. É porque eu preciso, eu enxergo, eu entendo. Criar fama e deitar na cama te traz o risco quase fatal de se afogar no próprio edredom. As gerações vão passando o bastão para as próximas e os rostos dos protagonistas mudam muito mais depressa do que em qualquer outra temporada.

Quando os maiores faturamentos e ritmos de crescimento de qualquer plataforma (Substack incluído) têm uma tendência enorme em migrar para a “carne nova”, o platô (e posterior queda) pode ser inevitável. Manter-se atento, observador e em movimento é preciso!

  • Ler muito, especialmente os livros de ficção: quem acha que só livros técnicos ou de autodesenvolvimento nos ensinam algo está perdendo o melhor professor de criação e inspiração.

  • Ter muitas referências, especialmente aquelas que não têm nada a ver com o que você faz ou deseja fazer. Para quem trabalha com moda (ou finanças, negócios, notícias…), pode ser quase inevitável ficar de olho nos grandes nomes da mesma área. Perigosíssimo. Mesmo sem intenção, pode-se acabar replicando algum modelo sem ter o mesmo tempero que foi o verdadeiro responsável por aquele sucesso. Olhar para onde ainda não estão olhando ajuda mais!

  • Na contramão da ideia de “olhar demais para fora pode nos paralisar” (com o veneno da comparação), olhar mais para dentro traz avanços significativos. Tenha certeza que aquilo que você sente falta também é lacuna de outros possíveis consumidores.

Ana Paula, participante do reality show, com um dos looks esgotados de uma marca fitness (reprodução instagram FitLegs)!

Eu não sei se você assiste ou não BBB (tema mainstream demais para esta rede?!), se torce ou não pelo participante A ou B, se está ligado em movimentos que escoam deste programa popular na TV aberta. Mas em plena era na qual achamos que todo mundo só assiste a YouTube ou Streaming (todo mundo é muita gente, lembremos!), vale pontuar que uma das favoritas da edição 2026 do reality show trouxe, nesta semana, uma música de 2009 de volta ao top 100/200 das paradas no Spotify e no Apple Music do Brasil – com direito até a vídeo postado no instagram no feed do DJ francês que assina a obra! A mesma concorrente já andava esgotando peças de uma pequena empresa fitness a cada vez que usa um dos looks estampados bem caracteríscos da marca. Quando a gente acha que influencer é só aquele que está no Instagram ou no Tiktok, ignora que a massa ainda se inspira na telinha “vintage”!

Em tempo: esta não é uma newsletter sobre BBB e este não é um texto para atrair ou incitar torcidas inflamadas, por favor (nas duas últimas vezes em que falei de BBB – no finado Twitter, em 2010 e 2022 – até ameaças recebi, socorro)!

Se você está com o 5G e/ou o wi-fi funcionando, certamente já foi impactado por posts e mais posts sobre o casal Carolyn Bessette e John John Kennedy, falecido em um acidente no fim dos anos 90. Com o lançamento de uma série sobre o relacionamento dos dois no Hulu/Disney+, não faltam posts sobre as fofocas, as análises e, mais ainda, os looks de Carolyn – que, mais de 1/4 de século depois, segue como ícone de estilo universal. Enquanto muito se fala sobre maxicamisas desabotoadas, arcos de cabelo e jeans retos clássicos, vale estar atento a OUTRO movimento: a discrição da moça, que era avessa a entrevistas e fugia dos paparazzi, é uma contratendência ao excesso de exibição que fizemos de nós mesmos na última década. E talvez represente um pouco (muito?) do que andamos buscando.

obs. dito isto, ando desejando uma calça de veludo coletê, mas isto já é papo para minha newsletter vizinha Amo 40+!

Está preparado para se rebelar contra as “regrinhas” de gurus? Depois de uma década de fórmulas e receitas prontas… o próximo livro de Austin Kleon, que chega às prateleiras em junho, promete um resgate do que é/era criar sem tantos mentores nos dizendo por onde ir!

Enquanto isto, na minha news vizinha, um resgate à la posts ItGirls 2007!

Read the original on amonews.substack.com

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