Ao longo deste mês, a Amo News focou nos rumos da influência, das redes e naquele quê de exaustão que algumas plataformas começam a mostrar sobretudo para o público que a consome – mas, também, para muitos dos que produzem/produziam conteúdo. A própria migração para o Substack entre meados de 2025 e começo de 2026 é um sinal de que, talvez, o rápido-raso dos vídeos de 60 segundos podem começar a enfrentar um contraponto de desejo por textos mais elaborados, longos, em uma produção menos acelerada e ansiosa.
O tema está longe de ser novidade por aqui: uma das minhas observações mais atentas e constantes, o mercado de influência já foi foco em 2022, 2023, 2024 e 2025. E, sinceramente, reforço tudo que falei lá atrás e sigo achando que as mudanças, embora lentas e com certos desvios, seguem em andamento.
Se em 2010 o mercado nascia como profissão, em 2015 ele explodia em possibilidades e, durante a pandemia, uma nova geração e novos formatos com ganhos superlativos (oi, videocasters!) deram o ritmo. Mas desde que o mundo voltou ao velho normal, ficou um gostinho agridoce de tantos cursos, de tantos conteúdos, de tantas vendas, de tanta publicidade.
Um desafio gigante para profissionais e, mais ainda, para marcas que se habituaram a ancorar nesta estratégia seus lançamentos. Já são muitos, muitos depoimentos de várias empresas sobre resultados bem aquém do esperado na contratação de grandes nomes – e, até por isto, os nanoinfuenciadores ganharam seu espaço no cenário. Com os preços altíssimos dos influencers-celebridades, o retorno sobre investimento deixou de ser sempre certeza (com raras exceções).
Em 2024, no evento presencial Amo Insiders, já havia apresentado como o trabalho do criador de conteúdo tem muito mais possibilidades do que apenas os conhecidos publis e colabs: em Conteúdo como Negócio, falamos dos influenciadores de meio-período, dos escritores de newsletters, dos apresentadores de live-shops, dos clubes de assinatura, dos encontros educativos e dos influencers de seus próprios negócios analógicos.
Fato é que o que fez sentido na década passada ficou ultrapassado; que o público mais jovem já não tem a mesma preferência por líderes e formatos que foram gigantes no passado recente (e poucos se mantiveram de fato em alta “apenas” por conta do digital – e não é casualidade que tantos enormes nomes tenham migrado para suas empresas de produtos); que um ceticismo maior tem aparecido e que a teoria da cauda longa, que defende um maior número de nichos menores em vez de poucos grandes nomes como centro de decisões, tende a fazer mais e mais sentido.
O futuro a Deus pertence e 2026 anuncia grandes chances de concretizarmos movimentos que já estamos vendo na relação supercomercial das grandes redes sociais. Estamos mais curiosos com bastidores, com “pessoas normais” (o fenônemo dos vlogs de meninas CLT no Tiktok!), com conteúdos reflexivos que não estão apenas como pano de fundo para anunciar três aulas grátis que vão te vender “O” produto. Ou com um simples texto de Substack mostrando como pensam pessoas que nem conhecemos ou o que refletem pessoas em quem construímos uma relação de confiança e/ou admiração (eu pessoalmente amo esta possibilidade aqui nesta plataforma*, que já filtra quem tem mais prazer em criar do que plano de metas financeiras à frente – zero julgamento, só preferência).
*Substackers de todos os tamanhos e todas as fases, ignorem números e persistam!
Cinco reflexões sobre recentes mudanças, interesse do público, a volta do conteúdo mais cru (?), as marcas preguiçosas e possibilidades de profissões que gravitam em torno da influência.

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