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Alma transgressora · Mar 25, 2024

Sonhos não viram realidade

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Cíntia Ribeiro de Santana · Alma transgressora

(Foto de Rahul Pandit)

“Se não aconteceu ainda é porque não é hora…”

“Calma, que sua hora vai chegar…”

“Pra tudo tem a hora certa…”

São muitas as variações desse tipo de pensamento positivo também chamado de fé. Sentenças que, na tentativa de reduzir nossa ansiedade, podem nos ativar o conformismo: me permito estar aliviada porque “ainda não é hora”, e terceirizo meus objetivos (ou até sonhos!) para o tempo, para o destino, para a vontade de Deus…

A questão é simples: se a hora chegar amanhã, de repente, você estará pronto? Ou será pego de surpresa entre o lamaçal da procrastinação e o cárcere do medo?

Não me entenda mal: nada tenho contra a fé. Mas frustrações podem nos paralisar.

Já aconteceu com você? Tomou um balde d'água fria, tomou um fora, tomou uma rasteira da vida… Pronto. Medo paralisante. Não é pra mim. Stop. Bloqueio.

Faço aqui uma confissão que gostaria de manter dentro de mim, mas não consigo porque este é um espaço particular de elaboração da alma, então lá vai: tenho a permanente sensação de que a qualquer momento vai acontecer um boom

O que é esse boom?

Um estouro da bolha que já ouviu a mensagem que tenho tentado transmitir. Um lampejo que trará visibilidade ao livro De fora para dentro e ao processo curativo do burnout que me permitiu criar uma fórmula para o Autoamor (que é o produto da multiplicação entre Autoconhecimento e Autopercepção elevado à Autoestima dividido por uma fração equivalente de Autocuidado).

Não, não é o Franklin, meu ego carente, quem está no comando nesta edição da news. Sou eu mesma, a alma transgressora. E falo de um lugar de muita integridade com o que me transborda.

Não escrevo para ficar rica, nem para ser famosa, muito menos para ter uma vida utópica ou alimentar um ideal inexistente de sucesso.

O sucesso é algo muito particular. Quase íntimo, inclusive.

Só quero que você me escute e sinta que também pode. Que acredite que suas ideias merecem ser priorizadas. Que faça do hoje o melhor possível, porque ele é tudo que você tem.

(Credo, que papinho mais autoajuda…).

(Olha, seja quem for que estiver falando, não estou com muito tempo para você agora. Peço desculpas, outra hora a gente conversa, estou correndo para entregar uma mensagem).

São 23:15, é domingo e finalmente estou de pijama. Comecei a escrever agorinha mesmo, depois de passar o final de semana dedicada à mudança para esta casa recém-reformada. Foram onze meses sobrevivendo com a família fragmentada em pelo menos cinco “lares” diferentes, sem saber por onde andavam minhas calcinhas, administrando a frustração de quatro crianças feridas: marido, filhos e eu. Ah, e sendo atravessada por depressão e me curando de um burnout, com acompanhamentos psicológico e psiquiátrico, homeopatias, óleos e amigos essenciais. Sem falar da saudade das minhas plantas, do meu chuveiro e da minha paz.

Durante esse tempo, encarei uma enorme sensação de improdutividade. (Tem alguém em mim que ainda não conheço pelo nome, mas já sei ser incapaz de descansar). Para essa voz, não importa que nesse período foi justamente quando aconteceu minha transição de carreira, do business para a literatura.

Vou enumerar em seguida algumas atividades que fui desenvolvendo nos últimos meses, mas queria que você conseguisse descolar da literalidade. Para mim, é importante o registro. Mas pouco importa o que fiz, para você.

Tente escutar como uma sequência de movimentos diante do medo paralisante. E de uma dor invisível que quase me impediu de estar aqui para contar esta história.

Passos na neblina. Saltos no vazio. Todos foram e têm sido assim:

  • autopubliquei o e-book Trinta e Umas - Crônicas para quem não sabe se casa ou compra uma bicicleta - de forma independente porque cansei de esperar respostas de editoras e precisava sentir que tinha feito um primeiro movimento na minha reinvenção profissional;

  • lancei o De fora para dentro com a Editora Patuá na FLIP, depois na Associação Brasileira de Rolfing e recentemente em São Caetano, organizando e divulgando os eventos por conta própria, incluindo a captação de recursos e patrocínios;

  • terminei o curso de escrita da Cris Lisboa, o Agogô, e estou cursando outro, da Yedda Raynsford, de Escrita Imaginal.

  • fui selecionada para três antologias, duas delas poéticas;

  • criei, gravei e editei uma série de humor no Instagram chamada Cristiane, aproveitando o período fértil do meu ciclo menstrual;

  • fui convidada para rodas de conversa sobre Autocuidado e Saúde Mental;

  • estou negociando e animada com a possibilidade de participar de eventos similares em instituições educacionais e corporativas;

  • recebi uma homenagem em Sessão Solene na Câmara Municipal de São Caetano do Sul como escritora em comemoração ao mês da Mulher;

  • tive a feliz notícia de que o Trinta e Umas impresso deve ser lançado na FLIP 2024! 

  • estou finalizando o Oráculo de Sentimentos, que será uma ferramenta de educação emocional, escrito poeticamente e todo ilustrado em aquarela pela Thaio Conde, a mesma maravilhosa que fez a imagem da capa do meu livro;

  • tenho trabalhado na versão digital do De fora para dentro e também na tradução para o inglês, que será levada para um congresso internacional em abril!

  • fechei uma parceria com a melhor assessoria de imprensa do ABC, a Gengibre Comunicação, que captou minha essência e está botando pilha nos meus sonhos;

  • já dei vida a vinte edições da Alma Transgressora que certamente deve virar livro mais adiante…

Tudo isso pra dizer: mesmo no caos, há movimentos possíveis.

Damos ouvidos a tantas vozes… por que não escutar a própria alma?

É como se a voz que vem de dentro não fosse confiável. Melhor escutar as que “sabem mais”. Ué, e quem tem mais valiosa informação sobre o que te faz bem que sua própria alma?

A urgência do dia-a-dia tira a importância do essencial.

O que é vital para você? 

O que alimenta sua alma?

Que sonhos você tem adiado? E por quê?

(Tô falando, olhaí a autoajuda…)

Que seja autoajuda, voz que não consigo sequer identificar agora…

A alma tem pressa em se autoajudar.

Se a gente não a ouve, ela começa a mandar sinais físicos.

Onde dói, por aí? Que sintomas em você já se tornaram crônicos e incomodam sem motivo aparente?

Aprendi com Simone Mendes, minha amiga, rolfista e personagem do livro De fora para dentro que não existe essa divisão cultural que fazemos entre corpo, mente e alma. Somos seres complexos e integrados. Pessoas! 

É próprio do ser humano sentir. Não só pensar. Ou fazer fazer fazer.

Pára! Sério. Por você. Segura a onda um pouquinho?

Terceirizar nossas dores para o corpo sem achar que elas têm a ver com todo o resto é, das três, uma: inocência, negação ou automatismo.

É comum travarmos diante de feridas mal cicatrizadas. Revivemos memórias de dor. Lembranças viram gatilhos. E, deles, mais sofrimento.

Sempre quis escrever um livro, por exemplo. Ou dar espaço à literatura, em mim. Deixar as palavras dominarem a mensagem que precisasse ser transmitida. Mas via essa possibilidade como um sonho distante.

Minha alma tentou me ajudar nesses anos todos de negligência a esse sonho. Agarrada ora à inocência, ora ao automatismo, ora à negação, ignorei-a até implodir com um burnout.

Enquanto não priorizamos os sonhos, eles ficam pequenos, tímidos e inseguros. Quando a gente bota pilha neles, como sempre incentivou minha analista, ganham espaço, vão crescendo, criando raízes e abrindo asas, até que os tornemos reais.

Sentar e esperar não necessariamente é a melhor estratégia. É preciso estar em movimento. Aprender algumas coisas. Desaprender outras.

Sonhos não “viram realidade”. Sonho a gente realiza.

O primeiro passo? Um mínimo movimento.

Que tal andar devagarinho nessa neblina?

O sol está lá em cima e não deixará de brilhar - independentemente da sua fé. Pode acreditar.

É cansativo viver em guerra com o ego. Mas, cuidado: silenciar a alma pode ser mortal.

Conte com você.

Tem alguns dias que a neblina é tão forte que fica difícil mesmo acreditar que ela vai passar. Este registro é para me lembrar que ela acaba:

Não desista de ser você.

Tudo isso tem feito algum sentido por aí? Me conta no cintia.escrita@gmail.com.

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Boa semana pra você, alma querida.

Para você que me lê também.

Read the original on almatransgressora.substack.com

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