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Alex Castro · May 25, 2026

Os 100 melhores romances de todos os tempos... de acordo com o The Guardian

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Alex Castro · Alex Castro

O jornal britânico The Guardian acabou de lançar uma lista dos 100 melhores romances de todos os tempos publicados em inglês.

Como toda lista do gênero, ela tem seus problemas e idiosincracias, mas se justifica pelas conversas interessantes que possibilita.

Não são os romances que o The Guardian, enquanto entidade, “escolheu”. O jornal não está “afirmando” que esses são os melhores romances do mundo. Ele só pediu para 170 escritores, críticos e professores listarem seus 10 romances favoritos e, depois, tabulou os resultados.

Uma distorção interessante: como o pedido foi para que cada jurado indicasse apenas dez favoritos, ficaram de fora muitos autores queridos, mas que não entraram no Top10 de muita gente, como Tolkien, por exemplo.

Por óbvio, ficou uma lista fortemente anglófona. Somente dois livros latino-americanos. Nenhum escrito em português.

Em breve, quero escrever um texto sobre a importância dessas listas literárias e sobre duas, lá da década de 1990, que nunca esqueci, que me formaram, que estabeleceram esse meu caminho de leitor que sigo até hoje.

Abaixo, eu comento livro por livro a lista do The Guardian. (Para conferir a lista, tem aqui em inglês e aqui em português.)

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Como sempre, quero muito saber suas opiniões, reações, comentários. :)

Apenas quatro livros da lista do The Guardian estão no meu top10 pessoal de romances perfeitos:

• “Guerra e paz”, Liev Tolstói

Uma verdadeira teoria sobre a História. Sob o olhar de Tolstoi, os pequenos gestos adquirem grandeza literária.

• “Moby Dick”, Herman Melville

Muito mais engraçado e pândego do que as pessoas pensam.

• “Cem anos de solidão”, Gabriel García Márquez

O auge da literatura latino-americana, do realismo mágico, do boom.

• “A amiga genial”, Elena Ferrante

Leva o romance de formação realista aos seus limites. Uma das grandes obras literárias do novo século.

Todos os quatro fazem parte do meu curso Grande Conversa Romance, em andamento. As próximas leituras são Cem anos de solidão, em junho e julho de 2026, e a Tetralogia Napolitana, agosto e setembro. Vem com a gente?

Vários dos meus livros preferidos de todos os tempos estão na lista:

• “O grande Gatsby”, F. Scott Fitzgerald

Jóia de perfeição. Um dos melhores finais de todos os tempos, ao lado de Moby Dick.

• “Mrs. Dalloway”, Virginia Woolf

Tudo o que James Joyce é elogiado por fazer Woolf faz melhor aqui.

• “O morro dos ventos uivantes”, Emily Brontë

Um dos romances mais selvagens e perversos de todos os tempos. Muito medo de quem considera uma “história romântica”.

• “Coração das trevas”, Joseph Conrad

Noveleta perfeita sobre alteridade e colonialismo. Sim, a Grã-Bretanha já foi um dos lugares mais escuros e selvagens da Europa.

• “Amada”, Toni Morrison

Um dos mais perfeitos romances sobre a escravidão.

• “Frankenstein”, Mary Shelley

Obra fundadora da ficção científica, um dos grandes romances sobre paternidade e masculinidade tóxica.

• “O leopardo”, Giuseppe Tomasi di Lampedusa

Temos no Brasil a elite mais eficiente do mundo em manter seus privilégios e essa jóia de romance italiano ilustra exatamente como ela conseguiu continuar no poder.

• “O processo”, Franz Kafka

Em literatura, o século XIX só termina e XX começa quando Kafka escreve esse romance incompleto e incompletável, obra verdadeiramente infinita.

• “Kindred: laços de sangue”, Octavia E. Butler

Outra grande narrativa feminina sobre a escravidão, como Amada, mas agora com viagens no tempo.

• “As cidades invisíveis”, Italo Calvino

Obra-prima de Calvino, uma releitura contemporânea das viagens de Marco Polo.

• “O talentoso Ripley”, Patricia Highsmith

Certamente um dos melhores romances policiais de todos os tempos. Ripley é um personagem maravilhoso, adorei todos os seus livros.

• “A vegetariana”, Han Kang

Uma das obras-primas do XXI, um dos prêmios Nobel de literatura mais merecidos. Escrevi sobre ele aqui.

Vários dos romances da lista são livros que eu li, gostei, reconheço a importância, mas não se tornaram favoritos pessoais:

• “Lolita”, Vladimir Nabokov

Deus me proteja do analfabetismo funcional de quem acha que esse romance promove ou defende pedofilia.

• “Dom Quixote”, Miguel de Cervantes

Obra literalmente imperdível, primeiro romance, virou a literatura mundial do avesso, nada nunca mais foi como antes.

• “1984”, George Orwell

Comprei no dia da primeira eleição do Trump. Vale lembrar que o autor era socialista — essa não é uma obra anti-esquerda.

• “O mundo se despedaça”, Chinua Achebe

O contraponto perfeito da África a “Coração das trevas”, mas não tão perfeito.

• “Os irmãos Karamázov”, Fiódor Dostoiévski

• “Crime e castigo”, Fiódor Dostoiévski

Os irmãos Karamázov é o grande romance russo paradigmático, ao lado de Guerra e paz, e Crime e castigo é um clássicos mais acessíveis, e ainda deu origem ao seriado Columbo. Mas, não adianta, amo Tolstoi e tenho ranço do Dostoievski.

• “O conto da aia”, Margaret Atwood

Poucas obras mais duras e deesperançadas. Está mais perto do que imaginávamos.

• “A metamorfose”, Franz Kafka

Kafka talvez seja o escritor central do século XX.

• “O mestre e Margarida”, Mikhail Bulgakov

O momento mágico em que a literatura russa do XX finalmente se liberta dos mestres realistas do XIX. Engraçadíssimo. O equivalente russo do nosso “realismo mágico”.

• “Desonra”, J. M. Coetzee

Obra-prima do cancelamento.

• “Drácula”, Bram Stoker

O final é fraco, mas a primeira metade é simplesmente perfeita.

• “A outra volta do parafuso”, Henry James

Adoro Henry James. De todos os escritores mundiais, é um dos mais próximos a Machado. Essa noveleta é ótima, mas não é das minhas preferidas dele. Recomendo essa.

Dos livros da lista, só houve dois que eu li e, de fato, não gostei:

• “Orlando”, Virginia Woolf

• “Pedro Páramo”, Juan Rulfo

Nenhuma crítica a nenhum dos dois. Talvez só estivessem tentando fazer coisas que pra mim não fazem sentido.

Pelos mais variados motivos, às vezes por gostar muito,

• “Ulysses”, James Joyce

Tentei ler duas vezes. Trouxe comigo quando evacuei do Katrina e estava num abrigo. Não rola.

• “Adeus às armas”, Ernest Hemingway

Não suporto esse homem. Mas gosto de “O sol também se levanta”.

• “Anna Kariênina”, Liev Tolstói

Amo Tolstoi. Li quase tudo. Mas, por algum motivo, esse não engata.

• “Em busca do tempo perdido”, Marcel Proust

Comecei, gostei, vi o enorme valor, deixei de lado para ler com calma e aproveitar bem.

• “O homem sem qualidades”, Robert Musil

• “A vida e as opiniões do cavalheiro Tristram Shandy”, Laurence Sterne

Dois livros engraçadíssimos e sem enredo linear. Então, comecei, gostei, e estou lendo aos pouquinhos, curtindo bem..

Estão na minha fila de leitura e espero ler em breve:

• “Middlemarch”, George Eliot

Foi o primeiro colocado, aguçou ainda mais minha curiosidade.

• “Rumo ao farol”, Virginia Woolf

• “As ondas”, Virginia Woolf

• “O quarto de Jacob”, Virginia Woolf

• “Jane Eyre”, Charlotte Brontë

• “Orgulho e preconceito”, Jane Austen

• “Mansfield Park”, Jane Austen

• “Emma”, Jane Austen

• “Persuasão”, Jane Austen

Woolf, Austen, as irmãs Brontë, quero ler tudo delas.

• “Madame Bovary”, Gustave Flaubert

Esse está na minha lista, pela importância histórica, mas confesso que sem empolgação.

• “A casa soturna”, Charles Dickens

• “Grandes esperanças”, Charles Dickens

Ainda nunca li Dickens, só ouço coisas boas, quero muito ler.

• “Retrato de uma senhora”, Henry James

• “A taça de ouro”, Henry James

Adoro os contos e noveletas de James, quero muito ler seus romances. “A taça de ouro” está no topo da lista.

• “Os vestígios do dia”, Kazuo Ishiguro

• “Fogo pálido”, Vladimir Nabokov

• “O deus das pequenas coisas”, Arundhati Roy

• “A montanha mágica”, Thomas Mann

• “Feira das vaidades”, William Makepeace Thackeray

Esses cinco livros, além de serem clássicos canônicos, claro, foram muito elogiados e são os preferidos de gente que respeito muito.

• “O som e a fúria”, William Faulkner

Dizem que é o Guimarães Rosa dos EUA. Quero conferir.

• “Dentes brancos”, Zadie Smith

A autora, quase menina ainda, fez um enorme sucesso com esse livro, que despertou minha curiosidade quando foi lançado, mas ainda não li.

• “Austerlitz”, W. G. Sebald

Tem uma gente boa que sustenta que Sebald é o maior escritor da literatura contemporânea. Nunca li, quero conferir, e vou começar por esse.

• “Rebecca”, Daphne du Maurier

Serviu de template para muitos thrillers e ainda quero muito ler o original.

• “Ardil-22”, Joseph Heller

Clássico do humor e da guerra, quero muito ler.

• “O mensageiro”, L. P. Hartley

Quero ler só pela maravilhosa primeira frase: “"O passado é um país estrangeiro: as pessoas fazem coisas diferentes por lá"

Não li e não estão nem na minha fila de leituras:

• “Os filhos da meia-noite”, Salman Rushdie

• “Housekeeping”, Marilynne Robinson

• “O trânsito de Vênus”, Shirley Hazzard

• “A primavera da srta. Jean Brodie”, Muriel Spark

• “My Ántonia”, Willa Cather

• “Vida e destino”, Vassili Grossman

• “A educação sentimental”, Gustave Flaubert

• “O mundo conhecido”, Edward P. Jones

• “O retorno do nativo”, Thomas Hardy

• “A estrada”, Cormac McCarthy

• “Os Buddenbrook”, Thomas Mann

• “Fim de caso”, Graham Greene

• “A linha da beleza”, Alan Hollinghurst

• “Ragtime”, E. L. Doctorow

• “A mão esquerda da escuridão”, Ursula K. Le Guin

• “Condições nervosas”, Tsitsi Dangarembga

• “O olho mais azul”, Toni Morrison

• “Não me abandone jamais”, Kazuo Ishiguro

• “Howards End”, E. M. Forster

• “Os anéis de Saturno”, W. G. Sebald

• “Meio sol amarelo”, Chimamanda Ngozi Adichie

• “O arco-íris”, D. H. Lawrence

• “Uma casa para o sr. Biswas”, V. S. Naipaul

• “Proclamem nas montanhas”, James Baldwin

• “O quarto de Giovanni”, James Baldwin

• “O caderno dourado”, Doris Lessing

• “David Copperfield”, Charles Dickens

• “Wolf Hall”, Hilary Mantel

• “Um delicado equilíbrio”, Rohinton Mistry

• “Vasto mar de sargaços”, Jean Rhys

• “Homem invisível”, Ralph Ellison

• “A idade da inocência”, Edith Wharton

• “Seus olhos viam Deus”, Zora Neale Hurston

• “Canção de Solomon”, Toni Morrison

• “O bom soldado”, Ford Madox Ford

• “A cor púrpura”, Alice Walker

• “Meridiano de sangue”, Cormac McCarthy

• “Judas, o obscuro”, Thomas Hardy

• “Nosso amigo em comum”, Charles Dickens

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