“Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”.
Essa citação, do livro “O Pequeno Príncipe”, escrito por Antoine de Saint-Exupéry em 1943, não é só é uma das passagens mais conhecidas da literatura, mas é, também, uma das citações que a gente mais vê por aí, em tatuagens, textos (como este, olha só), treinamentos, mensagens de bom dia no WhatsApp etc.
Mas, de modo geral, será que as pessoas entendem o que essa frase significa? Mais: será que elas ligam? Honestamente, não sei.
Tem um tempo eu venho meditando muito sobre relações humanas (como vocês podem ler, parcialmente, aqui e aqui). Coincidentemente, a Babi me pediu pra ler o livro do Principezinho pra ela outro dia e, ao chegar nessa citação, as engrenagens da minha cabeça começaram a (tentar) funcionar e a ligar lé com cré.
Seja por conta do distanciamento que a internet/redes sociais/you-name-it causaram, seja porque, no fundo, sempre fomos seres meio egoístas mesmo, tenho percebido que pessoas só se sentem responsáveis por aqueles que cativam em cenários específicos:
Quando estes estão “à vista”, ou sejam são literalmente vistos;
Quando são parte da família de sangue (e olhe lá);
Quando possuem algo que as interessam (em qualquer esfera);
Quando as convém.
Eu sei, isso parece meio dramático e até agressivo, mas eu realmente não consigo ver de outra maneira sem cair num romantismo meio forçado de “a vida das pessoas segue caminhos diferentes, mas as relações ficam no coração” ou, pior, de ir pro lugar preguiçoso e comum de “com a correria do dia-a-dia fica difícil mesmo”. Talvez, porque do meu lado, eu sempre tentei fazer algum esforço pra estar presente na vida das pessoas que, pra mim, são importantes; naturalmente, esperaria o mesmo dos outros (aquela coisa um tanto ingênua de esperar que as pessoas façam o que nós faríamos.
Embora eu seja um grande partidário da máxima “ninguém é obrigado a nada”, também faço parte do grupo que busca relações verdadeiras e sinceras com aqueles com quem me identifico e, pra demonstrar que do meu lado há disposição para construir uma ponte sólida com o outro, faço questão de não só deixar isso claro, mas de ao menos tentar criar condições e oferecer material pra essa construção. Normalmente funciona, no entanto, voltando ao meio do texto, de anos pra cá venho notando que essas pontes são construídas com material de segunda mão, já que, em mais ocasiões do que eu gostaria de admitir, a ponte desmoronou logo que nenhum dos cenários mencionados dois parágrafos atrás é mais realidade.
E o que fazer? Olha… sei lá. O conselho da minha terapeuta é muito simples: abra mão; não vale se doar por quem parece não se importar - e na prática é isso aí. Mas, convenhamos, não é fácil. Pra pessoas como eu, que colocam a alma e o coração na tentativa de criar laços verdadeiros e duradouros, de repente apertar o botão do foda-se não é a decisão mais fácil. Além disso, quando se tem 40 anos de idade, “fazer novas amizades” começa a ser menos motivador (pelo menos pra mim) o que, inegavelmente, começa a restringir sobremaneira nosso círculo íntimo de pessoas.
Talvez esse seja um desabafo, talvez essa seja uma constatação. A realidade é que o meu mundo, que deveria se expandir imensamente graças à toda tecnologia disponível atualmente, parece cada vez menor a ponto de caber num pen drive.
A ver.
Até a próxima (que espero ser em menos de 3 meses).

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