O filósofo sul-coreano Byung-Chul Han escreveu um livro (que tá na minha infindável lista de leitura) chamado “Sociedade do Cansaço”. Em linhas super gerais (resumo aqui), esse ensaio tem como ideia central fazer uma reflexão sobre os desafios enfrentados pela sociedade contemporânea principalmente por causa de fatores como o excesso de positividade, a supervalorização da produtividade, a cultura da meritocracia e a hiper conexão por meio da tecnologia e das redes sociais.
Veja, tá tudo bem ter opinião sobre as coisas, isso é bom. Mas, há coisas sobre as quais não só não nos cabe ter uma opinião sobre como, também, não temos condição intelectual para tal.
Explico usando a mim mesmo de exemplo.
Uma das minhas bios no finado Twitter era “eu acho alguma coisa sobre qualquer coisa”, no entanto, eu conheço meus limites intelectuais; da mesma maneira que eu vou até o limite do insuportável pra debater um assunto sobre o qual eu tenho certo domínio e fluidez, eu consigo manter minha boca fechada (ou parcialmente fechada) sobre assuntos que ou eu não entendo uma vírgula ou que não me dizem respeito.
O fato é que a sociedade foi construída, exagerando aqui um tiquinho o argumento, por uma seleta casta de homens de origem europeia que, desde que o mundo é mundo, opinam sobre o que mulheres devem fazer, que negros são menos gente, que povos indígenas não têm direito a nada e por aí vai. Desse modo, com a ampliação da voz de todo e qualquer indivíduo vivo com acesso à internet, pra citar meus irmãos, “o bagulho ficou louco”.
E isso gera um ciclo: pessoas acham mais coisas sobre as coisas, compartilham coisas sobre as coisas, outras pessoas lêem as opinião dos outros sobre as coisas, essas últimas pessoas reproduzem (ou condenam euforicamente) essas opiniões e pessoas acham mais coisas sobre as coisas. Não tem fim - é uma receita de cogumelo atômico.
Ironicamente, esse texto é mais um exemplo de tudo o que eu falo acima. No entanto, mesmo que eu concorde com quem acredite que essa realidade onde todo mundo tem um megafone meio que não vá mudar, eu também acredito que algum limite seja necessário. E não, não falo sobre censurar ninguém não, mas, para parafrasear o Casemiro, as pessoas precisam voltar a ter vergonha de falarem bobagem.
Essa é a minha opinião.
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