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A lâmina do redemoinho · Jul 27, 2026

Crimes, castigos e recompensas

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Wellington de Melo · A lâmina do redemoinho

Crime e castigo. Colagem feita com ajuda do Cosmos e Flow AI.

No artigo anterior eu falei como editar é uma investigação forense de um crime cometido por outra pessoa. O autor que volta à cena do crime é o mesmo do manuscrito medonho que você acabou de terminar. Por isso, é o candidato principal para culpado a cair na armadilha da edição eterna. Mas preciso corrigir a metáfora, sob risco de não ser fiel ao que realmente acontece na edição.

Quando tu volta ao manuscrito para editá-lo, tu deixa de ser o criminoso afobado que queria terminar logo o serviço e passa a ser um investigador que precisa entender como se deu a coisa toda e solucionar o caso. Um investigador não é movido pela curiosidade mórbida do criminoso, mas pela obrigação de ofício. E para entrar na cena do crime, o investigador precisa de um protocolo de acesso. Um deles é a escolha das testemunhas. É sobre isso que vou falar no artigo de hoje.

Uma coisa precisa ser dita, que é meio óbvia, mas vai que as pessoas esquecem: quando você deixa o manuscrito descansando não significa que não tem trabalho sendo feito. Não é nem passivo nem tem um cronômetro certo. Stephen King recomenda em seu Sobre a escrita uma quarentena de seis semanas, mas isso não é regra, porque o importante não é o calendário: se tu não estiver pronto para assumir o papel que a Zadie Smith, no artigo que citei, chama de “desconhecido inteligente” lendo teu livro, nada feito, camarada.

Há um outro ponto que ela não mencionou e que é importante: nem sempre você é o primeiro a entrar na cena do crime, às vezes a escolha é por outra pessoa. Citando mais uma vez o Stephen King:

Tenho a impressão de que todo romancista tem um leitor ideal único; em vários pontos durante a composição da história, o escritor pensa “me pergunto o que ele/ela vai achar quando ler essa parte”. Para mim, esse primeiro leitor é minha esposa, Tabitha.”1

A rigor, ele diz quem é o primeiro leitor e, em tese, quando entrega o manuscrito, mas não fica claro como esse manuscrito chega. Nesse caso, estou falando menos do formato e mais do seu estado. Quão cru esse manuscrito chega à primeira leitura de King e quão desprendido ele é dessa crueza? Essa é outra questão a tratar e aqui posso apresentar minha experiência. É regra? Nunca. Serve a você? Talvez.

Na edição de um original pelo próprio autor, a regra é o contrário do que indica a medicina forense: lá, quanto mais tempo a cena do crime passa sem perícia, pior. No meu caso, as seis semanas de King eu já superei, mas ainda o original está marinando (Há um relógio paralelo contando, que é o da submissão a uma editora para que o livro saia ano que vem, mas isso é outra história). O fato é que preciso de mais um tempo para que se torne estranho, mas isso é um processo inevitável.

Enquanto estava em Santiago de Compostela, mesmo antes de terminar o original, eu já tinha começado a fazer exercícios de pré-edição, mas tu pode ser menos ansioso e fazê-los logo após terminar a primeira versão:

⚠️ A seguir, apresento alguns exercícios de pré-edição e falo sobre a ordem em que você pode escolher seus betas. Mas isso é só para assinantes pagos. Se ainda não faz parte da comitiva, essa é a hora. Inclusive porque quarta, 29, rola mais um encontro de edição ao vivo via Google Meet. Tu vai perder?

Read the original on alaminadoredemoinho.substack.com

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