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Lente · Jul 24, 2026

🔎 Déjà vu desinformativo

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#234: Velhas mentiras sobre urnas eletrônicas voltam a circular com a aproximação das eleições presidenciais

Oi, Luciana Corrêa, editora-chefe da Lupa, aqui. No Não vale a pena ver de novo de hoje, vamos conversar sobre um filme antigo, de roteiro fraco e falso, que algumas pessoas insistem em reprisar. A repórter Ethel Rudnitzki escreve sobre a fake que o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro reciclou essa semana ao falar de urnas eletrônicas. E lista outras mentiras que sempre voltam em ano eleitoral sobre o processo de votação. Vale guardar para quando alguma delas chegar em você nos próximos meses (porque, infelizmente, pode acontecer). Boa leitura e ótimo fim de semana!


Boatos sobre sistema eleitoral são filme repetido

A cada quatro anos o ciclo se repete: primeiro a Copa do Mundo, em seguida, a corrida eleitoral. Mudam jogadores e candidatos (nem todos), mas a história é a mesma.
A sensação com a derrota da seleção brasileira e o início da campanha eleitoral de 2026 é de filme repetido.

O clímax desse roteiro aconteceu essa semana quando o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) levantou dúvidas sobre o processo eleitoral brasileiro em evento com diplomatas. Troque Flávio por Jair e os diplomatas por embaixadores e voltará para julho de 2022, ao episódio que levou o ex-presidente à inelegibilidade.

O senador afirmou que as urnas brasileiras teriam a mesma origem dos equipamentos usados nas eleições da Venezuela, desenvolvidos pela empresa Smartmatic. Mais uma reprise. Alegações envolvendo a companhia venezuelana já foram desmentidas ao menos quatro vezes pela Lupa desde 2018.

Em todas essas vezes, repetimos que a Smartmatic nunca forneceu urnas eletrônicas ao Brasil e que o sistema eleitoral brasileiro é desenvolvido e operado pela Justiça Brasileira, sem interferência de empresas estrangeiras.

Em 2018, a Smartmatic foi a vencedora de um edital que previa a compra de 30 mil módulos de impressão de voto, 66 mil bobinas de papel e 25,3 mil cabinas de votação. Porém, nunca urnas. Entretanto, no mês seguinte, a empresa foi reprovada no teste de impressão do voto, realizado pelo TSE. A outra empresa licitante também foi desclassificada, fazendo com que, em maio, a licitação fosse definitivamente cancelada. Mesmo assim, a cada quatro anos, a mentira volta a nos assombrar.

A tendência é que isso aconteça também com outros boatos sobre o sistema eleitoral com o aproximar do pleito em outubro. Para compensar esse déjà vu desinformativo, vale a pena ver de novo verdades sobre as urnas eletrônicas:

  1. As urnas eletrônicas passam por longo processo de fiscalização e auditoria antes, durante e depois das eleições.

Os equipamentos são submetidos a testes públicos de segurança, nos quais investigadores os avaliam para encontrar possíveis vulnerabilidades, abertura do código fonte, cerimônia de lacração, impressão da zerésima antes do pleito e de boletins de urna após a votação. Essas etapas garantem a auditoria e segurança do processo eleitoral, desmentindo qualquer alegação contra a integridade do pleito.

  1. Nunca foram registrados casos de fraudes eleitorais envolvendo a captação ou totalização de votos nas urnas eletrônicas brasileiras.

Desde que o sistema foi implementado em 1996, nunca foi comprovada nenhuma diferença entre os resultados transmitidos pelos equipamentos e apurações paralelas feitas através de boletins de urnas por entidades fiscalizadoras, entre elas partidos políticos, Ministério Público, Forças Armadas, integrantes do Congresso Nacional, e também instituições privadas e sem fins lucrativos, como a Sociedade Brasileira de Computação (SBC).

  1. Denúncias anteriores não provaram manipulação

Alegações feitas pelo influenciador argentino Fernando Cerimedo e pelo hacker Walter Delgatti Neto sobre supostas fraudes nas eleições de 2018 e 2022 não trouxeram provas e foram baseadas em documentos falsos.

Postos esses spoilers, ficaremos preparados para enfrentar o que nos aguarda nos próximos três meses. Porém, se por acaso houver algum plot-twist, consulte nosso site e envie sua dúvida para gente através do Whatsapp (21) 99193 3751 ou e-mail jornalismo@lupa.news.

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  • A França se tornou o primeiro país da União Europeia a banir redes sociais para menores de 15 anos. Assinada esta semana pelo presidente Emmanuel Macron, a lei começa a ser implementada em setembro, com a proibição de novas contas para adolescentes. A partir de janeiro, a medida se estende também às contas existentes. Segundo os parlamentares, as plataformas devem adotar ferramentas de verificação de idade que já existem na UE, incluindo uma desenvolvida pela Comissão Europeia. Com a medida, a França se junta a uma lista de 20 países do mundo a introduzir o banimento de redes sociais para menores. [Luiz Henrique Gomes, editor-assistente]

  • A Copa do Mundo chegou ao fim no último domingo (19) com o bicampeonato da Espanha. Logo após a derrota da Argentina, uma onda de teorias da conspiração tomou conta de redes como Facebook, YouTube, TikTok e X, alegando que a seleção de Lionel Messi "entregou" a partida por interesses políticos e econômicos. O episódio resgatou um fantasma conhecido dos brasileiros: a famosa corrente de e-mail que circulou após a final da Copa de 1998 e que, até hoje, é adaptada para criar fakes. Na época, viralizou uma mensagem que começava com a frase atribuída ao jogador Leonardo: “Se as pessoas soubessem o que aconteceu na Copa do Mundo, ficariam enojadas”. [Ítalo Rômany, repórter]

  • Este artigo do The Conversation mostra como a desinformação prejudica a relação de confiança entre a população e os profissionais da Atenção Primária em Saúde (APS) – principal porta de entrada para o SUS. Baseados no medo e na dúvida, conteúdos enganosos – cujo foco segue sendo a vacinação – ganham rápida adesão e abalam a credibilidade de autoridades técnicas e da ciência. O estudo base mostra que as estratégias de combate não devem ser apenas de correção factual, mas de ações combinadas, que vão do letramento informacional à capacidade de escuta dos profissionais – recursos escassos numa rede sobrecarregada. Segundo a pesquisa, 51% dos profissionais da APS dizem verificar se a fonte da notícia é confiável, mas pouco mais de 30% apagam quando recebem um conteúdo enganoso. [Victor Terra, coordenador de Educação]


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