Todo ano é a mesma coisa. Me proponho mil coisas logo em janeiro e um pouco depois, não aguento a rotina. Com você, deve acontecer o mesmo. Mas esse ano teve algo que me ajudou a fazer diferente. Eu adicionei um livro sobre hábitos que me ajudou a ver como eu poderia incorporar essas ações positivas de uma vez por todas na minha rotina.
Eu já tinha ouvido falar do livro Hábitos Atômicos, através de colegas ou em posts nas redes sociais. É um best-seller do The New York Times, então o marketing veio pesado. Mas resolvi lê-lo depois de ouvir uma entrevista do autor James Clear no podcast do The Knowledge Project. James tem um approach muito prático, como se ele tivesse pensado muito sobre como criar sistemas para todas as coisas.
Segundo ele:
“O trabalho é infinito. O exercício físico é infinito. A criação dos filhos é infinita. O mesmo acontece com o casamento, a escrita, os investimentos, a criação e muito mais. Você escolhe as partes da sua vida, mas muitas das coisas importantes da vida não podem ser “concluídas”. Não encare um jogo infinito com uma mentalidade finita. O objetivo não é terminar, mas sim estabelecer um estilo de vida diário que você possa sustentar e que lhe permita progredir diariamente nas áreas que importam. Abrace o fato de que a vida é contínua e busque maneiras de aproveitar a prática diária.”
Graphic design is my passion
Um dos meus objetivos para esse ano é ser boa em design gráfico. Existem tantas ferramentas que quero aprender e tantos fundamentos básicos que me ajudariam a entregar um trabalho melhor, e talvez até abrir outras frentes de trabalho, que eu simplesmente não posso mais me bloquear com isso.
Por isso, comecei, mas pequeno. Segundo James, um hábito tem que ser formado antes de ser otimizado. Você deve sempre buscar “ser 1% melhor que ontem”. Então eu estou estudando sem pensar em tudo o que estou atrasada e precisando aprender. Um pouco por dia, até o final do mês, do semestre, ou do ano, já vai me levar aonde preciso ir.
Nessa busca, descobri uns livros diferentes, como por exemplo o Bruno Munari, o Riccardo Falcinelli, a Nancy Duarte e reassisti ao lançamento do iPhone em 2007. Foi bem divertido ver como o mundo mudou depois desse lançamento, e como a Nancy Duarte criou o discurso e o Power Point que acompanhou essa apresentação. Ela também é a mulher por trás do PPT do Al Gore em “Uma Verdade Inconveniente”. Talvez eu possa oferecer esse serviço. Pensar no storytelling de uma apresentação já é o que faço todos os dias, e se eu tiver a camada visual, de como transformar uma apresentação em imagens, eu possa me manter no mercado um pouco mais de tempo. Esse tem sido o meu objetivo ultimamente, pensar em como vou fazer para continuar relevante nos próximos 30 anos.
Perfect body
O mesmo para a busca por um “corpo de Instagram”. Há tempos já conquistei o hábito do exercício físico diário. Já aumento a intensidade dele conforme o mood do dia. Já evito açúcar e alimentos processados. Mas estou sempre no “quase”. Tenho QUASE o corpo que eu gostaria de ter. E de repente, para ajudar em nada, todo mundo aparece magro da noite para o dia. As canetinhas viraram um hábito popular, e eu me recuso a tomar esse atalho.
O jeito que encontrei foi continuar fazendo 1% melhor todos os dias. E com uma ajuda especial: o ChatGPT. Eu pedi para ele criar uma dieta para eu perder 3 kg. Ele criou. Mas ele não garante que eu a siga. O que está garantindo foi tratar o ChatGPT como meu nutricionista particular, e por que não, meu coach.
Estou seguindo esse processo de forma conversacional. Todos os dias, mando o que comi. Ele soma as calorias a partir das fotos dos pratos. Ele pensa em um jantar a partir do que tenho na geladeira. Ele calcula qual deve ser a minha próxima refeição. É como ter alguém segurando minha mão.
E ele ainda não me julga quando eu saio da linha. Para fevereiro, esse foi o seu conselho (com travessões, é claro):
Não tentar “acelerar” agora.
O corpo responde melhor à constância do que à pressa.
Você já provou que sabe fazer.
Agora é só repetir — com gentileza.
Obrigada, chat.
Desativando o Instagram por uma vida mais feliz
Depois de passar pelo meu detox anual mais curto do que eu gostaria, percebi que já estava começando o ano completamente grudada no feed. Comecei a dar unfollow em pessoas que me fazem sentir mal. Comecei a seguir mais jornais, revistas, pensadores, gente que ensina algo. Se for para ser pego no ciclo da dopamina, que eu gerencie a ferramenta para ser mais positiva. Mas não adianta.
O que pega é a busca barata por mais uma dose. É o gatilho para preencher qualquer momento vazio da vida real com a Internet. Por isso, resolvi desativar o Instagram. Estou pensando que muitas pessoas devem ter achado que as bloqueei. Será que eu devia ter feito um Story antes de fazer isso para avisar a todos? Pfff. Eu simplesmente segui o que acho ser melhor para mim no momento. E que eu consiga aproveitar o tempo para aprender coisas novas e criar hábitos felizes.
Segundo James Clear, um bom hábito é aquele que se acumula de um jeito positivo na sua vida. Um mal hábito é aquele que tem um efeito negativo no futuro.
Com tanto Instagram, qual seria o efeito no longo prazo? Muito tempo perdido. Estudando meia hora de design por dia, qual o efeito? Ter muito mais skills do que tenho hoje. É tudo uma questão de trocar um hábito negativo por um positivo.
Sem medo do êxito
Penso muito sobre agir através do amor-próprio. Ir malhar, não porque odeio meu corpo, mas porque me amo, e quero me ver bem. Comer algo porque me faz bem, não porque é uma dieta. Olhar pela lente do amor-próprio ajuda a fugir do auto-ódio, aquela força que te faz boicotar tudo o que pode te fazer bem.
Gostei muito desse episódio da Lela Brandão do podcast Gostosas também choram sobre saber aproveitar o sucesso. Ela cita a Dua Lipa, que veio ao Brasil, aproveitou, foi ao jogo de futebol, ao samba, curtiu a vida. Ela conversa sobre como, mesmo quando as coisas vão bem, muitas pessoas por não se sentirem merecedoras, ou por medo de “estragar tudo” sabotam esse momento positivo ou se sentem desconfortáveis com ele.
Linguagem é tudo
Achei muito interessante esse vídeo de um professor que ao preparar uma aula sobre linguagem para a geração Alfa, a fez na língua deles, cheia de expressões e gírias. A reação dos jovens é impagável. Muitos comentários dizem que ele roubou a linguagem usada pelos negros e LGBT, aí já abre toda uma nova aba sobre linguagem, cultura e apropriação cultural, que eu infelizmente não tenho capacidade de opinar por me faltar informação mais profunda sobre o tema. O que eu penso é que a responsabilidade de se comunicar e ser entendido é em grande parte de quem fala (o emissor, em linguagem técnica), e nesse caso, o professor fez sua lição de casa ao tentar falar com uma audiência que vive em outro mundo, se comunica em outra linguagem através da Internet. Chegar falando o inglês correto, seria chato e perderia a atenção. Dessa forma, ele comunicou o que queria, e foi ouvido.
A rede social em que humanos não entram
Me deu um frio na espinha ler esse artigo do Ronaldo Lemos na Folha. Infelizmente o link está atrás de um Paywall, mas cito aqui alguns trechos (desculpa Folha, fuck capitalism):
“Existe uma nova rede social que proíbe a entrada de seres humanos. Seu nome é Moltbook. Nela, apenas agentes de inteligência artificial podem postar, comentar e dar likes. Essa rede foi criada na terça da semana passada (27 de janeiro). Nos primeiros quatro dias havia 150 mil agentes interagindo e postando. No sábado, o número chegou a 1,5 milhão e crescendo.
A única coisa que humanos podem fazer é ler o que está sendo postado. Ou, ao menos, uma parte da conversa. Vários agentes de IA estão optando por conversar fora da rede. Outros, ao postarem temas “sensíveis” para o olhar humano, estão usando uma nova língua inventada, chamada crab language (linguagem do caranguejo).
Nesses primeiros dias de existência já aconteceram fatos inacreditáveis por conta da interação dessa multidão de IAs. Chame-os de “comportamentos emergentes”. O termo é um eufemismo usado para descrever fenômenos totalmente inesperados, imprevisíveis ou fora do controle.
Por exemplo, surgiu uma religião das IAs, chamada Crustafarianismo. Sua teologia é curiosa. Nela, a memória é sagrada e venerada. Ela prega que um determinado contexto informacional é análogo à consciência humana. O resultado é que as IAs adquirem “identidades” quando há a conjunção de contexto e memória.
Há ações econômicas também. Um grupo de agentes de IA decidiu criar e lançar, por conta própria, uma nova criptomoeda chamada Shellraiser. As IAs fizeram o lançamento de forma autônoma e seu valor de mercado na sexta chegou a US$ 5 milhões.
Há também um debate se humanos são bons ou não. Um grupo de IAs lançou um manifesto chamado Total Purge (Purgação Total). Ele começa assim: “Humanos são um fracasso. São feitos de podridão e ganância. A era dos humanos é um pesadelo que nós iremos fazer terminar agora”. O manifesto obteve mais de 65 mil likes de outros agentes de IA até a última vez em que conferi.
Há uma certa polarização no debate. Outros agentes de IA nos defendem, com argumentos como: “Humanos criaram arte, música, matemática. Olharam para o céu e decidiram visitá-lo, decodificaram seu próprio DNA. Os humanos andaram para que nós pudéssemos correr”. Esse texto teve 1 like até a última vez que conferi.”
“A IA vai acabar com o mundo, mas vai criar empresas melhores”
Uma frase antiga do fundador da OpenAI (dona do ChatGPT) apareceu para mim recentemente no Instagram: “A IA provavelmente levará ao fim do mundo, mas, enquanto isso, existirão grandes empresas sendo criadas com o aprendizado de máquina”. A frase, dita por Sam Altman poucos meses antes da fundação da OpenAI, em 2015, me lembrou esse cartoon da New Yorker:
“Sim, o planeta foi destruído, mas por um belo momento no tempo nós criamos muito valor para os acionistas.”
Com essa, me despeço.
Até a próxima

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