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VOLTA A MODA · Jul 24, 2026

Você precisa voltar a brincar

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Marri Mamede · VOLTA A MODA

Eu tenho sentido uma vontade cada vez mais forte no coração: brincar. Não jogar, isso acaba acontecendo na vida adulta de algumas formas. Brincar mesmo. Usar a imaginação para criar histórias e mergulhar completamente no universo delas, como se nada mais importasse. Mas por que esse pensamento parece quase ilegal aos 21 anos?

Essa vontade tem influência em algumas coisas. A primeira foi a leitura de A bolsa amarela, de Lygia Bojunga Nunes. A obra foi escolha do meu clube do livro no mês e é um clássico da literatura infantil de uma menina que materializa suas vontades e as guarda dentro da sua bolsa amarela. Como toda criança, Raquel tem uma imaginação mágica e a história é uma grande mistura da realidade com as brincadeiras na cabeça dela.

O mais lindo foi, na discussão do clube, perceber como todas as mulheres - cada uma da sua maneira - se viu na personagem. A gente cresce criando nossa própria realidade e isso não é escapismo, é brincadeira. É a coisa mais pura que existe. De uma hora pra outra, “inventar” se torna mal intencionado, proibido e imaturo. E que chato é ter que viver só na vida real.

Eu me lembro do exato dia em que parei de brincar. Nunca tive pressa de crescer e, com 8 anos, ainda brigava na escola defendendo a existência do papai noel. Aos 10 anos mudei de escola e, consequentemente, de amizades. A pré adolescência abre espaço para um período onde você brinca de Barbie depois da sua escola e sua amiga começa a namorar, e a pressão social começa a te mudar. Foi na escola, com uma garota comentando o quão “criança” eu era, que a vergonha de brincar me tomou por inteiro. No mesmo dia, pedi à minha mãe quase todas as minhas bonecas.

11 anos depois assisti Toy Story 5 no cinema. O filme já prometia me emocionar com uma música da Taylor na trilha sonora e a Jessie como protagonista. Mas ver a cena mágica de como todo o universo muda durante a brincadeira me teletransportou para a nostalgia dos meus 10 anos. A quanto tempo eu não sinto mais aquela alegria?

Isso me lembra a música Eldest Daughter, um trecho específico que me emociona toda vez que escuro. O eu lírico, contando da leveza de seu novo amor, fala como a última vez que sentiu alegria tão forte e pura, foi pulando em um trampolim quando criança. Eu penso em como a felicidade que passamos a vida toda procurando é a que vem mais fácil em qualquer brincadeira na infância.

Na canção, o que muda a menina do trampolim é cair e quebrar o braço. Naquele mesmo dia ela aprende o que é cautela, precaução e discrição - isso a muda pra sempre. Comigo, foi guardar as Barbies em cima do armário.

No fim do encontro do clube do livro, a gente decidiu fazer uma dança das cadeiras. E aquela pontinha de brincadeira - assim como as histórias da Raquel e da Jessie - trouxeram de volta um pouco da criatividade e felicidade da minha criança interior.

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Read the original on voltaamoda.substack.com

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