Acabei de passar por um período de transição entre trabalhos. Geralmente eu sempre fui “puxado” para algo novo, mas dessa vez foi diferente: eu ativamente estava procurando uma nova casa pra mim. Conversei com seis empresas, algumas delas brasileiras, acabei fechando com uma obviamente, mas o que quero compartilhar aqui são duas coisas, uma é o “shitshow” (não existe termo melhor pra descrever) que são os processos de entrevistas e como os recrutadores, que na minha imaginação precisam ser pessoas que sabem se comunicar bem com pessoas, são na verdade, uma categoria a parte que eu sinceramente não entendo como pensam e funcionam.
A outra foi existencial, eu me perguntei várias vezes e ainda me pergunto se eu realmente tenho credenciais e moral pra criar conteúdo como essa newsletter. Eu, aquele que fica martelando a disciplina de Design que precisa proteger o craft, a emoção — só sei, que nada sei.
Eu preparei um deck, pedi conselhos a colegas pra deixar esse documento bem montadinho, etc… mas ainda não sei se a pessoa que estava olhando o deck do outro lado da tela, estava pensando algo do tipo “Jesus, que trabalho lazarento de feio” — investi um tempão nesse deck, e nem precisei usar pra empresa que acabou me contratando 🫠.
Vou gravar um vídeo mostrando todo o deck, acho que pode ser útil pra muita gente aqui, fiquem ligados. Seguem umas screenshots pra vcs terem uma idéia:
Mas hoje, eu quero focar em um detalhe que aprendi durante todo esse processo, que eu sinceramente não sabia que iria influenciar tanto assim as conversas que tive, vamos começar com os 3 pontos abaixo
O sistema de recomendações e as vagas que vemos no LinkedIn ou nos sites das empresas é um grandíssimo buraco negro… ninguém entende direito como funciona, cheguei a ver absurdos do hiring manager não saber que fim levou uma aplicação.
Empresas decidem que você não é o candidato ideal porque eles não vão poder dizer que contrataram um ex-Google, ex-Meta ou ex-Apple.
Networking é tudo.
É sobre o ponto 2 que quero me aprofundar. Para muitas empresas, o nome no currículo vale mais do que o trabalho em si. É como se ter “Google” ou “Meta” estampado fosse um selo automático de qualidade, e você pensa que deveria ser certo? Basta olhar os produtos que essas empresas entregam. Eu conheço designers nessas bigtechs que são absurdamente bons, profissionais top. Mas… também existem medíocres, cansei de ver logo de bigtech em CV, daí vou dar uma olhada no trabalho da pessoa e da vontade de sair correndo.
Mas a mediocridade não importa quando é somente a mensagem que vale e não a qualidade do trabalho. Ou seja, a busca cega por profissionais “com pedigree bigtech” diz muito mais sobre quem contrata do que sobre quem é contratado. Parece uma versão atualizada da nossa velha síndrome de vira-lata, agora aplicada ao mercado de tecnologia: acreditar que o que vem de fora é sempre melhor. Isso ficou evidente nas conversas que tive com empresas brasileiras — muitas sonham em contratar alguém “que passou pelo Google”, como se a marca funcionasse como um filtro mágico que garante genialidade.
Eu tentei entrar em duas delas no passado, mas não consegui em nenhuma das vezes, e sendo sincero com vocês, me arrependo de não ter insistido. Não só pelo lado financeiro, que é espetacular, mas porque percebo o peso simbólico desse “checkbox” que ficou em branco no meu currículo. Achei que minha experiência diversa — trabalhando em estúdios de design, em agências de propaganda, tendo escritório próprio, organizações multinacionais e, mais recentemente, startups — valeria tanto quanto (ou até mais do que) um logo de bigtech. Mas aprendi, tarde demais, que não é bem assim.
O fluxo é o seguinte: Não consegui entrar em uma bigtech → Não consigo entrar em empresa X porque nunca entrei em uma bigtech → Sou mesmo um bom profissional porque nunca consegui entrar em uma bigtech? → Repete o ciclo e a neura está instalada.
E vejam como é a vida, na primeira vez que entrevistei, foi com o Facebook acho que em 2017 ou 2018, época que para o último round de entrevistas eles pagavam viagem de 1º classe para San Francisco e hotel ⭐️⭐️⭐️⭐️⭐️, e mais uma curiosidade, entrevistei com a Loredana, que acabou de ir para o Figma como CDO, e com a Julie Zho também. Mucho loco.
Pra concluir a conversa de hoje, eu gostaria de dar um conselho aos designers mais jovens. Tentem entrar em uma empresa que coloque um logo de peso no seu currículo. Mesmo que não seja o trabalho dos sonhos. Mesmo que dure pouco. Vá lá, ganhe sua grana, coloque o logo no LinkedIn e depois siga seu caminho. Porque o peso disso no mercado, especialmente no Brasil — é real.
Não é justo. Não é meritocrático. Mas é o jogo como ele é jogado.
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The Design Edition tem materiais nos seguintes formatos:
🎧 The Design Edition podcast (2018 - 2021)
👨🏻💻 Casos Reais de Design (Playlist no YouTube)
🏷️ Mapeamento de Carreira (Google Sheet)
Abraço e até a próxima
Al Lucca - vamos nos conectar lá no Linkedin
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