No fim do ano passado, fiquei dias pensando na notícia da morte do Lô Borges.
Mineiro como eu, participante do Clube da Esquina, ele fez parte de uma época muito viva da minha faculdade, em que tudo é descoberta, excesso e urgência. Depois, o tempo andou e me afastei um pouco da sua música.
Ano passado, bastou a notícia da morte dele chegar para que meu Instagram fosse inundado de vídeos, músicas, versos e homenagens. E eu lembrei que muitas músicas que eu amo (e que eu cantava na voz de outros artistas) eram dele. Fui ouvindo uma a uma, como quem mexe em um baú de fotos antigas. E, sem perceber, passei alguns dias me sentindo mais mineira do que costumo me sentir, há vinte anos vivendo fora de BH.
De repente, uma sensação de pertencimento.
Um amor profundo pelo Clube da Esquina, por BH, pelo horizonte em que eu vejo a montanha se encontrando com o céu.
Vi homenagens cheias de vida. Lindas! E me dei conta, mais uma vez, da força que a arte tem de unir. Mesmo não nos conhecendo, mesmo distantes… especialmente quando já deixamos um lugar que ainda permanece dentro da gente.
Num mundo que parece cada vez mais fragmentado, acelerado e carente de sentido, a arte se torna ainda mais preciosa. Ela é identidade, encontro entre gerações, possibilidade de sentir junto. Ela nos devolve ao que importa.
Talvez seja por isso que insisto tanto para que as pessoas criem.
Não para “ser” o Lô Borges, ou qualquer outra pessoa, mas para beber dessa força de vida. Criar é encontrar um jeito próprio de estar no mundo.
Deixo aqui duas coisas que me emocionaram nesses dias:
Uma homenagem linda, cheia de gente feliz cantando suas músicas. Prova de que o luto pode ser vivo, alegre, comunitário: quem sabe isso quer dizer amor
E essa gravação de “Um girassol da cor do seu cabelo”, com Milton Nascimento, Xênia França e Liniker, feita na pandemia. Uma das gravações mais lindas dessa música, na minha opinião (essa eu não tinha perdido de vista que era dele): um girassol da cor do seu cabelo. (a música está no minuto 21)
Tão bonito tudo… e meu pensamento desvia para os homens do Vale do Silício e suas ideias de congelar o corpo, ir para a lua, transferir consciência para máquinas tentando escapar da morte. Olho para esses delírios, confronto com as pessoas cantando juntas a música do Lô Borges e percebo (de novo) que o jeito mais honesto de permanecer vivo é deixar legado: o tanto de vida que a gente deixa nos outros.
Isso é ser eterno.
"vento solar e estrelas do mar."
Até a próxima,
Renata
P.S.1
Tenho horários de acompanhamento individual disponíveis, presencial no Itaim Bibi ou online. É um espaço semanal (ou quinzenal) onde a arte vira caminho de cuidado. Se você ficou curiosa, me escreve. Podemos marcar uma conversa inicial para você conhecer o ateliê e me contar o que você está buscando.
P.S.2
Mudei de ateliê. Agora estou no Itaim Bibi, numa ruazinha tranquila, dividindo o espaço com duas terapeutas queridas, numa sala cheia de plantas e silêncio bom. Meu site está novo e revisado: renatamalachias.com
P.S.3
A newsletter é um espaço que estou cultivando com carinho. Se você quiser reenviar para alguém que possa se interessar pelos temas que trago, agradeço demais. Palavra compartilhada abre caminhos.

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