Bonjour mes élèves!
O Brasil está fervendo de shows ao vivo!
Beijos,
Rodrigo Lampreia
📱 Os números nunca foram tão grandes. E as perguntas nunca foram tão urgentes.
Universal Music Group, Sony Music e Live Nation divulgaram resultados recordes praticamente na mesma semana. A UMG faturou US$ 3,83 bilhões no segundo trimestre, alta de 13,3%. A Sony ultrapassou US$ 3 bilhões em receita pelo terceiro trimestre consecutivo, atingindo US$ 3,12 bilhões no Q2 2026, impulsionada pelo Michael Jackson. A Live Nation chegou a US$ 7,7 bilhões entre abril e junho, com 49 milhões de pessoas em seus eventos e 143 milhões de ingressos vendidos até meados de julho. Mesmo com estádios bloqueados pela Copa do Mundo, o mercado de shows nunca foi tão grande. E São Paulo vai ganhar a maior arena coberta dedicada ao entretenimento ao vivo da América do Sul, um investimento de R$ 1,5 bilhão com inauguração prevista para 2028.
Mas enquanto os números crescem, a disputa por quem controla as regras da música fica cada vez mais intensa.
Um tribunal alemão condenou a Suno por usar obras protegidas para treinar seus modelos de inteligência artificial sem autorização. É a segunda vitória de criadores contra uma empresa de IA generativa na Justiça europeia. Ao mesmo tempo, UMG, Sony, Warner e outros grandes grupos propuseram que músicas geradas por IA sem licenciamento deixem de ser elegíveis às paradas oficiais. A IFPI já respondeu com três critérios simples: ferramentas autorizadas, criação substancialmente humana e nenhuma manipulação de streams. Pela primeira vez, a indústria parece tentar construir regras antes que a tecnologia avance mais do que ela.
O BTS anunciou que não vai inscrever músicas no 69º Grammy. Não como protesto, mas por entender que o reconhecimento conquistado pelo grupo já ultrapassou o que a premiação hoje representa para eles. Pouco depois, a Recording Academy removeu discretamente do seu site os vídeos históricos de “Dynamite” e “Butter”, sem qualquer explicação. Enquanto isso, o Latin Grammy abriu sua primeira rodada de votação lembrando artistas e equipes de uma regra importante: campanha pode, pedido de voto não.
E por trás de tudo isso continuam existindo problemas antigos. Mulheres representaram apenas 5,9% dos produtores das músicas que entraram no Hot 100 em 2024, um índice que voltou a cair em 2025. Ao mesmo tempo, o novo jabá da indústria já não acontece nas rádios. Acontece nas redes sociais. Agências contratam nano-influenciadores para disputar quem viraliza mais um áudio, impulsionando músicas sem que o público saiba que aquela tendência foi patrocinada.
A tecnologia muda. O dinheiro cresce. As plataformas evoluem. Mas a pergunta continua a mesma: quem define as regras da música? E quem fica de fora delas?
A próxima edição do Soho Sessions São Paulo vai ser divulgada já já. Enquanto isso, teremos edições exclusivas do Soho Hangover em São Paulo. A próxima é no dia 27 de Agosto. Se ainda não acompanha o Soho, segue a gente no Instagram e entra no grupo de WhatsApp para receber novidades e convites do Hangover em primeira mão.
O Soundcheck Coffee volta logo! Em breve anunciamos a data e os convidados da edição de agosto em novo local. Enquanto isso, vai lá no nosso canal do YouTube maratonar os últimos episódios. Boas conversas antes do palco.
Essa semana fiz um vídeo no Instagram falando sobre a dificuldade de ser artista.
A música continua sendo palco, indústria e memória. Ao mesmo tempo.
🔗 [clique nos links para ler]
🔗 Tribunal alemão condena Suno por violação de direitos autorais na ação movida pela GEMA
👉🏾 O Tribunal Regional de Munique decidiu que a Suno usou músicas protegidas para treinar seus modelos sem licença ou pagamento. A plataforma foi condenada a divulgar receitas e pagar danos ainda a serem calculados. É a segunda vez que um tribunal europeu decide a favor de criadores contra uma empresa de IA generativa.
🔗 Majors e independentes propõem banir músicas de IA não licenciadas das paradas oficiais do mundo
👉🏾 UMG, Sony, Warner, Believe, BMG, HYBE e mais oito selos propõem que apenas músicas “substancialmente feitas por humanos”, com IA licenciada e transparência nas plataformas, possam entrar nas paradas. Mas as próprias majors discordam entre si sobre quais ferramentas de IA são “autorizadas”.
🔗 IFPI anuncia três regras simples para elegibilidade de músicas com IA nas paradas oficiais
👉🏾 Para entrar nas paradas, uma música feita com IA precisa: usar serviço de IA autorizado e legal, ser substancialmente criada por humanos e não ter streams ou posições manipuladas. A IFPI já aplica as regras em paradas da América Latina, Oriente Médio, África e Sudeste Asiático.
🔗 Universal Music Group fatura US$ 3,83 bilhões no Q2 2026, alta de 13,3%
👉🏾 Maior receita trimestral da história da UMG, impulsionada por Noah Kahan, BTS, Olivia Rodrigo, Drake e Olivia Dean. Streaming 2.0 começa a mostrar resultado. A consolidação da Downtown Music Holdings também contribuiu para o crescimento.
🔗 Sony Music atinge US$ 3,12 bilhões no Q2 2026, impulsionada pelo Michael Jackson
👉🏾 É o terceiro trimestre consecutivo da Sony acima de US$ 3 bilhões e o maior dos três. Crescimento puxado por streaming, live events, merchandising e pelo impacto do biopic do Michael Jackson. A major japonesa consolida sua posição no mercado global.
🔗 Live Nation bate recorde histórico: US$ 7,7 bilhões em receita no Q2 2026
👉🏾 49 milhões de fãs foram a shows no trimestre, alta de 10%. Ticketmaster cresceu 15% em receita. 143 milhões de ingressos vendidos até meados de julho. Mesmo com estádios bloqueados pela Copa do Mundo, o mercado de shows nunca foi tão grande.
👉🏾 A maior arena coberta dedicada ao entretenimento ao vivo da América do Sul será construída na Zona Norte de São Paulo, com obras iniciando ainda em 2026 e inauguração prevista para 2028. Mais de 200 shows e eventos esportivos por ano.
🔗 BTS recusa submissão ao Grammy e levanta debate sobre o espaço do K-pop nas premiações ocidentais
👉🏾 O BTS anunciou que não vai submeter músicas ao 69º Grammy, recusando uma versão de reconhecimento que consideram menor do que aquela que seu ano já conquistou. “ARIRANG” liderou o Billboard 200 por três semanas. A análise da Billboard: não é boicote, é o grupo saindo antes do final de um filme que já conhece.
🔗 Grammy remove vídeos históricos do BTS do site oficial após boicote do grupo
👉🏾 Logo após o BTS anunciar que não submeteria músicas ao 69º Grammy, a Recording Academy removeu silenciosamente vídeos históricos das performances de “Dynamite” e “Butter” do site oficial. Sem comentário da Academia. Fãs ao redor do mundo começaram a reupar os clipes nas redes sociais.
🔗 Aberta votação do Grammy Latino: veja as regras para pedir apoios
👉🏾 A primeira rodada de votação do Latin Grammy 2026 está aberta até 10 de agosto. Artistas e equipes podem divulgar obras, mas não podem usar o logotipo da premiação, mencionar categorias ou pedir votos diretamente. Violação das diretrizes pode levar à desclassificação.
🔗 A indústria da música ama mulheres bem-sucedidas. Mas ainda não investe o suficiente nelas
👉🏾 Em 2024, mulheres representaram apenas 5,9% dos produtores e 18,9% dos compositores nas músicas do Hot 100. Nos festivais, 21,6% dos headliners. A representação até regrediu em 2025. Celebrar Taylor Swift e Beyoncé não resolve o sistema. O investimento precisa acontecer antes do sucesso, não depois.
🔗 Clips ao vivo estão se tornando a principal porta de entrada para descoberta de novos artistas
👉🏾 A jornada do fã mudou: antes era ouvir, comprar o disco, ver ao vivo. Agora começa num clip vertical de 20 segundos no TikTok. 82% da Gen Z descobre música por vídeos em redes sociais. O show virou ativo de conteúdo, e o clipe imperfeito filmado na plateia convence mais do que qualquer videoclipe oficial.
🔗 O novo jabá: como influenciadores ganham para viralizar músicas sem você saber
👉🏾 Agências de marketing musical pagam nano-influenciadores para criar competições de clipagem: quem mais posta com o áudio da música ganha cachê. Drake e Anitta estão entre os artistas que usam o serviço. Viralizar não é sorte. É método. E é pago.
🎧 Os melhores lançamentos semanais do Brasil e do mundo na Playlist Out Now! by Rodrigo Lampreia no Spotify.
Eis meu Top 5 | Semana 31 de Julho
1️⃣ Big Feelings — Ariana Grande (Petal)
2️⃣ Nação — João Bosco, Hamilton de Holanda (Amigos Novos e Antigos)
3️⃣ In My Lifetime — JAY-Z (In My Lifetime)
4️⃣ Eu Te Avisei — Ferrugem, Péricles (As Vozes, Vol 2 Ao Vivo)
5️⃣ Coming Home — Odeal, Jorja Smith (For a Good Time)
Uma semana de grandes encontros entre gerações, estilos e histórias. Ariana Grande abre com uma das faixas mais intensas de Petal, confirmando que esse é um dos seus trabalhos mais maduros. João Bosco e Hamilton de Holanda se encontram num dueto que é pura elegância brasileira. JAY-Z revisita o início da carreira com autoridade e nostalgia. Ferrugem e Péricles entregam um dos momentos mais bonitos do pagode ao vivo do ano. E Odeal e Jorja Smith fecham com uma colaboração upbeat e cheia de alma.
A playlist reúne músicas das últimas semanas. Ouve tudo na minha playlist no Spotify. Atualização toda sexta-feira. Segue, salva e volta semana que vem!
💿 Alguns discos chegam antes do tempo. E o tempo leva anos para alcançá-los.
Mais — Marisa Monte (1991)
Gravado entre setembro e novembro de 1990, Mais foi o segundo álbum de Marisa Monte e o primeiro com músicas autorais. A produção ficou com Arto Lindsay, guitarrista americano radicado no Brasil, e o disco contou com Ryuichi Sakamoto no piano, Naná Vasconcelos na percussão e Melvin Gibbs no baixo. Uma internacional que soava completamente brasileira.
“Beija Eu”, composta por Arnaldo Antunes, Marisa e o próprio Arto Lindsay, abriu o disco e se tornou um dos maiores clássicos da MPB. “Ainda Lembro”, parceria com Nando Reis e com participação de Ed Motta, mostrou que Marisa tinha chegado com compositores que durariam décadas. “De Noite Na Cama”, de Caetano Veloso. “Rosa”, com melodia de Pixinguinha. Um disco que olhava para o passado e para o futuro ao mesmo tempo.
Mais vendeu mais do que o debut, levou Marisa a shows nos Estados Unidos, Europa e Japão, e consolidou parcerias que marcariam os anos seguintes. Arnaldo Antunes, Nando Reis, Ed Motta, Arto Lindsay. Numa semana em que a indústria debate quem define as regras da música, “Mais” lembra que algumas carreiras nunca seguem as regras da indústria. Elas acabam criando as próprias.
Nos vemos terça que vem. Até lá, ouça um disco inteiro, vá a um show e descubra um artista novo.
Beijos,
RL
💼 Eu sou Rodrigo Lampreia (@rodrigolampreia). Executivo da música, diretor artístico, curador e empreendedor cultural. Atuo há mais de 25 anos conectando criação artística, estratégia de negócios e desenvolvimento de talentos. Sou fundador do Soho Music Group, ecossistema que integra Soho Sessions, Soho Music Records, Soundcheck Coffee e Borogodó FM, e, escrevo esse Soho Notes a partir de quem vive a música entre palco, estúdio, bastidores e mercado.
📥 Se quiser trocar uma ideia, me escreve no oi@sohomusicgroup.com.br
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