Bonjour mes élèves!
Desejo uma excelente leitura!
Beijos,
Rodrigo Lampreia
📱 Pela primeira vez, músicas geradas por inteligência artificial representam mais da metade de tudo que chega ao Deezer todos os dias.
A IA deixou de ser uma discussão sobre o futuro. Ela já faz parte da operação da indústria, e agora o mercado tenta correr atrás das consequências.
A Sony Music ampliou sua ação contra a Udio, adicionando mais de 30 mil gravações ao processo e pedindo até US$ 150 mil por obra supostamente infringida. Enquanto isso, UMG e Warner seguiram por outro caminho e fecharam acordos de licenciamento com a plataforma. Três majors. Três estratégias completamente diferentes para lidar com a mesma tecnologia. O precedente que vai definir os próximos anos ainda não existe. Na Europa, a GEMA se uniu à startup PLAI para criar o primeiro sistema de rastreamento e remuneração de compositores cujas obras alimentam modelos de IA. E o New York Times publicou um guia didático sobre o tema: como esses modelos são treinados, se artistas recebem compensação, o que é legal, o que ainda não é e por que tudo isso continua tão difícil de regular.
Mas a semana também fala de algo que nenhum algoritmo consegue replicar.
Jão reuniu 11 mil pessoas no Vale do Anhangabaú para apresentar Memórias Póstumas antes de o álbum chegar às plataformas. Cadeiras organizadas como numa igreja. Flores, carpete verde e o cantor de terno. Escrito durante o luto pela morte do pai, depois de mais de um ano longe dos palcos, o projeto transformou uma audição pública em uma verdadeira experiência coletiva. Eu estive lá e contei tudo que achei nesse vídeo no meu Instagram. Anitta entrega com Equilibrium II um dos trabalhos mais coesos da carreira, aprofundando uma narrativa espiritual com referências ao axé e ao candomblé. E Xuxa reuniu 50 mil pessoas em uma fila virtual em menos de uma hora para garantir ingressos de sua primeira turnê em décadas. Algumas carreiras deixam de disputar tendências. Passam a disputar memória.
A Gen Z já gasta mais em shows do que os Millennials, viaja para outros países para assistir aos seus artistas favoritos e está mudando o modelo do mercado ao vivo. O marketing de shows em 2026 é fragmentado, preditivo e hiperlocal. Os próximos grandes gêneros musicais estão sendo construídos dentro dos estúdios antes mesmo de aparecerem nas playlists. E fãs de Olivia Rodrigo, Noah Kahan e Morgan Wallen estão usando fraldas para não perder o lugar na grade. A fidelidade de um fã continua desafiando qualquer lógica.
Já estamos definindo a data da próxima edição do Soho Sessions São Paulo. A noite de julho, na Central 1926, foi inesquecível e reforçou por que acreditamos tanto nesse projeto. O Rio de Janeiro ficará para 2027, mas teremos novas edições exclusivas do Soho Hangover em São Paulo. Se ainda não acompanha o Soho, segue a gente no Instagram e entra no grupo de WhatsApp para receber novidades e convites em primeira mão.
O Soundcheck Coffee encerrou sua temporada no Le Jazz Boulangerie e, em breve, anunciamos a data e os convidados da edição de agosto em novo local. Enquanto isso, vai lá no nosso canal do YouTube maratonar os últimos episódios. Sempre há espaço para uma boa conversa antes do palco.
Quanto mais a tecnologia evolui, mais valiosa se torna a experiência de estar presente.
A música continua sendo palco, indústria e memória. Ao mesmo tempo.
🔗 [clique nos links para ler]
🔗 Faixas geradas por IA já ultrapassam 50% dos novos uploads no Deezer
👉🏾 Pela primeira vez, músicas geradas por inteligência artificial representam mais da metade de tudo que chega ao Deezer por dia. A plataforma que lançou o detector de IA agora enfrenta o problema em escala industrial. A questão não é mais se vai acontecer. É o que fazer agora que já aconteceu.
🔗 Sony Music entra com nova ação contra a Udio, adicionando mais de 30 mil gravações ao processo
👉🏾 Sony é a única das três majors que não fechou acordo com a Udio. UMG e Warner já licenciaram. A Sony escalou: pede até US$ 150 mil por obra infringida e uma injunção. Três gravadoras, três estratégias para a mesma empresa de IA. O precedente ainda vai ser definido.
🔗 Tudo o que você sempre quis saber sobre IA e música mas tinha medo de perguntar
👉🏾 O NYT responde as perguntas mais frequentes sobre IA na música: como os modelos são treinados, se artistas recebem compensação, o que é legal ou não, e por que é tão difícil regular tudo isso. Um guia claro para quem quer entender o debate sem precisar ser especialista.
🔗 GEMA e PLAI lançam parceria para remunerar compositores pelo uso de suas obras em IA
👉🏾 A sociedade de direitos alemã GEMA se uniu à startup PLAI para criar um sistema de rastreamento e remuneração de compositores cujas obras alimentam modelos de IA. Primeiro mecanismo do tipo na Europa. O modelo pode virar referência global.
🔗 O próximo grande gênero pode aparecer na busca de um produtor antes de chegar às paradas
👉🏾 Relatório da Chartmetric e Splice mostra que os top 10 gêneros caíram de 46% para 35% entre superstars de 2021 a 2026. Gêneros híbridos como phonk brasileiro, afrobeats e corridos tumbados crescem pelo mundo antes de qualquer algoritmo identificar. O futuro da música está sendo construído nos estúdios, não nas playlists.
🔗 Como músicos produzem hoje: estudo revela mudanças no processo criativo
👉🏾 Pesquisa com mais de 1.200 músicos mostra que o processo criativo mudou radicalmente. IA entra como ferramenta de rascunho, colaboração remota virou padrão e artistas independentes produzem mais rápido do que nunca. Mas qualidade e originalidade ainda dependem do humano no centro.
🔗 A indústria da música ainda funciona pela conexão humana
👉🏾 Uma carta de amor à humanidade da indústria. Algoritmos descobrem artistas. Plataformas distribuem. Mas as melhores oportunidades ainda começam numa conversa depois do show, num open deck, num evento de música ao vivo. E artistas precisam de um lugar para essa conexão aterrissar.
🔗 9 tendências de marketing que estão lotando shows em 2026
👉🏾 De modelos preditivos de IA a “content butchery” e listas próprias de fãs, o marketing de shows em 2026 é altamente fragmentado por estágio de carreira, algoritmo e dados locais. Um guia prático com exemplos reais de como artistas, venues e promotores estão lotando casas.
🔗 Gen Z gasta mais em shows do que Millennials e está mudando o mercado ao vivo
👉🏾 Gen Z gasta em média US$ 101 por mês em shows, superando os Millennials pela primeira vez. A porcentagem que cita o preço do ingresso como barreira caiu de 75% para 57% em dois anos. E cada vez mais jovens viajam para outros países para ver seus artistas favoritos.
🔗 YouTube lança beta do Top Fans para criadores de música
👉🏾 O YouTube está testando uma ferramenta que identifica e recompensa os fãs mais engajados de cada canal. Comentários, visualizações, compartilhamentos e tempo de tela entram no cálculo. Para artistas independentes, é mais uma forma de identificar quem realmente sustenta a carreira.
🔗 Pit diapers: por que fãs estão usando fraldas para ficar na primeira fila dos shows
👉🏾 Olivia Rodrigo disse que já sentiu o cheiro. Noah Kahan pediu que os fãs usem o banheiro. Um fã de Morgan Wallen foi urinado por outro concertante. O Guardian investiga a subcultura dos “pit diapers”, onde fãs usam fraldas para não perder o lugar na grade. O que a fidelidade ao artista faz com as pessoas.
🔗 Jão transforma audição de ‘Memórias Póstumas’ em cerimônia para 11 mil fãs no Vale do Anhangabaú
👉🏾 Após mais de um ano afastado, Jão voltou transformando o Vale do Anhangabaú em uma cerimônia com cadeiras dispostas como numa igreja, flores e carpete verde. O quinto álbum, escrito em meio ao luto pela morte do pai, foi apresentado para 11 mil pessoas antes de chegar às plataformas. “Memórias Póstumas é um álbum sobre palavras”, disse o cantor.
🔗 Anitta atinge raro ponto de coesão no álbum Equilibrium II, que saúda os tambores do Brasil
👉🏾 Mauro Ferreira avalia a segunda parte do álbum de Anitta como um dos momentos mais coesos da carreira dela. Equilibrium II aprofunda a narrativa espiritual iniciada na primeira parte, com raízes no axé, no candomblé e nos tambores afro-brasileiros. Uma Anitta que olha pra dentro.
🔗 Xuxa reúne 50 mil fãs em fila virtual e anuncia turnê histórica
👉🏾 Mais de 50 mil pessoas entraram na fila virtual em menos de uma hora para garantir ingressos da primeira turnê de Xuxa em décadas. O anúncio gerou um dos maiores movimentos de pré-venda do ano no Brasil. A Rainha dos Baixinhos prova que algumas carreiras não têm prazo de validade.
🎧 Os melhores lançamentos semanais do Brasil e do mundo na Playlist Out Now! by Rodrigo Lampreia no Spotify.
Eis meu Top 5 | Semana 24 de Julho
1️⃣ Reach Out — Victoria Monét (Reach Out)
2️⃣ Você Já Sabe — Anitta, Los Brasileros (Equilibrivm II)
3️⃣ Catedral — Jão (Memórias Póstumas)
4️⃣ Bone Collector — Willow (The Thread)
5️⃣ Animal — KATSEYE (Animal)
Uma semana de identidade e novos começos. Victoria Monét abre com elegância e autoridade, num R&B que soa como declaração de presença. Anitta e Los Brasileros chegam com batuques afro, funk e maculelê numa das faixas mais vibrantes de Equilibrium II. Jão estreia Memórias Póstumas com uma faixa que começa intimista e cresce até um refrão que fica. Willow aprofunda seu universo alternativo com precisão e personalidade. E KATSEYE fecha com um pop clássico e moderno ao mesmo tempo, cheio de energia.
A playlist reúne músicas das últimas semanas. Ouve tudo na minha playlist no Spotify. Atualização toda sexta-feira. Segue, salva e volta semana que vem!
💿 Nos dias caóticos, quando o trabalho não para e a cabeça não descansa, às vezes a solução é bem simples: colocar uma big band pra tocar.
Soul on Top — James Brown (1970)
Em novembro de 1969, James Brown entrou no United Western Recorders em Hollywood com uma orquestra de 18 músicos liderada pelo baterista Louie Bellson e arranjada por Oliver Nelson, um dos maiores arranjadores da história do jazz. O resultado foi lançado em abril de 1970 como Soul on Top, o 28º álbum de estúdio do Godfather of Soul e um dos mais incomuns de toda sua discografia.
Nas notas do disco, Brown disse uma coisa simples e direta: “No fundo, sempre fui um homem do jazz.” E Soul on Top é a prova disso. Junto com o saxofonista Maceo Parker, ele canta standards do jazz e da música popular americana como “September Song”, “For Once in My Life” e “What Kind of Fool Am I?”, além de reimaginar seus próprios clássicos. A versão orquestral de “It’s a Man’s Man’s Man’s World” dura mais de seis minutos e transforma o funk em algo cinematográfico. “Papa’s Got a Brand New Bag” fecha o disco em estado de graça.
Tenho ouvido muito esse disco nos últimos dias. Naqueles momentos de cabeça cheia, preocupações e trabalho que não para, uma big band com James Brown na voz resolve muita coisa.
💼 Eu sou Rodrigo Lampreia (@rodrigolampreia). Executivo da música, diretor artístico, curador e empreendedor cultural. Atuo há mais de 25 anos conectando criação artística, estratégia de negócios e desenvolvimento de talentos. Sou fundador do Soho Music Group, ecossistema que integra Soho Sessions, Soho Music Records, Soundcheck Coffee e Borogodó FM, e, escrevo esse Soho Notes a partir de quem vive a música entre palco, estúdio, bastidores e mercado.
📥 Se quiser trocar uma ideia, me escreve no oi@sohomusicgroup.com.br
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