Na edição da semana passada abrimos com um texto que mostrava a força da Globo diante da CazéTV, provando mais uma vez com dados o que falamos há anos por aqui: o streaming ainda está muito atrás da TV aberta em números de audiência.
Na fase de grupos da Copa do Mundo (11 - 27 de junho), a Globo teve a audiência de 124,4 milhões de pessoas, divididas entre Globo, SporTV e GE TV (via streaming, já que a transmissão via YouTube é exclusiva da CazéTV no território brasileiro); os dados são do Ibope.
A TV teve 88% da audiência na primeira fase da competição por meio das transmissões da Globo e do SBT. Brasil vs Escócia, a última partida do Brasil na fase de grupos, contou com 39 pontos no Ibope.
Já na primeira partida do Brasil na fase de mata-mata da Copa, a audiência da Globo em comparação com a CazéTV, sua principal rival na disputa de audiência, foi quase três vezes maior. Os canais do Grupo Globo (TV aberta, SporTV e GE TV via Globoplay) contaram com a audiência de 51,9 milhões de pessoas, um número 172% maior que o do SBT e 263% maior que o da CazéTV, sendo que desse total 37 milhões (53,8%) de pessoas viram a partida exclusivamente pelas transmissões da emissora carioca.
A CazéTV tem 100 milhões de dispositivos de audiência até esse momento da competição, o que, para olhos nem tão atentos, parece ser um excelente número. Contudo, é muito difícil confiar em uma métrica de audiência tão abstrata quanto essa.
Os questionamentos se multiplicam quando olhamos para uma métrica de audiência tão frágil e alguns questionamentos precisam ser feitos, como: são 100 milhões de brasileiros conectados em solo brasileiro sem uso de VPN? E se não forem todos brasileiros, desses 100 milhões de dispositivos, quantos estão no Brasil? Qual a média de tempo que cada um deles ficou conectado nas transmissões? Qual foi o pico de audiência durante essas transmissões? Essas são algumas das perguntas que ainda continuam sem respostas e elas nos deixam com mais pulgas atrás da orelha do que com certezas.
Vem sendo muito difícil falar da CazéTV nesse período de Copa, já que o canal é tratado por muita gente como um tipo de Lisan al-Gaib das transmissões esportivas, o canal de um mortal que ascendeu ao posto de divindade e comprou briga contra o Império dos Marinho, o canal daquele que foi premeditado como o que viria para nos libertar do domínio do monopólio da Globo, apesar da realidade não ser bem esta.
A única certeza que temos é que o streaming ainda não para em pé se as pessoas começarem a fazer as perguntas certas diante dos números que as empresas apresentam, e por aqui continuarem com a tarefa de fazer tais perguntas. (No TelaViva)
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No último domingo, 28 de junho, o governo baiano deu um passo importante no processo de tornar o estado um dos polos da produção audiovisual do Brasil com a inauguração da Bahia Filmes, a primeira empresa estadual de audiovisual no país. A sede da companhia fica em um prédio no bairro do Comércio, em Salvador, vinculada à Secretaria de Cultura do Estado (Secultba).
O foco da companhia é a captação de recursos, tanto públicos como privados, a distribuição e comercialização de obras, algo que o Brasil ainda peca muito até mesmo no contexto das políticas públicas federais, assim como buscará atrair obras para o estado para estabelecê-lo como um dos polos da produção audiovisual no país, além da formação de profissionais para trabalhar na indústria e da integração com os setores da economia que se beneficiam da produção audiovisual.
Esperamos que a Bahia Filmes inaugure uma nova era no audiovisual baiano, que o estado se estabeleça como um dos grandes polos dessa indústria que emprega tantas pessoas e conversa com vários outros setores da economia, que as histórias que não atraem as empresas do audiovisual presentes no eixo Rio/São Paulo possam ser contadas por vozes baianas, e que a administração entenda que a Bahia vai muito além de Salvador, pois apesar da importância da cidade para a cultura do estado, ela muitas vezes serve como o ponto de convergência para quem saiu do interior por não conseguir se manter em suas respectivas cidades por falta de investimentos, oportunidades. Que a Bahia Filmes seja a companhia baiana de audiovisual, não a companhia soteropolitana de audiovisual. (No TelaViva)
A TV Brasil adotou uma estratégia de lançamento pouco convencional para sua nova série, Afiadas, que estreou em 26 de junho: exibição simultânea na TV aberta e no streaming, mais especificamente pelo canal da emissora no YouTube e pela própria plataforma OTT gratuita, a TV Brasil Play. O título é uma produção da O2 Filmes.
A série tem oito episódios de 26 minutos cada, com um novo capítulo estreando toda sexta-feira. O último vai ao ar em 14 de agosto. Cada episódio conta com a participação de convidadas que ocupam cargos de liderança ou atuam ativamente no debate cultural e econômico nacional.
A escolha pelo lançamento simultâneo com plataformas de streaming já nos mostra um prelúdio de um futuro cada vez mais próximo, em que a nova transformação digital da televisão irá unir todas as mídias, ficando difícil para as plataformas assumirem outra identidade que não seja TV. (No TaviLatam)
O Cinema Latino-Americano Resiste!
A crise na distribuição do cinema latino-americano é antiga, talvez desde que os EUA tenham entendido a importância de dominar o mercado cinematográfico latino-americano, com seus enlatados. Não se trata apenas de hegemonia econômica; logo se tornou uma forma de colonização cultural que garante o poder econômico de um país sobre o outro.
Atualmente, quando olhamos para o market share das salas de cinema e dos streamings nos países da América Latina, é impossível não se sentir estrangeiro na própria terra. A matemática não fecha: nunca se produziram tantos filmes e, ao mesmo tempo, há tão pouco espaço para exibi-los. Quem resolve essa equação?
Hoje vamos com dicas de filmes que recém-estrearam nas plataformas de streaming disponíveis no país. As estreias de produções de outros países latino-americanos por aqui estão cada vez mais raras e, nos cinemas, são quase inexistentes.
Estreou no Telecine o aclamado longa chileno “La Misteriosa Mirada del Flamenco”, de Diego Céspedes. Vencedor do prêmio de Melhor Filme na mostra Un Certain Regard em Cannes 2025, o longa tem como pano de fundo os primeiros casos de AIDS no Chile. A obra destaca-se por uma direção de arte primorosa, com figurinos e locações que enriquecem a ambientação dos anos 1980 e joga luz sobre o impacto devastador da desinformação na época.
Na Netflix, a novidade é o belíssimo “Risa y la Cabina del Viento”, filme argentino de realismo fantástico dirigido por Juan Cabral. É uma obra sensível sobre o imaginário infantil e as formas de lidar com o luto na infância. A produção marca a estreia da cantora e rapper argentina Cazzu como atriz de cinema e a obra chega respaldada pelos prestigiados prêmios de Melhor Filme e Melhor Diretor na competição argentina do Festival Internacional de Cinema de Mar del Plata.
”La Suprema” (2023), de Felipe Holguín, foi o longa que representou a Colômbia na corrida ao Oscar de 2025 e que estreou recentemente na Mubi. O filme conta a história de La Suprema, uma comunidade quilombola apagada dos mapas e desprovida de energia elétrica, onde a transmissão de uma luta de boxe acaba mobilizando todo o vilarejo.
Ambientado nos anos 1990 no Departamento de Bolívar, no litoral colombiano, o filme exalta a diversidade do país e traz uma reflexão profunda sobre a importância das nossas raízes e da vida em comunidade.
Muitos consideram “O Som ao Redor” (2012) o melhor filme de Kleber Mendonça Filho, obra que marcou a estreia na ficção em longa-metragem do cineasta pernambucano. De fato, é um filme engenhoso, que consegue traduzir, em cenas banais do cotidiano urbano, toda uma estrutura violenta herdada do período escravocrata e latifundiário. É um filme sobre o poder manifesto nas disputas diárias. O longa acaba de entrar no catálogo do Itaú Cultural Play.
Essas foram as dicas de final de semana do Cine Livre!
Para quem é de Florianópolis e região, faço um convite especial: venham participar da inauguração do nosso cineclube, o “Cine Estreia”. Nosso objetivo é trazer para a cidade filmes independentes latino-americanos que, embora lançados no circuito comercial do país, não chegam às salas de Florianópolis, mitigando esse gargalo histórico.
A primeira sessão será na próxima sexta-feira, dia 10/07, às 19h, com a exibição do filme “NÓ”, de Lais Melo, na Sala de Cinema Gilberto Gerlach, no Centro Integrado de Cultura (CIC).
Acompanhem o Cine Estreia pelo Instagram em @CINELIVRE_LA.
Um ótimo final de semana e um bom filme a todes!
Por Angelo Corti, idealizador da página Cine Livre Latino-Americano
O Grupo Vázquez, por meio de sua integrante VMedia, concretizou a aquisição de duas emissoras de TV aberta paraguaias: o Canal 13 (conhecido comercialmente como Trece) e o Unicanal.
Até então, as duas emissoras — sediadas na cidade de Lambaré — pertenciam ao Grupo JBB, dirigido pelo empresário Javier Bernardes. Com o negócio, elas passam a encabeçar a lista de veículos da VMedia, que já reúne os jornais impressos e digitais La Tribuna e Crónica, além das rádios La Tribu (650 AM), La Tribu Deport (1120 AM) e Tropicalia FM.
A nova gerente-geral, Raquel Vázquez, já vinha percorrendo as instalações e recentemente se reuniu formalmente com funcionários e apresentadores dos dois canais, sinalizando uma nova etapa de reposicionamento das marcas. Segundo comunicado divulgado nos noticiários das próprias emissoras, a operação representa um investimento direto realizado dentro de todos os marcos legais e regulatórios vigentes.
Com essa movimentação estratégica, a VMedia mira consolidar-se como um dos holdings mais poderosos do mercado paraguaio, apostando na tendência das multiplataformas. O grupo promete impulsionar investimentos em produção, inovação tecnológica, digitalização e fortalecimento profissional. Como marco de estreia da nova fase, os dois canais anunciaram a transmissão exclusiva de todos os jogos da Copa do Mundo.
O movimento tem implicações que vão além do campo empresarial: o Grupo Vázquez já controla uma rede ampla de veículos de comunicação no país, o que reacende o debate sobre concentração midiática e sua interface com o poder político no Paraguai. (No TaviLatam)
A Netflix Ads, o setor da empresa responsável pela publicidade da plataforma, informou que, ao longo do mês de julho, as publicidades interativas serão implementadas no Brasil e no México em fase de testes. Essa modalidade já está disponível nos Estados Unidos e no Canadá desde 1 de julho.
Brasil e México se destacam por serem os únicos mercados latinos onde o plano com anúncios da Netflix está presente, mas já foi informado que no próximo ano a empresa o implantará na Colômbia e no Peru. Juntos, Brasil e México contam com uma média mensal de 63 milhões de usuários ativos na plataforma, sendo 35 milhões no Brasil e 28 no México.
A publicidade interativa funciona da seguinte maneira: durante a transmissão na Netflix, será possível clicar com o botão do controle remoto para que a empresa envie um link para o usuário. Caso não haja um smartphone cadastrado na conta, aparecerá um QR Code na tela para que a pessoa possa escaneá-lo (algo que a CazéTV nos ensinou muito bem ao longo desse período de Copa do Mundo).
A empresa que um dia afirmou que as publicidades estavam com os dias contados no mercado audiovisual continua a investir no segmento de assinatura, que tem nos anúncios um pilar importante para a recuperação do dinheiro dos investidores que durante anos possibilitou que o serviço fosse ofertado a preços baixos para a captação de clientes.
São anúncios, são transmissões ao vivo, são planos conjuntos de vários serviços ofertados em pacote com um preço menor do que se cada um deles fosse contratado de maneira individual, e no futuro essas empresas miram em um sinal estável e initerrupto com horários pré determinados para programas e eventos, algo que lembra muito a TV, o modelo de negócios que essas empresas de streaming como a Netflix passaram anos alardeando seu fim. Ah, mas se alguém tivesse avisado, não é mesmo?! (No TaviLatam)
E o combate à pirataria continua a avançar na América do Sul. Esta semana a rede de TV paga DSports, de propriedade da operadora DirecTV, do Grupo Werthein (que opera a SKY no Brasil), anunciou que obteve grandes resultados em relação ao bloqueio de sinais piratas de transmissões da Copa do Mundo de 2026.
Em parceria com a FIFA e a Aliança Contra a Pirataria Audiovisual (Alianza, em espanhol), elas bloquearam mais de 9,3 mil sinais ilegais de partidas da fase de grupos da competição. A DSports é a empresa que detém os direitos de transmissão do torneio para a América do Sul de língua espanhola, logo, a maior interessada no combate à distribuição ilegal do sinal das partidas em nossa região. É importante relembrar que em junho a justiça de Goiás aplicou a maior pena da história da América Latina por conta da pirataria audiovisual. A investigação que culminou nas sentenças se iniciou após denúncia da Alianza, com apoio do escritório de advocacia CQS/FV Advogados. (No TaviLatam)
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