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Simplificando Cinema - Newsletter · Jul 9, 2026

A TV 3.0 vai além da interatividade com a publicidade

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Simplificando Cinema · Simplificando Cinema - Newsletter

Desde que começou a ser implementada pela Globo em junho deste ano, a nova televisão (que tem por nome técnico DTV+ e, popularmente, TV 3.0) passou a ser encarada como um novo meio de interagir com o conteúdo da TV aberta de forma mais pessoal, com foco direto na publicidade, que não só não irá desaparecer, como ainda terá mais presença à medida que publicitários tentem vender seus conceitos à exaustão.

Vendida como uma forma de aproximar o telespectador do audiovisual que consome, o governo e representantes do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD) defendem a nova televisão como uma forma de manter e ampliar a audiência, ainda que os números dela sejam bastante satisfatórios frente a outros consumos de mídia, como as plataformas de streaming.

Mas há algo além da sustentabilidade e da interatividade dos anúncios que não está gerando debate e permite que encontremos cada vez mais o senso comum de que a internet vai acabar com a televisão: o carregamento de dados, a convergência entre a reprodução de programas ao vivo e o fim das fronteiras entre o que é TV aberta, TV paga e streaming.

O primeiro talvez seja o que mais interessa ao consumidor final: o carregamento de dados e o fim do delay e dos travamentos durante a reprodução. Diferente do que temos acompanhado nas transmissões ao vivo via internet, a TV 3.0 admite carregar não só o sinal via satélite, como também a frequência de carregamento de dados. Ou seja, ela libera o tráfego de rede para a internet, deixando tudo bem menos congestionado para quem quiser continuar acompanhando a live via banda larga.

Os testes para esse tipo de transmissão “compartilhada” já podem ser vistos no Chile, que contou, na semana passada, com a assinatura de um convênio inédito entre um dos maiores canais do YouTube no país e a TV aberta para a transmissão ao vivo de conteúdos que, até então, eram restritos à internet.

Com a convergência de mídia sendo fator determinante, a pesquisadora Paula Beatriz Quaresma, em seu artigo “Da Teledifusão à Plataformização: Desafios e possibilidades da TV 3.0 no Brasil” (2026), concorda que a TV 3.0 não chega como uma ruptura, mas como uma ampliação do ecossistema midiático atual, buscando unificar a transmissão da televisão aberta com as dinâmicas das plataformas de streaming, o que não só atesta a dependência dos serviços com a TV, como o fim das fronteiras até então defendida por essas plataformas de que elas não eram televisão e não deveriam ser tratadas no mesmo marco regulatório.

Com a dissolução desta barreira e com as operadoras de TV a cabo correndo para garantir o direito de explorar as faixas de reprodução que serão disponibilizadas quando a antena (e todo seu aparato tecnológico que virá junto) for liberada para a maior parte da população, a programação linear e transmissões ao vivo do streaming trarão uma novidade a mais para a antiga TV paga, que seguirá um rumo de “reconquista” de clientes, mas entrará em um limbo regulatório.

Atualmente, esta frente está amparada pela Lei da TV Paga (conhecida também pelo seu nome técnico Lei do SeAC), que além de garantir proeminência da produção brasileira e contribuição ao principal fundo de audiovisual do país (FSA), tem regras claras sobre direitos do consumidor, mas vem sendo alvo de lobby frequente pelas próprias operadoras, que exaustas de terem que seguir regras rígidas frente ao streaming que ganha benevolência de todos, parte para um tudo ou não pela sua dissolvição.

Outro ponto curioso da Lei da TV Paga é justamente o seu princípio de convergência tecnológica, que não foi respeitado pelas plataformas de streaming quando se iniciou o debate sobre a regulamentação do streaming. Atualmente, o Brasil discute dois PLs para regulamentar este setor que, na prática, tornam-se obsoletos diante das mudanças destacadas aqui.

Este é o cenário que o audiovisual brasileiro tem em seu horizonte nos próximos anos. Mesmo que a previsão para o desligamento total do sinal atual da TV digital seja de 15 anos, na prática, as mudanças já estão em curso, principalmente quando nos deparamos com a notícia de que o público da Copa do Mundo diminuiu após a venda dos direitos de transmissão dos 104 jogos da competição, restrita à internet.

A interatividade será um mero detalhe e servirá para aumentar a cobrança nos planos dos serviços de streaming e financiar ainda mais a possibilidade de essas plataformas migrarem de vez para transmissões ao vivo, em parceria com a TV aberta e paga, sem mais nenhuma regulamentação que as detenha.

Por Marina Rodrigues, idealizadora do Simplificando Cinema

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Read the original on simplificandocinema.substack.com

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