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Os algoritmos do Google foram criados para premiar o esforço e a originalidade dos conteúdos. Só que nem sempre essas definições são claras para as equipes de marketing e de SEO.
Para o Google, o esforço está no valor do conteúdo e no que ele apresenta de novo. Não no tempo que é gasto para produzir uma página.
Imagine um post bem otimizado para SEO, que demorou horas para ficar pronto, mas que só repete o que já está na internet. Houve esforço, mas não o esforço que o Google consegue enxergar e quer recompensar.
Nesta news você entenderá como o Google faz essa avaliação sobre esforço, o que realmente importa e o que é só balela, e exemplos reais para se inspirar. A base desse conteúdo é um excelente guia do Cyrus Shepard e a experiência do meu time com conteúdo otimizado para SEO.
Vamos lá?
Mas antes…
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O esforço é um dos critérios presentes nas diretrizes para avaliadores de qualidade da Pesquisa do Google:
A descrição é a seguinte (tradução e grifos meus):
[A consideração de] até que ponto um ser humano trabalhou ativamente para criar um conteúdo satisfatório. O esforço pode ser direto, como uma pessoa traduzindo um poema de um idioma para outro, também pode estar no design da funcionalidade da página ou na construção de sistemas que sustentam uma página da web, como serviços de tradução automática. Por outro lado, a criação automática de milhares de páginas com base em conteúdos já disponíveis gratuitamente em softwares de tradução, sem qualquer supervisão, curadoria manual, etc., não seria considerada como contendo esforço.
O conceito de esforço se relaciona com diversos outros indicadores de qualidade do Google:
E-E-A-T: atributos de Experiência, Expertise, Autoridade e Confiança, usados para avaliar conteúdo YMYL;
Utilidade: a noção de conteúdo útil, que entrou em voga em 2023;
Profundidade de conteúdo: determina o nível de detalhes de uma página;
Information gain: é a quantidade de informação nova que uma página adiciona, em relação ao que já está no índice;
Semântica visual: clareza de propósito em elementos de layout e design de página;
Commodity content: conteúdo “mais do mesmo”, que só repete o que está no índice e performa mal nas IAs.
Tem muita coisa que parece esforço, mas não é:
Um post de blog pode ter 4000 palavras, mas ter erros de ortografia, redação confusa, e nenhuma informação que de fato ajude o leitor;
Uma página pode demorar dias para ser otimizada, e continuar tendo baixa qualidade;
Redação e design humanos também podem apresentar baíxissimo esforço, mesmo que o conteúdo esteja tecnicamente bom;
Fazer prompts e publicar o que sai de lá também não é esforço (mas isso é óbvio);
E nem o meio termo! Fazer um prompt, pegar a resposta do Claude e reescrever com as suas palavras.
Quer dizer, para nós, seres humanos, fazer tudo isso até pode dar um baita trabalhão.
Mas para o Google, que está avaliando milhões de páginas, e tentando transformar algo tão abstrato quanto “esforço” em sinais objetivos, é irrelevante.
O esforço que interessa ao Google é o de ir atrás de informações novas e relevantes.
Vou te dar um exemplo e um fluxo de trabalho humano, que demora, mas é de baixo esforço em SEO. Provavelmente você já viu, talvez já tenha até participado dele. 👀
O redator recebe uma palavra-chave para escrever;
Pesquisa o termo no Google;
Abre as páginas do top 10 da SERP para o termo;
Faz uma colagem de trechos de texto para usar de referência;
Reescreve as informações com as suas palavras;
Manda o texto para revisão e publicação.
Tem trabalho humano aí e de certa forma um esforço, mas não o esforço que o Google avalia e recompensa. Posts assim podem até ranquear, principalmente nos sites com autoridade e bom histórico, mas geram cada vez menos retorno financeiro.
O Google identifica o esforço por meio de sinais mensuráveis nas páginas, assim como faz com o E-E-A-T, information gain, entre outros. A lógica é que, se há determinados conjuntos de sinais nas páginas, significa que há esforço real, e que aquele conteúdo deve aparecer mais.
Cyrus Shepard organiza esses sinais em 5 áreas nas quais você pode investir para melhorar seu conteúdo:
Páginas sem esforço: trazem blocos com informações gerais, desconexas, apresentadas sem hierarquia clara ou sem organização. São “guias completos” que tentam falar tudo, sem se ater ao que realmente importa para a intenção de busca.
Páginas com esforço: apresentam informações de maneira organizada, com curadoria de alguém competente no assunto, e que respondem adequadamente e de forma direta o que a pessoa quer saber.
❌ Exemplo ruim: uma página com listas de receitas que você tirou do ChatGPT (ou de outro site 👀)
✅ Bom exemplo: tem vários, como revista Piauí, BBC Brasil, Portal Dráuzio Varella, Ahrefs. São sites cujo conteúdo vai muito além de simples listas de definições ou de fatos.
Muitos deles ranqueiam bem no Google mesmo quando publicam textos “fora da caixa”, sem as estruturas tradicionais da redação otimizada para SEO.
Páginas sem esforço: criam conteúdo em escala sem valor agregado, apenas repetindo informações que qualquer LLM já entrega, ou com padrões genéricos.
Páginas com esforço: combinam a automação com elementos que agregam valor, como dados originais, conteúdo gerado por usuários, imagens e vídeos inéditos, comentários ou avaliações de clientes, etc.
❌ Exemplo ruim: um site com 1000 páginas de “serviço em [cidade]”, com o mesmo template, só mudando a localidade, automação de posts de baixo valor, rastrear sites para “roubar” seu conteúdo;
✅ Bom exemplo: ingresso.com e IMDB, que criam páginas dinamicamente, mas agregam valor por meio de sua utilidade, comunidade de fãs, avaliações humanas, resenhas ou catalogação de informações.
Páginas sem esforço: só repetem informações gerais, rasas, ou extraídas de páginas que já estão ranqueadas no Google. São basicamente resumos do que outras pessoas dizem.
Páginas com esforço: apresentam fatos originais, a experiência dos autores e opiniões bem embasadas. Esse tipo de conteúdo é cada vez mais efetivo para aparecer nas IAs.
❌ Exemplo ruim: páginas com “listas de melhores [produto]” que descrevem 10 alternativas populares, sem teste nenhum, colocando o dono do post em primeiro lugar na lista. 👀
Posts assim ficaram tão populares que o ChatGPT está parando de citá-los.
✅ Bom exemplo: TudoCelular.com, em especial a seção de reviews. Cada modelo tem uma avaliação detalhada, feita por um humano, com imagens reais e detalhes das principais questões técnicas e de uso. O topo da página tem um resumo, o que também facilita a vida de quem está pesquisando um aparelho.
Páginas sem esforço: contém textos longos e rasos para tentar fortalecer a cobertura de determinada palavra-chave. Frequentemente, a encheção de linguiça está no topo da página, o que obriga o visitante a ficar mais tempo para encontrar o que precisa.
Páginas com esforço: incluem as informações mais importantes em destaque, para de fato ajudar o visitante a solucionar o problema que o levou ao Google.
❌ Exemplo ruim: aqueles posts de receita que contam toda a história do prato antes de dizer como faz, textos de blog que escondem as informações importantes no meio da página, aplicações que colocam textos introdutórios antes da aplicação em si.
✅ Bom exemplo: O conversor de moedas da Wise. A ferramenta de conversão aparece na primeira página, abaixo de um texto curto. Os únicos links da primeira dobra são atalhos para funções relacionadas.
Páginas sem esforço: apenas apresentam fatos, sem estimular conversas ou contribuir significativamente com alguma narrativa sobre as informações.
Páginas com esforço: além de apresentar informações, deixam claro que houve um julgamento sobre elas, ou expressam, mesmo que minimamente, uma opinião.
Para conteúdos criados por usuários (UGC), como fóruns e posts de redes sociais, o que interessa ao Google é o nível da discussão, incluindo a opinião de múltiplas fontes.
Nem toda página precisa de discussões, mas, quando houverem, devem ser discussões produtivas e relevantes.
❌ Exemplo ruim: um glossário com definições sem profundidade técnica.
✅ Bom exemplo: Reclame Aqui, que tem discussões detalhadas sobre as empresas, com contribuição de diversos clientes e histórico de reclamações facilmente acessível.
Vou abrir um pouquinho com vocês os bastidores do time editorial da SHH, pois muitos dos nossos processos dialogam com os princípios de esforços que eu acabei de mostrar.
Definimos nosso público-alvo. No caso, são analistas de SEO, donos de empresas médias e grandes, e profissionais de marketing. Toda a nossa curadoria e edição é voltada a eles;
Os redatores são especialistas. A equipe editorial da SHH entende bastante de SEO, então fica mais fácil sair do óbvio na hora de criar as pautas e escrever os conteúdos;
O time editorial tem acesso ao time de SEO. Nas pautas mais complexas ou delicadas, os times de SEO e conteúdo trabalham juntos na curadoria e organização das informações;
Solucionamos problemas reais. O objetivo principal do nosso conteúdo é tirar dúvidas que vemos no “mundo real”, não atender a palavras-chave específicas. Assim, naturalmente as discussões ficam mais relevantes;
Acréscimo de valor. Raramente nossos artigos apenas repetem informações que já estão em outro lugar. Quando citamos fontes externas, priorizamos as estrangeiras, acrescentamos a nossa visão sobre o assunto e aproximamos a pauta do mercado brasileiro – o que fica mais simples graças ao alinhamento dos times.
Redação humana. Não usamos IA em praticamente nenhum processo. Isso facilita a curadoria de informações, já que toda a organização das pautas se dá com base na experiência da equipe, não dos padrões sugeridos pelas LLMs.
Logicamente essa organização não é perfeita, nem facilmente aplicável a todo tipo de empresa, em é a abordagem que gera mais tráfego. Mas gera relevância, acessos qualificados e novos negócios.
⭐️ Veja um exemplo de post que combina todos os pontos acima.
O Cyrus montou um checklist bem simples que você pode aplicar antes de postar seus conteúdos:
O conteúdo tem boa edição e curadoria? Está organizado em torno da intenção de busca, com as informações mais valiosas no topo?
O conteúdo inclui algo que não existe em nenhum outro lugar? Pode ser um dado original, fatos, observações suas, opiniões de especialistas, etc.
Esse trabalho fica claro no texto? Pode ser por explicação de metodologia, imagens originais, infográficos, entrevistas e demais sinais de que você tem experiência ou expertise no que está falando.
O conteúdo vai além do básico? Pense se seria possível alguém reproduzir o seu conteúdo só pesquisando na internet ou perguntando ao Claude.
O conteúdo contribui com alguma narrativa? Ele traz alguma discussão ou perspectiva pessoal útil?
Eu acrescentaria mais uma pergunta:
Se você não tivesse escrito, leria o que está nessa página? As informações são realmente interessantes para a sua audiência, ou você fez esse post literalmente só pra aparecer no Google?
Se as respostas forem “sim”, seu conteúdo tem grande chance de ranquear bem. Se forem “não”, você tem um trabalho de revisão a fazer.
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