Há viagens que planeamos durante meses.
E há outras que começam porque um amigo diz: “Confia em mim.”
Foi assim que cheguei a Vila Fernando.
A Catarina apaixonou-se por esta pequena aldeia alentejana e decidiu comprar uma casita no próprio dia em que a visitou pela primeira vez. Daquelas casas pequenas que parecem provar que não é preciso muito para sermos felizes: paredes grossas, uma mesa no pátio e tempo.
Foi pelas mãos dela que conheci este pedaço do Alentejo.
No mapa, Vila Fernando é a freguesia menos povoada do concelho de Elvas.
Na realidade, é um sítio onde as pessoas ainda sabem o nome umas das outras, onde as portas continuam abertas e onde ninguém parece ter grande vontade de acelerar o tempo.
Passei três dias a fazer aquilo de que mais gosto quando viajo.
Comer demoradamente.
Conversar sem olhar para o relógio.
Perder-me por estradas secundárias.
Entrar em igrejas vazias.
Descobrir uma anta que já era antiga quando começaram a erguer-se as pirâmides do Egipto.
E beber vinho como quem sabe que ainda não tem para onde ir.
Se também te apetecer sair da A6 aqui, este é o percurso que eu faria outra vez.

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