Um presidente estrangeiro desembarcou em São Paulo, recebeu uma medalha das mãos de Tarcísio de Freitas pela manhã e, à tarde, subiu ao palco de uma convenção partidária para chamar o presidente da República que o hospedava de “presidiário” e “ladrão”, e um ministro do Supremo de “lixo careca”. Javier Milei veio abençoar a candidatura de Flávio Bolsonaro e, de quebra, mostrar ao Brasil o modelo que promete: o mesmo que já derrubou o salário real argentino em 5% em oito meses, travou a indústria, e afundou a confiança no próprio governo ao menor nível de toda a sua gestão. Lula respondeu com uma frase só, “Quem é esse cara?”, e o Itamaraty convocou o embaixador argentino para ouvir a repulsa oficial. Mas por trás do espetáculo de insultos há uma engrenagem bem mais séria, que conecta a extrema direita argentina, a família Bolsonaro e a pressão de Washington sobre as urnas de outubro. É disso que trata o texto de hoje, com os números que desmontam, um a um, a propaganda do “milagre” que veio nos vender.
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Boa leitura!
No sábado, 25 de julho, um chefe de Estado estrangeiro desembarcou em São Paulo, recebeu pela manhã a Ordem do Ipiranga das mãos do governador Tarcísio de Freitas no Palácio dos Bandeirantes e, poucas horas depois, subiu ao palco do Mercado Pago Hall, na Arena Pacaembu, para chamar o presidente da República do país que o hospedava de “presidiário” e “ladrão” e um ministro do Supremo Tribunal Federal de “lixo careca” e “criminoso”. A ocasião era a convenção nacional do PL, que oficializou a candidatura do senador Flávio Bolsonaro ao Planalto. Javier Milei disse confiar em Flávio para “afastar o Brasil do socialismo”, classificou Jair Bolsonaro como seu “melhor amigo”, reclamou publicamente de ter sido impedido de visitá-lo e afirmou que apenas o filho do ex-presidente poderia deter Lula nas urnas de outubro. Sua comitiva incluía o chanceler Pablo Quirno e a secretária-geral da Presidência, Karina Milei, o que transforma o episódio em algo bastante distinto de uma travessura pessoal: houve deslocamento do aparato de Estado argentino para dentro de um ato partidário brasileiro em ano eleitoral.
Vale registrar o contexto imediato da queixa de Milei. Em 17 de julho, o ministro Alexandre de Moraes suspendeu por trinta dias as visitas a Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar humanitária desde março depois de condenado a 27 anos e três meses pela tentativa de golpe de Estado. A decisão veio após Flávio ler publicamente uma carta de teor político e eleitoral escrita pelo pai, o que a defesa alegou desconhecer e Moraes rejeitou integralmente. Naquele momento, apenas médicos, fisioterapeutas e advogados seguiam autorizados a entrar na residência. A restrição, portanto, atingia qualquer visitante, e Milei converteu uma medida cautelar de rotina em prova de perseguição, operação retórica que a extrema direita transnacional vem repetindo com método suficiente para que já se possa chamá-la de gramática.
A resposta brasileira em dois registros
O governo brasileiro respondeu em dois planos distintos. No plano institucional, o Itamaraty acionou o repertório mais severo de que dispõe abaixo do rompimento de relações. No domingo, 26, o chanceler Mauro Vieira convocou o embaixador argentino Daniel Raimondi para transmitir a repulsa do governo e cobrar explicações, e chamou para consultas em Brasília o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli. A nota oficial registrou que “não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, enfeixe agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas, inclusive ao Poder Judiciário, e ao povo brasileiro”, e lembrou os 203 anos de amizade e cooperação com um país que tem no Brasil seu principal sócio comercial.
No plano político, Lula escolheu o desprezo. Ainda no sábado, na convenção estadual do PT que homologou a candidatura de Fernando Haddad ao governo paulista, avisou que “quem quiser de fora se meter nas eleições brasileiras vai apanhar muito aqui nas eleições” e lembrou que o destino do país será decidido por 157 milhões de eleitores. Na segunda-feira, questionado no Itamaraty sobre o presidente argentino, respondeu com a frase que circulou o continente inteiro: “Eu? Quem é esse cara?”. A escolha tem lógica estratégica evidente. Milei precisa de um antagonista à altura para converter a hostilidade em capital político doméstico, e responder no mesmo tom lhe entregaria de graça a co-protagonização que ele veio buscar. A firmeza diplomática preserva o princípio, enquanto a ironia presidencial recusa o palco. Na Argentina, a reação atravessou o próprio sistema político: o deputado Jorge Taiana, da Unión por la Patria e ex-chanceler, apresentou na Câmara dos Deputados um projeto de declaração de repúdio às falas, apontando ingerência nos assuntos internos de outro Estado soberano e violação dos princípios de autodeterminação dos povos e de não intervenção consagrados na Carta das Nações Unidas.
O mesmo fim de semana, duas frentes
Na sexta-feira anterior à convenção, dia 24, o Itamaraty negou os pedidos de visto de dois funcionários do Departamento de Estado dos Estados Unidos, o secretário-assistente Riley M. Barnes e o subsecretário-assistente Samuel Samson. Reportagem do Washington Post publicada no dia seguinte apontou que ambos integravam uma estratégia para questionar a integridade e a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro, com viagem prevista para poucas semanas antes do pleito de 4 de outubro. O Departamento de Estado sustentou que a agenda tratava de integridade eleitoral, liberdade religiosa e liberdade de expressão, e negou intenção de interferir. O episódio se soma ao caso de Darren Beattie, indicado por Donald Trump para um cargo no Departamento de Estado e barrado em março quando tentou visitar Bolsonaro, e à declaração de Flávio Bolsonaro, em encontro privado com representantes de cerca de quarenta países, de que o Brasil usaria urnas fabricadas por uma empresa venezuelana, informação já desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral.
Dois vetores de pressão externa, portanto, convergiram sobre o mesmo fim de semana e sobre o mesmo objetivo, que é minar a legitimidade prévia do resultado de outubro. Um deles opera pela via estatal norte-americana, com histórico que inclui o tarifaço de 50% explicitamente vinculado ao julgamento de Bolsonaro. O outro opera pela via da solidariedade ideológica regional, com Milei emprestando a um candidato brasileiro o verniz internacional que a família Bolsonaro perdeu quando o patriarca foi condenado. Ariel Goldstein descreveu esse arranjo com precisão em La reconquista autoritaria (Marea, 2022), ao mapear como think tanks ligados ao Partido Republicano, veículos de mídia, fundações e partidos de ultradireita europeus articulam uma “família global” que reencena a retórica da Guerra Fria opondo uma suposta liberdade ao que chamam de comunismo. Cas Mudde, em The Far Right Today (Polity, 2019), já havia observado que a quarta onda da extrema direita se distingue justamente pela normalização e pela internacionalização de suas redes. O que aconteceu no Pacaembu é infraestrutura política em funcionamento.
O modelo que ele veio vender
Milei apresentou a Argentina como exemplo de “prosperidade econômica e queda da criminalidade”. Convém então examinar o que os dados oficiais argentinos mostram, porque a mercadoria que ele oferece ao eleitorado brasileiro tem prazo de validade e composição conhecidos.
O Estimador Mensual de Actividad Económica do INDEC caiu 0,5% em maio de 2026, segunda queda consecutiva depois do tombo de 1,5% em abril, com avanço de apenas 0,2% na comparação interanual. A economia cresce onde não emprega e encolhe onde emprega: em maio, mineração subiu 15,7% e agricultura 4,6%, enquanto a indústria manufatureira recuou 5,6% e o comércio 4,3%, exatamente os dois setores que concentram a maior parte do emprego formal argentino. As consultorias passaram a descrever o quadro como uma economia em K, com setores primários e exportadores puxando um agregado que não chega ao mercado interno.
O salário conta a mesma história por outro ângulo. Segundo estudo da Gerência de Estudos Econômicos do Banco Provincia, o salário real dos trabalhadores privados registrados caiu 5% entre agosto de 2025 e março de 2026, e o dos servidores públicos, 4,5%. A Fundación Capital calcula perda em torno de 3,5% apenas no acumulado de 2026, com projeção de fechamento do ano perto de 5%. O consumo massivo acumula onze meses consecutivos de queda. Uma análise do Centro de Estudios sobre Trabajo y Desarrollo da Universidade Nacional de San Martín, comparando microdados da Encuesta Permanente de Hogares do primeiro trimestre de 2025 e de 2026, encontrou algo ainda mais revelador: enquanto cerca de 213 mil pessoas se incorporaram à ocupação, o número de subocupados cresceu aproximadamente 192 mil. O emprego que o modelo gera é majoritariamente informal e insuficiente.
A pobreza merece tratamento honesto, porque é o dado que o governo argentino mais exibe. Ela caiu de 52,9% no primeiro semestre de 2024 para 31,6% no primeiro semestre de 2025 e 28,2% no segundo semestre daquele ano, o menor patamar desde 2018. O que essa série omite é que o pico de 2024 foi produzido pela própria desvalorização de dezembro de 2023 e pelo choque inflacionário que a acompanhou, de modo que boa parte da queda posterior mede a normalização de uma crise autoinfligida. E a trajetória virou: o nowcast da Universidad Torcuato Di Tella projeta 29,6% para o semestre entre dezembro de 2025 e maio de 2026, com salto para 31,8% no bimestre abril e maio. Agustín Salvia, do Observatório da Dívida Social da UCA, vem cobrando publicamente um debate mais rigoroso sobre os mecanismos de construção do indicador e sua capacidade de captar a privação real das famílias, crítica que a esquerda argentina faz há tempo e que agora encontra respaldo técnico do lado de dentro da academia.
A desaceleração da inflação existe e é o principal ativo político do governo. O IPC de junho de 2026 marcou 1,9% no mês, o menor em onze meses, com 16,8% acumulados no semestre. Ainda assim, a variação interanual seguia em 33,5%, patamar que em qualquer país da região seria tratado como emergência. E a estabilização de preços foi comprada com salário, emprego industrial e gasto social, o que explica por que a população não a converte em adesão. O Índice de Confianza en el Gobierno da Di Tella, medido pela Poliarquía entre 1º e 16 de julho, caiu 6,5% em relação a junho e ficou em 1,94 ponto numa escala de zero a cinco, o menor nível de toda a era Milei e uma queda de 21% em doze meses. O recuo mais acentuado apareceu entre jovens de 18 a 29 anos, segmento que despencou 23% e ficou em 1,68, justamente a base que o elegeu em 2023 e que Pablo Stefanoni analisou em ¿La rebeldía se volvió de derecha? (Siglo XXI, 2021).
A soberania de quem depende
O presidente que veio ao Brasil pregar libertação nacional comanda o país mais economicamente dependente do continente, e depende inclusive do Brasil que insulta.
O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina de forma ininterrupta desde 1991. No primeiro semestre de 2026, o intercâmbio bilateral de bens somou 13,8 bilhões de dólares, acima de China e Estados Unidos. Dos 49,4 bilhões que a Argentina exportou ao mundo no período, 6,25 bilhões, ou 12,6% do total, foram para o mercado brasileiro, e mais de 22% das importações argentinas vêm daqui. A pauta é fortemente industrial, com destaque para o setor automotivo, e no caso dos caminhões o Brasil responde por cerca de 60% do destino das vendas externas argentinas. Cada insulto proferido no palco de uma convenção partidária brasileira foi dirigido ao governo do país que sustenta o pouco que resta da indústria exportadora argentina.
Do outro lado da equação está o alinhamento com Washington. Em 20 de outubro de 2025, o Banco Central argentino oficializou um acordo de estabilização cambial de 20 bilhões de dólares com o Tesouro dos Estados Unidos, acionado no calor da crise cambial pré-eleitoral e devolvido em dezembro daquele ano. Scott Bessent, secretário do Tesouro, recusou o rótulo de resgate com o argumento de que os Estados Unidos ganharam dinheiro na operação, formulação que descreve com sinceridade rara a natureza da relação. Mauricio Claver-Carone, enviado especial norte-americano para a América Latina, chegou a afirmar que enquanto a Argentina mantivesse o swap com a China não seria livre. A soberania que Milei diz defender consiste, na prática, em trocar de credor e de tutor. Quinn Slobodian, em Crack-Up Capitalism (Metropolitan Books, 2023), descreve com precisão esse projeto de blindar a economia contra a deliberação democrática, e Wendy Brown, em In the Ruins of Neoliberalism (Columbia University Press, 2019), mostra como a razão neoliberal, ao dissolver o social, produz as próprias energias autoritárias que depois a sustentam.
O que está em jogo em 4 de outubro
Milei veio porque precisa. Com a confiança interna no menor patamar de sua gestão, a atividade econômica travada e o consumo em queda, e com o operativo de reeleição já em marcha para 2027, exportar o conflito rende mais do que administrá-lo. No domingo, em entrevista à Radio Mitre, ele acusou os governos do Brasil e do México e o Partido Democrata norte-americano de financiarem uma “campanha anti-argentina” durante a Copa do Mundo, atribuindo 25% dos recursos ao governo brasileiro sem apresentar qualquer evidência. Federico Finchelstein, em Breve historia de la mentira fascista (Taurus, 2019), analisou como esse tipo de enunciado funciona: a mentira política contemporânea não busca convencer o adversário, e sim consolidar uma comunidade de crentes que reconhece na própria fabulação um ato de lealdade.
Do lado brasileiro, a aposta tem alvo mensurável. A pesquisa Datafolha realizada entre 22 e 24 de julho, com 2.004 entrevistas e margem de erro de dois pontos, mostrava Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 32% no primeiro turno estimulado, e 48% contra 43% no segundo turno, a menor vantagem já registrada pelo presidente nesse cenário. É uma disputa apertada, e é precisamente por ser apertada que a interferência externa se torna atraente para quem já demonstrou disposição de contestar o resultado antes que ele exista. Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, em Como as democracias morrem (Zahar, 2018), identificaram a recusa em aceitar a legitimidade dos adversários como o indicador mais confiável de erosão democrática, e essa recusa hoje chega ao Brasil com sotaque estrangeiro e passaporte diplomático.
O que Milei entregou ao bolsonarismo em São Paulo foi menos uma peça de campanha e mais uma antecipação do futuro que essa coalizão promete. Vale medir esse futuro pelo que ele já produziu do outro lado da fronteira, na indústria que encolhe, no salário que perde 5% em oito meses, no jovem argentino que retirou a confiança que depositara, no dinheiro que deveria comprar remédios para pessoas com deficiência. Enquanto isso, o Brasil chegou a 5,4% de desemprego no trimestre encerrado em janeiro de 2026, o menor da série histórica iniciada em 2012, com rendimento médio real recorde. A comparação não decide eleição sozinha, e seria ingênuo supor que decida. Mas ela define com clareza os termos do que está sendo oferecido em outubro, e a soberania, aqui, tem significado bastante concreto: decidir isso sem que ninguém venha de fora meter o dedo.
Fontes:
Bloomberg Línea, "Brasil nega visto a diplomatas dos EUA por risco de interferência nas eleições" (https://www.bloomberglinea.com.br/brasil/brasil-nega-visto-a-diplomatas-dos-eua-por-risco-de-interferencia-nas-eleicoes/).
Brasil de Fato, "Após ataques de Milei a Lula e Moraes, Itamaraty convoca embaixador argentino para reunião" (https://www.brasildefato.com.br/2026/07/27/apos-ataques-de-milei-a-lula-e-moraes-itamaraty-convoca-embaixador-argentino-para-reuniao/).
BROWN, Wendy. In the Ruins of Neoliberalism: The Rise of Antidemocratic Politics in the West. Nova York: Columbia University Press, 2019.
CartaCapital, "Brasil manifesta repulsa e convoca embaixador argentino após ataques de Milei a Lula e Moraes" (https://www.cartacapital.com.br/politica/brasil-manifesta-repulsa-e-convoca-embaixador-argentino-apos-ataques-de-milei-a-lula-e-moraes/).
Chequeado, "Caso $LIBRA: qué puede esperarle a Javier Milei y cuáles son las otras causas de corrupción que involucran a su gobierno" (https://chequeado.com/el-explicador/caso-libra-que-puede-esperarle-a-javier-milei-y-cuales-son-las-otras-causas-de-corrupcion-que-involucran-a-su-gobierno/).
Chequeado, "El Banco Central oficializó el swap de monedas con el Tesoro de los Estados Unidos" (https://chequeado.com/el-explicador/el-banco-central-oficializo-el-swap-de-monedas-con-el-tesoro-de-los-estados-unidos-en-que-consiste-el-acuerdo-y-como-impacta-en-las-reservas/).
CNN Brasil, "Moraes nega autorização para Milei visitar Bolsonaro" (https://www.cnnbrasil.com.br/politica/moraes-nega-autorizacao-para-milei-visitar-bolsonaro/).
El Cronista, "Inflación de junio 2026" (https://www.cronista.com/economia-politica/se-conoce-la-inflacion-de-junio-que-numero-esperan-las-principales-consultoras/).
El Financiero, "Javier Milei acusa a México y Brasil de financiar campaña contra Argentina durante Mundial 2026" (https://www.elfinanciero.com.mx/mundo/2026/07/26/javier-milei-acusa-a-mexico-y-brasil-de-financiar-campana-contra-argentina-durante-mundial-2026/).
FINCHELSTEIN, Federico. Breve historia de la mentira fascista. Buenos Aires: Taurus, 2019.
GOLDSTEIN, Ariel. La reconquista autoritaria: cómo la derecha global amenaza la democracia en América Latina. Buenos Aires: Marea Editorial, 2022.
IBGE/Agência Brasil, "Desemprego fica em 5,4% no trimestre encerrado em janeiro de 2026" (https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/desemprego-fica-em-54-no-trimestre-encerrado-em-janeiro-de-2026).
Infobae, "La confianza en el Gobierno volvió a caer en julio, según un estudio de la Universidad Di Tella" (https://www.infobae.com/politica/2026/07/27/la-confianza-en-el-gobierno-volvio-a-caer-en-julio-segun-un-estudio-de-la-universidad-di-tella/).
Infobae, "La economía volvió a caer: qué se proyecta para lo que queda de 2026" (https://www.infobae.com/economia/2026/07/25/la-economia-volvio-a-caer-que-se-proyecta-para-lo-que-queda-de-2026-y-cual-es-la-apuesta-del-gobierno-para-reactivarla/).
Infobae, "La enorme importancia económica y comercial que tiene Brasil para la Argentina" (https://www.infobae.com/economia/2026/07/26/la-enorme-importancia-economica-y-comercial-que-tiene-brasil-para-la-argentina/).
INDEC, Estimador mensual de actividad económica e Índice de precios al consumidor (https://www.indec.gob.ar).
LA NACION, "Inflación de junio: cuál fue el IPC acumulado y qué proyectan las consultoras para este año" (https://www.lanacion.com.ar/economia/inflacion-de-junio-cual-fue-el-ipc-acumulado-y-que-proyectan-las-consultoras-para-este-ano-nid14072026/).
LEVITSKY, Steven; ZIBLATT, Daniel. Como as democracias morrem. Rio de Janeiro: Zahar, 2018.
MUDDE, Cas. The Far Right Today. Cambridge: Polity Press, 2019.
Poder360, "Em discurso, Milei chama Bolsonaro de 'melhor amigo'" (https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes/em-discurso-milei-chama-bolsonaro-de-melhor-amigo/).
Poder360, "Milei diz que Lula está por trás de campanha anti-argentina" (https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes-2026/milei-diz-que-lula-esta-por-tras-de-campanha-anti-argentina/).
SLOBODIAN, Quinn. Crack-Up Capitalism: Market Radicals and the Dream of a World Without Democracy. Nova York: Metropolitan Books, 2023.
STEFANONI, Pablo. ¿La rebeldía se volvió de derecha?. Buenos Aires: Siglo XXI, 2021.
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