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Enquanto a vida acontece · May 15, 2025

Talvez você só precise continuar

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Thais Oliveira · Enquanto a vida acontece

Ano passado eu fiz um experimento em mim mesma.

Comecei o ano com uma meta simples, mas desafiadora: não me boicotar.

Tinha tantas coisas que eu queria fazer, que eu sabia do meu potencial, mas que eu vivia me boicotando por não ser capaz de executá-las da maneira “perfeita” que minha mente visualizava.

Tenho uma tendência à autocobrança excessiva. Não aquela que te paralisa — mas aquela que fica sussurrando no fundo da sua mente, a cada coisa que você quer fazer, de que isso não é bom o suficiente. De que poderia ser melhor.

E parece (ou é um fato?) que com a internet isso fica ainda mais agravado, com comparações sem fim.

- Olha lá, fulana com filho fazendo mais do que eu, que não tenho filho

- E aquela, com o dobro da minha idade, e mais disposição

- A pessoa com 3 cachorros e 8 gatos fazendo alimentação natural pra todos, e eu mal consigo fazer arroz pra mim

- E essa pessoa, que tem metade da minha idade e já conquistou tal coisa?

A verdade é que, por muitas vezes, parece que o que podemos fazer nunca está bom.

Leia quando parecer que o seu “pouco” nunca é o bastante

Para quebrar esse ciclo de autoboicote e ter sucesso, repetia isso todas as vezes que eu pensava em não fazer algo:

Fazer pouco é melhor do que nada

Aos poucos (ha ha, que ironia), fui fortalecendo minha mente pra aceitar fazer o que era possível — mesmo que longe do ideal.

E o que é “pouco”, afinal?

É fazer 10min de exercício quando eu sei que o ideal seria fazer 30min.

É plantar uma muda no meu quintal, quando o ideal seria plantar uma floresta.

É criar um story do jeito que dá, ao invés de gravar um vídeo inteiro sobre o assunto.

É dar comida para um animal na rua, ao invés de dar uma casa a ele.

É tirar meia dúzia de garrafas de plástico da praia, quando tem toneladas de lixo nela.

É só dar uma atividade de enriquecimento para o animal, quando o ideal seria fazer um treino.

Faça pouco ou faça mal (pelo seu parâmetro), mas faça.

Imagem Pinterest

E esse “pouco” que parecia insignificante, que antes eu deixava de fazer... em pouco mais de 1 ano me transformou.

O “pouco exercício” que eu fiz (e que, enquanto eu fazia, parecia que não tinha efeito nenhum), nesse 1 ano já me faz ter muito mais fôlego e força do que antes.

O “pouco conteúdo” que criei, do jeito que dava, já ajudou muito mais pessoas do que nenhum conteúdo.

Mudar um pouco, melhorar um pouco, é sempre melhor do que nenhuma melhora - ou do que piorar.

Vejo que eu sempre criei muita expectativa de que o resultado só vem quando fazemos algo da maneira mais eficiente. Quando na verdade, é só fazer o que é possível - e não parar.

Outro exemplo bem recente tem sido com palavras em espanhol. Nas duas primeiras semanas eu não conseguia lembrar de NENHUMA palavra nova, ficava repetindo o nome das coisas tentando gravar e não conseguia.

Caí na armadilha de que precisava estudar mais, repetir mais, insistir mais. Mas, pela primeira vez, não me forcei a “ser melhor”.

Do nada — no fim da segunda semana — meu cérebro trouxe as palavras com a maior facilidade do mundo, sem esforço nenhum, como se elas sempre tivessem feito parte do meu vocabulário.

Às vezes, o que falta não é mais esforço.
É mais leveza, é dar mais tempo para a mudança acontecer.

A gente fica tentando achar A coisa que vai dar certo, O treino, A atitude que vai fazer a diferença.

Mas, hoje, eu acredito nisso: o que faz dar certo é não parar.

Mesmo que devagar.

Mesmo que “mal feito”.

Precisa ser possível. E repetido.

Como uma inspiração final, quero deixar a sugestão de um vídeo que gravei essa semana: para você que acha que faz pouco para ajudar os animais, segue uma atitude simples que já faz toda a diferença.

Talvez você descubra que o que chama de “pouco” já é tudo pra quem recebe.

Você gostaria de compartilhar esse post e fazer um pouco de diferença na vida de alguém?

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Um abraço, e um carinho no seu pet (se ele gostar!)
Thais

Read the original on porakaa.substack.com

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