Ano passado eu fiz um experimento em mim mesma.
Comecei o ano com uma meta simples, mas desafiadora: não me boicotar.
Tinha tantas coisas que eu queria fazer, que eu sabia do meu potencial, mas que eu vivia me boicotando por não ser capaz de executá-las da maneira “perfeita” que minha mente visualizava.
Tenho uma tendência à autocobrança excessiva. Não aquela que te paralisa — mas aquela que fica sussurrando no fundo da sua mente, a cada coisa que você quer fazer, de que isso não é bom o suficiente. De que poderia ser melhor.
E parece (ou é um fato?) que com a internet isso fica ainda mais agravado, com comparações sem fim.
- Olha lá, fulana com filho fazendo mais do que eu, que não tenho filho
- E aquela, com o dobro da minha idade, e mais disposição
- A pessoa com 3 cachorros e 8 gatos fazendo alimentação natural pra todos, e eu mal consigo fazer arroz pra mim
- E essa pessoa, que tem metade da minha idade e já conquistou tal coisa?
A verdade é que, por muitas vezes, parece que o que podemos fazer nunca está bom.
Leia quando parecer que o seu “pouco” nunca é o bastante
Para quebrar esse ciclo de autoboicote e ter sucesso, repetia isso todas as vezes que eu pensava em não fazer algo:
Fazer pouco é melhor do que nada
Aos poucos (ha ha, que ironia), fui fortalecendo minha mente pra aceitar fazer o que era possível — mesmo que longe do ideal.
E o que é “pouco”, afinal?
É fazer 10min de exercício quando eu sei que o ideal seria fazer 30min.
É plantar uma muda no meu quintal, quando o ideal seria plantar uma floresta.
É criar um story do jeito que dá, ao invés de gravar um vídeo inteiro sobre o assunto.
É dar comida para um animal na rua, ao invés de dar uma casa a ele.
É tirar meia dúzia de garrafas de plástico da praia, quando tem toneladas de lixo nela.
É só dar uma atividade de enriquecimento para o animal, quando o ideal seria fazer um treino.
Faça pouco ou faça mal (pelo seu parâmetro), mas faça.
E esse “pouco” que parecia insignificante, que antes eu deixava de fazer... em pouco mais de 1 ano me transformou.
O “pouco exercício” que eu fiz (e que, enquanto eu fazia, parecia que não tinha efeito nenhum), nesse 1 ano já me faz ter muito mais fôlego e força do que antes.
O “pouco conteúdo” que criei, do jeito que dava, já ajudou muito mais pessoas do que nenhum conteúdo.
Mudar um pouco, melhorar um pouco, é sempre melhor do que nenhuma melhora - ou do que piorar.
Vejo que eu sempre criei muita expectativa de que o resultado só vem quando fazemos algo da maneira mais eficiente. Quando na verdade, é só fazer o que é possível - e não parar.
Outro exemplo bem recente tem sido com palavras em espanhol. Nas duas primeiras semanas eu não conseguia lembrar de NENHUMA palavra nova, ficava repetindo o nome das coisas tentando gravar e não conseguia.
Caí na armadilha de que precisava estudar mais, repetir mais, insistir mais. Mas, pela primeira vez, não me forcei a “ser melhor”.
Do nada — no fim da segunda semana — meu cérebro trouxe as palavras com a maior facilidade do mundo, sem esforço nenhum, como se elas sempre tivessem feito parte do meu vocabulário.
Às vezes, o que falta não é mais esforço.
É mais leveza, é dar mais tempo para a mudança acontecer.
A gente fica tentando achar A coisa que vai dar certo, O treino, A atitude que vai fazer a diferença.
Mas, hoje, eu acredito nisso: o que faz dar certo é não parar.
Mesmo que devagar.
Mesmo que “mal feito”.
Precisa ser possível. E repetido.
Como uma inspiração final, quero deixar a sugestão de um vídeo que gravei essa semana: para você que acha que faz pouco para ajudar os animais, segue uma atitude simples que já faz toda a diferença.
Talvez você descubra que o que chama de “pouco” já é tudo pra quem recebe.
Você gostaria de compartilhar esse post e fazer um pouco de diferença na vida de alguém?
Um abraço, e um carinho no seu pet (se ele gostar!)
Thais

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