O tema da nossa comunidade esse mês é o amor, e a leitura não poderia ser diferente —“Tudo sobre o amor, Bell hooks” nessa obra, a autora desconstrói toda a narrativa do amor capitalista que nos ensinaram durante anos, e apresenta uma nova maneira de sentir, dar e receber amor.
O livro foi publicado em meados dos anos 2000, em uma época onde o amor era um tema literário majoritariamente masculino. Hooks questiona que na época, as mulheres não falavam de amor, mas eram elas em suma parte que exerciam do sentir diariamente.
Mas o que me pegou nessa obra até agora, é a parte em que Bell hooks fala sobre amor próprio e sobre a importância de fazer dessa auto compaixão uma base para o crescimento profissional e espiritual.
No capítulo, ela ressalta sobre como nós, quando não exercemos o amor próprio, facilmente temos a tendência á nos auto sabotar e se martirizar em nossa carreira, porque é comum acreditarmos que não merecemos aquilo e como consequência, colocamos tudo a perder.
Em um trecho, ela diz:
“Se atingirmos o sucesso sem confrontar e alterar as bases trêmulas de ódio e desprezo nas quais nossa baixa autoestima está fundamentada, fraquejaremos ao longo do caminho.”
Agora, imagine: leva anos para conseguir construir uma carreira sólida.. E nós como mulheres que carregamos um fardo ainda mais pesado socialmente, não temos a opção de colocar tudo há perder. Não devemos nos arriscar a ponto de chegar ao que tanto almejamos e não ter autoestima o suficiente para conseguir manter a decisão de sustentar o próprio sonho.
Por isso, nesse artigo, eu quero tentar te trazer uma nova perspectiva sobre si mesma e sobre o que está construindo.
Mas, é importante te dizer: construir um amor próprio e forte não é um processo simples de ser feito.
Pode te levar há anos de dor e descoberta, quebra de ego e padrões repetitivos. Por isso, o que queremos inicialmente é ao menos, que possamos construir paciência com nós mesmas nesse processo.
Consciência social é necessário para enfrentar esse tipo de barreira. É sobre entender que o fato de você se olhar no espelho e não gostar do que vê, não é culpa sua, isso é construído socialmente e manipulado para fazer você acreditar que você não está se amando o suficiente. Essa manipulação faz você acreditar que precisa produzir mais, consumir mais — que o seu amor próprio está no próximo produto de beleza que você ainda não comprou.
No livro (O mito da beleza: Como as imagens de beleza são usadas contra as mulheres) Naomi Wolf, ressalta:
"Um reduzido amor-próprio na mulher pode ter um valor sexual para alguns indivíduos, mas tem um valor financeiro para toda a sociedade."
Estudar sobre em como a sociedade patriarcal atuou e ainda atua historicamente em relação a aparência feminina, é finalmente se desvincular das amarras da culpa que sentimos diariamente, a sua insegurança é lucrativa pro sistema por que te faz pensar que você precisa sempre estar comprando para se sentir bem.
Em um antigo artigo que publiquei, escolhi falar exatamente sobre isso — ressignificar o modo em como você enxerga a sua aparência.
Nesse artigo, um dos principais pontos que considero essencial, é que acredito fielmente que podemos moldar aquilo que nos incomoda (como dentes, cabelo, sobrancelha grossa, pinta no rosto) e transformar no nosso maior diferencial.
✨ Leia aqui para se aprofundar mais sobre:
Obrigada por apoiar essa comunidade! Você pode compartilhar esse post para que mais mulheres sejam transformadas.
Infelizmente, quando somos crianças, ninguém nos ensina a seguir a nossa própria verdade — E quando falamos de mulheres, as estatísticas aumentam de forma grotesca. Somos ensinadas a agradar, e isso tem um custo maior na vida adulta: vivemos em constante busca por aprovação externa, e quando recebemos um feedbaks ruim, temos a tendência a carregar aquilo conosco, como se isso fizemos parte de quem somos.
E as criticas, as opiniões não pedidas, os apontamentos, os questionamentos sobre a nossa aparência e jeito de ser — passam a ser moldados por aquilo que falaram que éramos, e não o que somos de fato. Muitas mulheres acabam perdendo sua própria identidade, e se deixam ser vista somente ao olhos do outro. Construa seu próprio olhar sobre si mesma.
Não é muito incomum ouvir mulheres se diminuindo publicamente. Seja entre amigas, dentro de relacionamentos românticos ou em redes sociais.
Falas como “eu não falo muito bem” “não sou boa em tal coisa”, é comum.
Para ressignificar ainda mais esse tema dentro de mim mesma, gosto de levar essas questões para o lado espiritual da coisa, acredito que às palavras tem poder e consequentemente elas levam as ações (mesmo inconsciente)
Por exemplo: se eu estou praticando algo novo, e não me dou o devido tempo de aprendizado, logo penso “eu não sou boa nisso” ou “sou pessima fazendo esse tipo de trabalho” o meu corpo vai receber a mensagem, e de forma inconsciente, vou parar de tentar. Porque antes mesmo de ser paciente, eu já falei pra mim mesma que não consigo. E os nossos pensamentos moldam nossas ações.
Recentemente, terminei um formação onde as mulheres falavam muito sobre si mesmas de forma diminutiva. E em um dia de apresentação uma dessas mulheres falou “não falo bem em público” não ironicamente, essa fala veio logo após ela apresentar perfeitamente bem na frente da classe.
Isso quer dizer que, em algum momento da vida dessa mulher ela não conseguiu se comunicar da forma como gostaria, e por isso, carregou esse fardo com ela.
É meio estranho isso né? Mas acontece de forma inconsciente. E por isso, é sempre bom se perguntar “será que isso ainda faz parte de mim?” Você vai se dar conta de que não, você já não vive mas a vida de antes. Estamos sempre nos reinventando diariamente, seja de forma positiva ou negativa. Você escolhe.
A autoestima intelectual é mais poderosa do que você imagina — saber se comunicar, desenvolver uma boa dicção, ter a consciência sobre como o mundo funciona e já funcionou (estudar história) carregar uma base significativa de repertório cultural, aprender uma nova língua.
Tudo isso e outros assuntos quando falamos sobre intelecto é uma base forte de autoestima. Por que você vai chegar lá na frente sabendo o que está fazendo e vai saber desfrutar do que merece.
E lembre-se: ambição sem ação vira ansiedade.
E é por isso que, dentro da nossa comunidade (clique aqui para saber mais) estamos desenvolvendo encontros não literários para falar sobre vergonha & comunicação — e tudo aquilo que atravessa o universo feminino quando se fala em construir carreira.
✨ logo divulgaremos as datas de início, mas você já pode fazer parte desde já.

Comments
Nothing yet. Say the first thing.
Sign in to join the conversation.