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the girls club rituals · May 29, 2026

#1. Estudar arte é compreender a si mesma — Oque foi o movimento renascentista na história da arte?

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Portal Linear · the girls club rituals

Afim de descobrir uma nova maneira de criar conteúdo para essa rede, iniciei um bate papo no nosso chat para perguntar as minhas inscritas sobre o que elas queriam ver por aqui, mas logo em seguida tive um insight — não sei se perceberam, mas eu sou uma eterna curiosa e obcecada, e recentemente me descobri uma amante dos estudos. Sou criativa e multi potencial e gosto de estudar sobre tudo, me sinto um universo inteiro de interesses.

A partir disso, resolvi que irei trazer todas as minhas obsessões/estudos em artigos, já que muitas das meninas que me acompanharam aqui, também estão estudando para vestibular/enem etc.

Em algum momento de nossas vidas, surge uma vontade de fazer arte. Seja aprendendo a desenhar, pintar, esculpir. Todos nós já fomos artistas em algum momento, todos tivemos e ainda temos contato direto com a arte — Mas, de alguma forma, nem sempre a gente quer estudar a parte teórica, a história, e compreender o que de fato é a arte e como ela surgiu. E eu entendo, nem sempre eu quis saber sobre esses movimentos artísticos, e como isso moldou a forma em como fazemos arte hoje — ouso dizer, que eu pensava que conhecer a parte teórica talvez nem fosse tão importante assim.

Mas a arte não é só visual, não é só bonito — elas nos ajuda a entender o mundo, a política, as pessoas e a nós mesmos.

E se queremos exercer a arte, temos um papel muito importante como artista — que é despertar a sociedade através de uma nova perspectiva de mundo, transmitir mensagens que precisam ser vistas, dores que precisam ser sentidas, e tentar de alguma forma, mudar o pensamento de gerações futuras para que não cometemos os mesmos erros do passado.

“Não existe meio mais seguro para fugir do mundo do que a arte, e não há forma mais segura de se unir há ela do que a arte..”

— Johann Goethe

Antes da gente entender o que foi o renascimento, precisamos voltar aos períodos anteriores e entender como a sociedade se comportava para compreender o porque, como e quando todo esse movimento aconteceu.

A idade média foi um período onde a igreja católica exercia o maior poder sobre os povos que vivam naquela época, eles ditavam como deveríamos viver, pensar e estar. Toda forma de acesso ao conhecimento partia através da igreja, seja a arte, os livros (poucas pessoas sabiam ler) e as crenças ditas.

Elas pensavam diferente, mas não porque eram menos inteligentes — mas por que viviam outro mundo, com outras crenças, medos e explicações sobre a realidade. A espiritualidade movia o mundo naquela época, e vivíamos um sistema hierárquico a partir disso, onde era Deus acima de tudo e de todos — Que hoje entendemos como teocentrismo.

A arte, apesar de ser escassa ao povo e patrocinada pela igreja, ainda sim exercia um papel importante. O objetivo da arte era aproximar as pessoas de Deus e do sagrado.

As obras mostravam: Jesus, santos, anjos, cenas bíblicas, céu e inferno. As obras, não continham perspectiva, as pessoas eram pintadas de forma desproporcionais ao real, e poucos anatômicos.

(Artista desconhecido) Um curiosidade sobre a arte medieval, é que os bebes pareciam adultos, e isso sempre foi proposital. Basicamente, os artistas queriam sempre retratar jesus em suas obras. Conhecidos como “homem monóculo” que significa “homem pequeno” e a partir disso, esse bebê monóculo tornou-se padrão para todas as crianças nas pinturas da idade média.

A idade média teve seu inicio na década de 476 d.C — na queda do império romano, quando a Europa começou a se fragmentar em reinos menores. E teve seu fim em 1453/1492 com a chegada de Cristóvão Colombo a America, marcando o início das grandes navegações e expansão européia.

Como visto acima, a idade medieval durou muitos anos, e por isso, foi separada em duas partes:

Alta idade média: feudos, invasões bárbaras, forte poder da igreja, pouca urbanização (as cidades eram bem pequenas)

Baixa idade média: crescimento das cidades, comércio voltando, primeiras universidades, surgimento do renascimento no final do período.

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Não é atoa que chamamos esse movimento como “renascimento” por que foi a partir dele que o homem renasceu na sociedade como um “indivíduo” que é capaz de pensar por conta própria, ler, e fazer arte e viver fora dós padrões religiosos da igreja.

A partir disso, nós mudamos totalmente e foco — antes, o foco era mais espiritual, e religioso, e através desse movimento, o homem começou a ser colocado no centro das atenções. O que chamamos hoje, de humanismo.

O movimento Renascentista foi um dos mais importantes na história da humanidade — além de ter mudado profundamente a forma em como o ser humano enxergava o mundo, também deu inicio há muitos conhecimentos que temos hoje — como a filosofia, ciência, literatura, arquitetura, geografia e matemática (mas isso é assunto pra outro artigo) através de uma das criações mais importantes para nós.

A leitora (ou La Lisesue) de Jean-Honoré Fragonard (1770)

Na idade medieval como dito acima, as pessoas não sabiam ler, já que os livros eram escritos a mão um por um, demoravam meses e anos pra ficar pronto — e por isso eram caros e somente a igreja tinha acesso. Mas no renascimento, tivemos uma evolução, talvez uma das mais importantes da história que foi o início da imprensa (criada por Johannes Gutenberg no século XV) que permitia fabricarmos livros em grande quantidade.

  • os livros ficaram mais baratos,

  • mais pessoas aprenderam a ler,

  • o conhecimento científico e filosófico começou a circular,

  • ideias do Renascimento e depois da Reforma Protestante se espalharam pela Europa.

E isso deu acesso ao conhecimento em diversas áreas.

Com o crescimento do humanismo, a arte acompanhou isso — Como ainda não haviam câmeras, os reis da alta sociedade contratavam artistas para os seus quadros de fotos, É notado que existe uma busca pela perfeição formal nas pinturas e esculturas. Cada vez mais, era necessário que as representações fossem próximas das realidade, com curvaturas, texturas e jogo de luzes que se equiparavam à visão cotidiana. Através dessa necessidade de transmitir o real, os artistas iniciaram seus estudos em perspectiva, profundidade e anatomia humana.

Os artistas pintavam exatamente o que viam na realidade — sem tirar nem por. E é por isso que quando observamos essas obras, elas parecem fotos de tão realistas que são.

Detalhes de textura da obra “Cabeça de menina” (ou Head of a Young Girl) de François Boucher — O trabalho original retrata uma jovem com um leve sorriso de lado, que foi criado para ser um estudo de expressão do artista.

Com certeza você sabe quem é — Leonardo da Vinci foi um gênio, e não é atoa que suas obras atravessaram milhares de anos, existindo até nos dias de hoje. Leo, criou uma forma única de pensar: movido pela curiosidade, ele desenvolveu habilidades em diversas áreas distintas, como pintura, escultura, arquitetura, matemática, anatomia humana, botânica, entre outros.

E uma das suas maiores habilidades era a capacidade de conectar todos esses interesses, muitos deles distintos, em suas obras.

Um exemplo muito bom disso é a Monalisa (1503-1506) — que além de suas técnicas artísticas predominante nessa obra, ele também adicionou seus estudo em ótica, e por isso, seja de qualquer ângulo visto, a Monalisa parece sempre estar olhando pra você.

Outro exemplo, é o “Homem Vitruviano” criado em 1490 — onde Leonardo uniu matemática, ciências, anatomia e filosofia em um desenho só.

Na época, muitos artistas apenas pintavam. Mas Leonardo estudava cadáveres, músculos, ossos e matemática para entender como o corpo realmente funcionava.

O homem vitruviano (1490) Inspirado nos estudos do arquiteto Vitruvius, o círculo simbolizava o universo, a espiral, o infinito. O quadrado simboliza a terra e o mundo material.

Nunca existiu somente uma forma de fazer arte. Nós também temos junto com o movimento renascentista as esculturas, e o homem que foi importante para esse área — Michelangelo Buonarroti, conhecido como “O divino”.

Michelangelo, fez de suas obras aquilo que ninguém nunca tinha visto antes, suas esculturas transmitiam o homem em sua forma mais perfeita e divina. Eram tantos detalhes, que parecia que as esculturas iam se mexer ou respirar há qualquer momento.

Estátua de David (1504) a escultura mais importante do movimento renascentista: Com seus estudos aprofundados em anatomia humana, Michelangelo conseguiu detalhar exatamente o corpo masculino nessa obra. Com cerca de 5 metros de altura, a escultura carrega detalhes como músculos detalhados, veias aparentes, ossos e proporções naturais, e transmite sensação de movimento e tensão pra quem observa.

Anos depois, ele teve uma missão ainda mais importante: pintar a capela de Sistina, que levou quatro anos para ser concluída. Michelangelo se considerava mais escultor do que pintor e, no começo, nem queria aceitar o trabalho.

Mesmo assim, ele passou anos pintando o teto em andaimes altíssimos, olhando para cima quase o tempo inteiro.

A obra mais famosa que temos da capela é a “Criação de Adão” que carrega as duas mãos que não se tocam.

Esses três conceitos estão profundamente ligados em como a forma de pensar da humanidade mudou naquela épocaz

O Renascimento foi um movimento cultural que valorizou a arte, a ciência e o conhecimento, inspirado na cultura da Grécia e Roma antigas.

O Humanismo foi a ideia de colocar o ser humano e sua inteligência no centro dos estudos, valorizando a capacidade de pensar, criar e aprender.

O Racionalismo defendia o uso da razão, da lógica e da observação para entender o mundo, ajudando no surgimento da ciência moderna.

E através dessa narrativa, conseguimos concluir que, o movimento renascentista foi um dos mais importantes para a história da arte e de tudo que conhecemos e estudamos hoje. E é através dela, que conseguimos compreender como o mundo funcionava e como ele passou a funcionar depois disso.

Existe muita coisa interessante para estudar sobre essa época (como estilo barroco, rococó, neoclassicismo, romantismo etc..) e por isso, irei separar esses artigos por partes.

E se assim como eu, você também sentiu a falta de mulheres durante esse movimento, nos próximos artigos, você vai conhecer as mulheres que foram apagadas da história — artistas e intelectuais que desafiaram sua época e também foram geniais e importante para esse movimento.

Obrigada por ler até aqui! Esse estilo de artigo foi com certeza um dos mais interessantes que fiz até agora.

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