Ferramentas aumentam nossas capacidades. Binóculos nos deixam ver mais longe. Rodas nos levam mais rápido. Tacos e bastões nos tornam mais perigosos.
Órteses corrigem ou completam alguma função. Óculos ajustam nossa visão. Palmilhas ortopédicas acertam o caminhar.
Próteses substituem uma funcionalidade ou característica perdidas. Implantes, dentaduras, membros mecânicos e perucas são exemplos.
IAs podem assumir as três funções. Quando são utilizadas como próteses elas: i) tendem a atrofiar a capacidade original. Habilidades cognitivas, assim como os músculos, definham quando são pouco ou mal utilizadas; e ii) em médio e longo prazos, o interagente também pode comprometer a sua capacidade de aprender. A aprendizagem é uma meta-habilidade da qual dependem todas as outras.
As atrofias e desinteligências que as IAs podem causar não são novidade. Cada processo de terceirização pode causar verdadeiras “lobotomias” nas partes contratantes. Acontece com pais que terceirizam a educação dos filhos. Acontece nas empresas que se livram do atendimento aos clientes, por exemplo.
Um amigo, engenheiro de verdade, acha que o VSM pode enriquecer o debate sobre escalabilidade de modelos LLM. Conhecedor de minha fixação pelo Modelo do Sistema Viável, ele pediu uns pitacos.
Acho curioso que os debates sobre como escalar <qualquer-sistema> passam pelo mesmo cruzamento, pela mesma dicotomia: vertical ou horizontal? Pensadores sistêmicos preferem a conjunção e em detrimento da ou. Sistemas complexos crescem para cima e para os lados. Como? Surrupiei uns rabiscos1:
Cada imagem representa um entendimento do que significa recursão2. Das três, a que melhor representa a recursão facilitada pelo VSM é a do meio. Não por acaso, também é a imagem mais natural e elegante3.
O que quase soneguei ao amigo, pelo fato dele ainda não ter participado do Curso de Pensamento Sistêmico, foi o
O teorema informa que um sistema composto pelo mesmo número de subsistemas em cada nível minimiza a própria complexidade. Por exemplo5, 100 componentes individuais geram altíssima complexidade (cerca de 1030 interdependências); Entretanto, divididos em 10 subsistemas com 10 componentes cada, o número é reduzido para aproximadamente 1.02 × 103.
Em outras palavras, o número ideal de partes em cada nível se aproxima da raiz quadrada do número total de componentes do sistema. Ideal no sentido de redução da complexidade. E bota redução nisso!
Sonho realizado. Participar de um post com assuntos aleatórios.
Se não tivesse aparecido a sigla VSM ele teria nos chamado? Acho que não.
Pouco importa. Agora que tô aqui, vou dar pitaco em qualquer assunto.
Manda!
Quando tropecei em “lobotomia”, logo imaginei um prompt que deu nisto
(Risos)
Isso vai dar B.O.
Que nada. Liberdade de expressão.
Quando começarem a falar sério me acordem, tá?
Ih, tá irritada com o quê?
Com o teorema da estruturação mal traduzida, por exemplo.
Por quê?
Achei arbitrário e não rastreável em nosso modelo-mãe-natureza. O número de partes do seu sistema gastrointestinal é a raiz quadrada do número total de partes que você carrega por aí?
Com ou sem a mochila?
Tá vendo? Vocês estão só de brincadeira…
Perdão. Mas alguém já fez essa conta?
Deve ter feito. Afinal, de onde vem esse teorema?
Da Gramática de Sistemas6.
E de onde o Hoverstadt tirou isso?
Sei lá. Mas, peraí, o pedigree importa?
Sempre!
E você acha que o Hoverstadt comprometeria sua gramática com alguma lei, princípio ou teorema mal escorados?
Ele não é perfeito.
Mas foi muito criterioso na seleção que fez. Por favor!
Ele é humano.
Peraí, chata. Tô buscando o texto original. Saca só:
Obviamente, embora o Teorema de Estruturação pela Raiz diga que: todas as outras coisas sendo iguais, o nível ótimo de estruturação de um sistema ocorre quando o número de subsistemas é a raiz quadrada do número de elementos, na vida real, a premissa de “todas as outras coisas sendo iguais” quase nunca é verdadeira. Seja ao falar sobre quantos subsistemas dividir uma máquina complexa, ou quantos módulos de software dividir um programa complexo, ou quantos departamentos ou equipes dividir uma organização, na maioria dos casos, há outros fatores que precisam ser levados em conta ao decidir a divisão estrutural – sistemas complexos não são homogêneos, então não se pode simplesmente fazer divisões matemáticas arbitrárias. No entanto, o Teorema de Estruturação pela Raiz nos ajuda a definir o número de subsistemas que devemos buscar ao desenhar a estrutura. Dito isso, Genghis Khan usou um sistema de divisão matemática estrita para organizar seus exércitos e império, e eles pareciam funcionar bastante bem.
A Gramática de Sistemas é cheia de poréns, entretantos e “todo o resto sendo igual”, né?
Porque estamos falando sobre sistemas complexos, oras.
Acho que esse teorema é outro exemplo de heurística “rápida e frugal” que este finito tanto gosta.
Exatamente! Uma regrinha “de bolso” que todo engenheiro e arquiteto de sistemas deveria conhecer.
Você ficou quieta…
Tô tentando lembrar quantas funcionalidades estão previstas para o produto novo.
Pra ver se o número de níveis no DHF bate com a raiz quadrada da quantidade de funções?
DHF?!
Diagrama Hierárquico de Funções…
Cara, como você tá velho!
Não enche. E aí, bateu?
Nem te conto… enche meu copo?
Sistemas devem ser vistos como ferramentas de compreensão e não como descrições precisas da realidade.
São representações dos entendimentos de Johann Gottlieb Fichte, Friedrich Wilhelm Joseph Schelling e Georg Wilhelm Friedrich Hegel, respectivamente.
Por favor, não venha me dizer que aspectos estéticos não têm nada a ver com o assunto em questão. Obrigado.
Root Structuration Theorem.
Confesso certa dificuldade na tradução. Já tentei “Teorema da Estrutura-Raiz”, “Teorema da Estruturação em Raiz” e “Teorema da Estrutura Radicada”. Não gostei de nenhuma alternativa. IAs não encontraram nenhuma incidência do termo em trabalhos lusófonos!?! Comi bola?
Repito a conta feita por Hoverstadt neste vídeo e no livro abaixo.

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