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almanaque · May 1, 2026

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Paulo Vasconcellos · almanaque

Comecei aprendendo a conversar com o 6502, o “cérebro” dos adoráveis Apple II. Pouco depois, uma guinada de 180°. Além de conhecer o ZIM, uma linguagem de quarta geração e altíssimo nível, tive que aprender a conversar com usuários e compilar tudo em folhas de papel A3. Estava numa empresa japonesa e não tinha ideia de que estava conhecendo ferramentas que reencontraria anos mais tarde na onda Lean/Agile.

Chegaram os anos 1990 e a oportunidade de tocar o departamento de informática da segunda maior cooperativa de leite do Sul de Minas. Um colega fazia o único trabalho que não assumi: digitação. Todo o resto, da instalação de terminais e PDVs até a análise e desenvolvimento, era comigo. Trabalho que fiz com gosto por divertidos três anos.

Meus companheiros de processamento de dados tinham ido para São Paulo. Eu morava sozinho na Mutuca - Elói Mendes - MG, que não tinha mais de 10 mil habitantes. Meus amigos de PD adoravam a Mutuca. Mas viviam me provocando com os desafios de Sampa. Uma combinação de eventos nada desejáveis me empurrou para lá. Foi em São Paulo que passei a virada do milênio e outra guinada na carreira.

Foi em São Paulo que me catapultaram para o cargo de gerente. De cara, na então famosa Brás & Figueiredo, peguei um projeto que me levou a conhecer e contratar um monte de gente boa. Imagina, eu não tinha nem um mês de casa e já tocava “dinâmicas” para selecionar analistas. Em retrospecto, eu acho tudo meio irresponsável, sabe? Mas, em TI, parece que tudo é meio inconsequente mesmo. Fato é que uma parte daquela turma boa esteve comigo praticamente durante toda a minha “fase” Sampa. Bons projetos. Times raçudos. Excelentes amigos. Uma sorte danada.

Passei a responder algumas “chamadas de trabalho”. Quando a primeira palestra, “Engenharia de Requerimentos”, foi selecionada eu mal acreditei. Mas gostei da experiência e resolvi caprichar. Lancei o finito em 2004 para funcionar como um tipo de “caixa de areia” para a primeira palestra estranha, “Aprendizado Inter-Projetos”. Ela estreou na 6ª edição do Seminário Gestão de Projetos de TI da SUCESU-SP e me levou para passear em Floripa e em algumas universidades de Sampa. Gostei da brincadeira. Achei que já podia voltar para Minas.

Como eu ralei em 2006. Entre os percalços, um me ensinou bastante. O tema proposto para um evento anual de gestão de projetos era criatividade. Nossa, como gostei. No entanto, durante a pesquisa, descobri que a palavra “criatividade” não aparecia uma única vez no BoK dos caras. Nenhuma. Meu trabalho menciona isso. E até hoje eu acho que é por isso que ele não foi selecionado. No finalzinho do ano, lamentando as vacas magras, ganhei um presente: um desastrado resolveu falar mal dos analistas de negócios em um grupo de discussão. Ninguém rebateu. Mas aquela provocação me fez desenhar o FAN.

Seis meses na bancada, estudando e desenhando. Lançamento oficial no final de junho de 2007. Eu mal sabia que tinha acabado de criar uma vaquinha leiteira que responderia por 80% dos meus rendimentos por mais de 15 anos. Rodei o Brasil, conheci um tanto de gente boa e entrei em empresas que pareciam inacessíveis na época de gerente numa S/A. Imagina só.

O sucesso do FAN me deixou meio preguiçoso e meio presunçoso. Ou seria ⅓ para cada, o que abriria espaço para o ⅓ teimoso? Deve ser, porque seguirei teimando com o papo de Sistemas: Oficina, Curso, Laboratório. Só não vou teimar com o finito como um blog/newsletter. Depois de 22 anos de serviços prestados, é hora de abrir espaço para o novo

Nome completo: almanaque (para tempos difíceis)

Propósito: trabalhar conceitos, princípios, métodos e ferramentas que funcionem e sejam realmente úteis e usáveis em tempos acelerados, incertos e perigosos.

Segundas intenções: Ser contraponto e complemento aos algoritmos.

Formato: textos, imagens e vídeos entregues através desta newsletter.

Conteúdo: pensado de forma a conversar com todo mundo que precisa usar a cabeça para ganhar a vida. A segmentação em disciplinas ou temas seria uma contradição e um desserviço. Entretanto, para não te deixar a ver navios vazios, podemos combinar que o almanaque vai girar em torno de dois verbos essenciais: saber aprender. Porque

O analfabeto do século 21 não será aquele que não sabe ler nem escrever e sim o que não sabe aprender, desaprender e reaprender.

-Alvin Toffler

OS BONS ALMANAQUES DE OUTRORA - da era em que se usava ‘outrora’ - eram simples, úteis e usáveis. Eles eram desenhados para orientar trabalhos de forma mais enxuta do que as enciclopédias e manuais. A estrutura leve e solta embalava sabedoria prática, dicas rápidas e muitas imagens.

Este almanaque deve seguir os mesmos princípios de desenho. De diferente, além do meio, o recheio: respostas essenciais para a vida nestes tempos difíceis.

A complexidade lá fora não vai passar nem diminuir, pelo contrário. Nossa melhor estratégia nos leva pelo mesmo caminho. Precisamos ser mais complexos. Em termos de hardware nós estamos muito bem equipados. Não se conhece um sistema mais complexo do que o nosso sistema nervoso. Este almanaque se concentra na parte deficitária, no software: precisamos aprender a usar melhor a cabeça.

O almanaque (para tempos difíceis) é um produto finito. O único dispensado de produzir lucros. O que não o impede de falar sobre trocos e trucos.

Organizamos, melhoramos e reforçamos nossos entendimentos ao escrever, desenhar e ensinar. É por isso que eu não transfiro essas responsabilidades para outras inteligências, sejam elas humanas ou não. O que não me impede de buscar por fidbeques e conselhos, sejam eles artificiais ou não.

Recebi meu primeiro convite de trabalho no dia 1º de maio de 1986. Não sou supersticioso, longe disso, mas fiz questão de escrever essas memórias e apresentar o almanaque no mesmo dia.

Read the original on pfvasconcellos.substack.com

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