Você já jogou algum jogo de videogame da saga LEGO?
Eles geralmente pegam alguma franquia famosa (Marvel, Harry Potter, Jurassic Park) e fazem um jogo em cima — claramente de pecinhas lego.
E nós, jogadores, temos acesso a uma aba com todos os personagens disponíveis.
Tem todos os heróis e vilões famosos: Homem-Aranha, Capitão América, Deadpool, e por aí vai…
E tem aqueles que você olha e pensa:
— Por que eu vou querer jogar com esse cara?
Afinal é muito mais legal jogar com o Hulk do que com o Homem-Linguiça.
Se a gente fizer a tradução literal de NPC, é como se fosse “personagem não jogável”.
É aquele personagem que está no jogo, mas não está realmente jogando.
Ele está ali andando pelas ruas. Repete algumas frases. Segue uma rotina pré-programada.
Você pode passar por ele centenas de vezes e provavelmente nem vai lembrar que ele estava ali.
Mas no cunho geral, NPC geralmente é usado para alguém que existe, mas que não tem muita importância, como um figurante de um filme.
Aonde eu quero chegar com essa história de jogos para crianças? (Eu adoro jogar eles).
Muitas pessoas vivem como um NPC no jogo da vida. Andam sem rumo, vivem sem objetivos, já acordam com vontade de voltar para cama.
Agem como se fossem meros personagens secundários da própria história.
Acordam, trabalham, voltam pra casa, passam algumas horas no celular, dormem.
No dia seguinte, repetem tudo novamente.
Não necessariamente porque escolheram essa vida, mas porque nunca pararam para escolher outra.
É perfeitamente possível passar anos vivendo sem nunca decidir conscientemente como você quer viver.
Eu moro em cidade pequena e já vejo isso aos montes aqui. Imagina quem mora em São Paulo?
É um monte de zumbi andando pelas ruas.
Estudam porque todo mundo estuda.
Trabalham porque todo mundo trabalha.
E, quando percebem, já se passaram dez anos.
O problema disso é quando você não sabe mais porque está vivendo dessa forma.
É aí que começa:
Assim como nos jogos, na vida real nós recebemos algumas “missões principais”.
Estudar → faculdade → emprego → casamento → casa → filhos → aposentadoria.
Também tem algumas side quests como passear com o cachorro, ir na academia, sair pra jantar, viajar.
Mas a maioria das pessoas segue essas missões principais.
Não é uma vida necessariamente ruim, mas, como no jogo, aqueles personagens foram programados para viverem assim.
Eles não puderam conversar com o desenvolvedor do game para terem mais destaque na campanha.
Mas nós somos ao menos tempo criadores e jogadores do jogo da vida.
Ninguém escolheu essas missões por nós.
E muitos têm medo de sair desse roteiro.
O NPC pode até perceber que está vivendo uma vida que não quer, mas mudar significa assumir responsabilidade.
Então é mais confortável reclamar.
“Meu trabalho é uma merda.”
Mas não procurar outro.
“Minha cidade é pequena demais.”
Mas nunca sair.
“Eu queria fazer aquele projeto.”
Mas nunca começar.
O NPC também pode ser extremamente ocupado.
Trabalhar 12 horas por dia, fazer academia, estudar, viajar, ganhar dinheiro...
E ainda assim não estar vivendo conscientemente, apenas seguindo a rotina de outra pessoa.
Produtividade não é prova de autonomia.
Um NPC não tem funcionalidade no jogo, ao menos que alguém interaja com ele.
Ele não toma iniciativa, apenas espera alguma coisa acontecer para então reagir.
Alguém chama → ele vai.
Alguém reclama → ele muda.
Alguém decide → ele acompanha.
A vida acontece por cima dele, em vez de acontecer através dele.
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Só que existe uma hora que o NPC percebe que é um NPC.
Às vezes é depois de 30 anos que ele percebe que aquele emprego não é o que ele queria.
Ou após tanto tempo insistindo percebe que o melhor é deixar aquela pessoa ir.
Às vezes acontece quando olha para trás e percebe que passou anos fazendo coisas que nem lembra por que começou.
E quando isso acontece, ele percebe que ninguém estava segurando o controle que o controlava.
Em muitos momentos, foi ele mesmo quem continuou apertando o mesmo botão.
Só que perceber isso também significa descobrir que o controle ainda está na sua mão.
Ele pode mudar de direção.
Não precisa destruir a vida que construiu para deixar de ser um NPC.
Talvez seja suficiente começar a tomar pequenas decisões que sejam realmente dele.
Porque o contrário de ser um NPC não é ter uma vida extraordinária.
É tomar o controle da própria existência.
💬 E você? Tem vivido como um NPC? Conte sua história, deixe um comentário. Curta ❤️restack 🔁
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