Além de ter provocado uma virada radical na forma de entender a sexualidade, Freud também mudou profundamente a maneira como se pensava a infância, sobretudo a partir da descoberta do inconsciente. Só que essas ideias não foram nada bem recebidas na época, como podemos ver no texto História do movimento psicanalítico, que resenhamos aqui:
Suas ideias causaram incômodo, resistência e fizeram de Freud alvo de críticas e preconceitos. Para alguns, ele era visto como alguém “pervertido”, chegando ao absurdo de defenderem que deveria ser punido por abordar temas considerados íntimos e despudorados demais, como relata Ernest Jones, em 1970.
No fim do século XIX, era realmente um choque um médico falar abertamente sobre sexualidade — ainda mais ao afirmar que certos sintomas neuróticos tinham relação com fantasias sexuais infantis. Isso batia de frente com a moral da época e gerava verdadeira indignação. Não à toa, essas ideias foram recebidas como um escândalo e, de certo modo, o eco disso ainda aparece hoje, quando a gente escuta por aí que Freud só pensava em sexo.
O que Freud mostrou, de fato, é que a sexualidade humana é muito mais diversa e complexa do que se imaginava, e isso nos distancia por completo do funcionamento dos outros animais. A partir disso, ele chega à ideia de que vários elementos que compõem a sexualidade adulta — inclusive o fato de o prazer não se limitar aos genitais — já aparecem na infância. Ou seja, existem zonas do corpo que funcionam como fontes de prazer e estímulo desde os primeiros momentos de vida, e que, aos poucos, vão se organizando até formar aquilo que chamamos de

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