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Multi Maternidade · Jun 27, 2025

#4 Sobre amar depois do fim

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Multi Maternidade · Multi Maternidade

Hoje acordei pensando sobre coragem, recomeço e amor.

Olha… É preciso muita coragem pra acreditar no amor de novo. Principalmente quando a gente cresceu vendo um relacionamento que não deu certo dentro de casa. Quando viu o casamento dos pais terminar, viveu traumas, viu cada um indo pro seu lado, às vezes com mágoa, às vezes com silêncio. Quando entendeu, cedo demais, que nem todo amor dura, e, na maioria dos casos, que nem todo fim é pacífico.

Aí a gente, depois de passar por isso tudo, cresce, se apaixona, vive as primeiras paixões, namora, termina, se decepciona, amadurece. Até que chega no ponto de construir a própria família. “Agora vai." “Agora eu vou fazer dar certo.” A gente acha que agora vai ser diferente.

Mas, não foi.

E então vem o que a gente jurou que nunca viveria: a separação. E no meio disso tudo, os filhos. Filhos que sentem, perguntam, que sofrem. E você ali, tentando segurar o próprio luto e ainda ser a fortaleza de alguém. Tentando, pelo menos, fazer diferente agora. Ter um final pacífico. Não falar mal do pai. Incentivar a convivência. Fazer tudo para que a criança tenha o mínimo de impacto por essa decisão de não continuar com a família que a gente tanto idealizou.

E mesmo assim, mesmo depois de passar tudo isso… a gente tenta de novo. Chega uma pessoa, e a gente se abre aos poucos. Analisa se realmente pode continuar. Se vai ser benéfico para a criança. Se permite amar. Se permite começar outra história. E mais do que isso: se permite construir uma nova família. Com tudo o que isso exige. Com todos os ajustes, os choques, os ciúmes, os desafios de convivência.

A gente se abre pra um amor mais maduro. Um amor que sabe que o outro vem com bagagem, que entende que perfeição não é a régua, e que amar, agora, também é incluir. É preciso ter vivido muito pra saber o que se quer de novo. E, principalmente, o que não se quer mais. Mas é preciso mais do que tudo ter coragem. Coragem pra confiar. Pra recomeçar. Pra se dar outra chance.

Porque reconstituir não é só juntar os pedaços. É criar um novo desenho. E que sorte a nossa, mesmo depois de tantos tombos, ainda ter coragem de amar.

Porque no fim das contas, o amor que nasce depois da queda não é mais ingênuo, mas é mais inteiro. Não é sobre prometer que nunca vai doer, mas sobre estar disposto a cuidar quando doer. Não é mais sobre idealizar o outro, e sim enxergá-lo de verdade, com tudo o que vem junto. É saber que vão existir dias difíceis, conversas delicadas, memórias que atravessam, silêncios que machucam. E mesmo assim, ficar.

É escolher com consciência. É amar com presença. É construir vínculos com raízes mais profundas, porque agora a gente sabe o que importa.

E essa escolha, quando vem depois da dor, vale ainda mais. A gente já sabe o que custa, já sabe o que machuca, e ainda assim decide tentar. E isso diz muito sobre quem somos. Sobre o que queremos ensinar pros nossos filhos. Sobre o tipo de amor que queremos viver, e deixar como legado.

Se existe um tipo de amor que merece ser contado, é esse: o que acontece depois do recomeço. Depois do cansaço. Depois da queda. O amor que escolhe ficar.

E se isso não for coragem, eu realmente não sei o que é.

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