Muito se fala sobre a alegria de realizar um sonho. Sobre o brilho no olho, a emoção da conquista, o elogio vindo de todos os lados. Mas quase ninguém fala do outro lado, aquele que chega junto, silencioso, como uma sombra: a autocrítica, a vontade de ter feito mais, a sensação de que ainda não foi suficiente.
Ontem recebi o meu primeiro livro impresso e a primeira coisa que pensei foi: podia ter escrito mais. Podia ter mergulhado mais fundo, ter feito ele mais denso, mais longo, mais grosso. Com mais tempo. “Quem vai querer ler um livro fininho desses?”, foi a frase que veio justamente quando eu deveria estar comemorando.
E é assim que a gente, muitas vezes, vive os nossos sonhos: com uma mão segurando a conquista… e a outra tentando sabotar o que acabou de nascer.
Mas, em seguida, veio outra parte de mim. Aquela que tem pressa em viver, que não espera a perfeição para agir. A parte que bota a mão na massa mesmo com medo, mesmo com dúvida. E ela gritou:
Julia, você tá doida? VOCÊ ESCREVEU UM LIVRO.
É, eu escrevi um livro. Publiquei. E ele está na estante da minha sala. Ao lado de gente grandona, gente que sempre admirei. Ele existe, ocupa espaço, e é prova concreta de que coragem não é ausência de medo, é atravessar o medo mesmo assim. Ah, a coragem… Eu me sinto tão íntima dela. Mas não essa coragem cinematográfica, grandiosa, que sobe no palco com luzes e aplausos. A minha é outra. É a coragem que escreve com frio na barriga. Que entrega um texto sentindo que talvez ninguém se importe. Que publica um livro escutando, lá no fundo, aquela voz dizendo “não tá bom o suficiente”. A minha coragem é a que vai mesmo assim. Mesmo com a dúvida. Mesmo com o julgamento interno que, às vezes, dói mais que o dos outros.
E talvez você também conheça essa coragem. A que não é heroica, mas diária. A que escreve posts e apaga. A que sonha com projetos, mas demora a lançar. A que sente que sempre falta alguma coisa. A que continua, mesmo assim.
Escrever esse livro foi um mergulho, uma travessia, uma escolha entre continuar me escondendo ou finalmente me colocar no mundo com tudo o que sou, mesmo sabendo que ainda vou mudar tantas vezes. Não é só um livro. É um marco. É o meu primeiro livro publicado. É a materialização de um recomeço que deu certo. É o meu jeito de transformar vivência em caminho, amor em ferramenta. É sobre família, a que sonhei, a que reconstruí, a que aprendi a viver. É sobre mulheres que também não planejaram essas rotas, mas seguiram em frente mesmo assim.
E, sim, agora posso dizer: “O Amor Que Eu Não Planejei” é um livro sobre famílias reconstituídas, mas não só. É também um livro sobre mulheres que tentam equilibrar amor, maternidade e cicatrizes. Sobre madrastas que não se encaixam nos rótulos, sobre filhos e enteados, sobre vínculos que se constroem no improviso, na escuta, na vulnerabilidade. É sobre a solidão que às vezes aparece onde deveria haver colo. E também sobre a coragem de continuar tentando amar, mesmo quando o caminho não é fácil.
É, a menina que preferia escrever do que falar agora tem um livro.
E, se quiser ler o livro, ele está disponível aqui https://www.multimaternidade.com.br/ <3
Com amor,
Julia Kacurin
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