Olá, bom te ver aqui :)
Nesta edição, trago minha visão sobre o ecossistema de Micro-SaaS no Brasil, quais são as principais bolhas que estão nessa onda e os principais tipos de negócios que mais vejo surgir.
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Uma profissional de marketing com 13 anos de experiência viu uma notícia sobre feminicídio, sentou no Lovable por algumas semanas, e construiu um produto que faturou R$ 22k no primeiro mês, R$ 90k no quarto mês, e projeta R$ 150k agora em outubro.
Mas não é sobre os números.
É sobre ter coragem de resolver um problema que literalmente ninguém queria resolver.
Eu conheci a Sabrine Matos aqui em Curitiba. E quando ela me contou a história da Plinq, eu percebi algo que raramente vejo: alguém que não estava procurando uma oportunidade de negócio, mas que esbarrou num problema tão grande e tão urgente que não dava mais pra fingir que não existia.
Esta é a história de como ela construiu isso. Você pode assistir online também.
Março de 2024. Sabrine está assistindo TV com a mãe quando vê uma reportagem que a paralisa.
Uma mulher foi assassinada pelo namorado. Antes de morrer, ela mandou áudios para as amigas contando como tinha sido a experiência na delegacia da mulher. No áudio, ela diz uma frase que Sabrine nunca mais esqueceu:
“Gente, eu não sabia que ele tinha sete passagens criminais. Se eu soubesse, eu nunca teria saído com ele.”
Horas depois desse áudio, ele a matou.
Sabrine ficou olhando para aquela reportagem e pensou:
“Ela não morreu porque ele matou ela. Ela morreu pela falta de informação.”
E aí veio a pergunta óbvia: por que essa informação não é fácil de achar? É dado público. O governo tem isso. Qualquer um pode acessar. Mas ninguém acessa porque é complicado, burocrático, difícil.
A mãe dela virou e disse: “Você fica o dia inteiro na frente do computador trabalhando com tecnologia. Não existe uma forma de usar tecnologia pra resolver isso? Estão matando milhares de mulheres todos os dias.”
Foi aí que começou.
Sabrine não é uma desenvolvedora. Nunca foi.
Ela é uma profissional de marketing e growth com 13 anos de experiência. Começou aos 15 anos vendendo camisetas de bandas e sagas tipo Crepúsculo num e-commerce que a mãe ajudou a criar. Ficou com essa marca dos 16 aos 18 anos.
Depois disso, virou consultora de marketing. 10, 11 anos atrás ela já fazia o que o pessoal de gestão de tráfego começou a fazer agora - Google Ads, Facebook Ads desde que surgiu no Brasil, estratégia digital para pequenos e médios negócios.
Teve uma empresa com 25 funcionários que faturava R$ 200k/mês. Fechou. Tentou outras coisas. Algumas deram certo, outras não. Gastou R$ 3-4k num projeto de automação de WhatsApp que não decolou por complexidade técnica.
Ela sempre quis fazer produto, mas nunca soube programar. E sempre teve que procurar dev, negociar, esperar.
Até que veio a onda de IA em 2023/2024. Ela começou a ver gente fazendo coisas legais com ChatGPT, viu surgir Lovable, Bolt, essas plataformas. E pensou: “Talvez agora eu consiga fazer sozinha.”
O timing era perfeito. A pessoa certa, com o problema certo, na hora certa.
Sabrine sempre trabalhou B2B. Nunca quis fazer B2C (tirando o e-commerce de adolescente). Ela sabia que B2C era mais difícil, mais caro, mais arriscado.
Mas quando ela viu aquela reportagem, algo mudou.
Ela começou a pesquisar. Entrevistou 25 advogados criminalistas - advogados que defendem homens, que defendem mulheres, especializados em diferentes áreas. Queria entender cenários, contextos, implicações legais.
E descobriu um dado assustador: feminicídio e violência contra a mulher (tirando tráfico) são os crimes com mais reincidência no Brasil. De cada 10 pessoas que cometem esses crimes, 7 vão fazer de novo.
Na cabeça dela, que sempre trabalhou com dados e projeções, isso era óbvio:
“Caramba, eu tenho um dado que me diz que de 10 pessoas que fazem isso, 7 vão fazer de novo. Esse é um dado do governo. Por que eu não tenho uma forma de saber esse dado para criar uma análise preventiva?“
Foi só um pensamento lógico de uma pessoa que trabalha com dados a vida inteira.
Sabrine chamou o Felipe, um dos seus sócios (hoje ela tem dois), que também vem de growth e entende muito de automação e N8N.
Eles testaram várias stacks. Tentaram Base44, tentaram algo que acho que era Zite, mas não gostaram. Ficaram no Lovable mesmo.
A stack final:
Lovable (front-end)
N8N (automações e cruzamento de dados)
Supabase (banco de dados)
De março a junho, eles fizeram 3 versões do zero. Testaram, descartaram, refizeram. Sabrine cuidou de todo o Lovable e Supabase. Felipe cuidou de toda a parte de cruzamento de dados, tratamento de homônimos, decisão de quais bancos de dados usar.
E aqui vai uma coisa importante: eles não tinham certeza de que ia dar certo.
As regras do jogo eram:
Poderia não ficar pronto - e tudo bem
Se não funcionasse, tirariam do ar rapidamente
Nada de planejamento gigante, nada de roadmap de 6 meses. Eles iam fazer até entender qual seria o futuro.
Dia 2 de junho, eles lançaram a Plinq.
Uma plataforma onde você coloca o CPF de alguém e vê se a pessoa tem antecedentes criminais. Simples assim.
Os preços:
Pesquisa única: R$ 9,90
Mensal: R$ 20,00
Ilimitado: R$ 97,00
Decisão crítica: cobrar desde o primeiro dia.
Sabrine explica por quê:
“Se eu colocasse de graça, numa plataforma web que é muito mais difícil de reimpactar, eu ia ter todo um trabalho pra fazer esse cara usar de novo pra ele me pagar. Vamos vender isso como infoproduto até a gente entender como vai fazer.“
Ela e Felipe já tinham experiência com infoproduto. Sabiam que B2C sem cobrança vira suporte infinito, gente pedindo feature, roadmap sobrecarregado. E ninguém pagando.
No dia do lançamento, postaram no Instagram, no Linkedin, mandaram para amigos, e para sua surpresa, um dos posts viralizou.
Eles não estavam preparados. Ninguém está preparado para viralizar no MVP. O N8N engasgou um pouco. Ajustaram. Seguiram.
Junho (primeiro mês): R$ 22.000
Julho: R$ 26.000
Agosto: ~R$ 70.000
Setembro: ~R$ 90.000
Projeção Outubro: R$ 150.000
Hoje a Plinq tem 7 pessoas no time. Mas o crescimento não foi mágico. Foi trabalho, teste, e mais trabalho.
De junho a julho, eles cresceram no orgânico. Sem fazer nada de marketing. Estavam tentando entender o que estava acontecendo, processos internos, rotina.
Sabrine conta: “Do dia pra noite eu tinha jornalistas, pessoas conhecidas mandando mensagem. Eu precisei de um tempo pra processar.”
Agosto foi quando começaram a virar a chave.
Sabrine contratou o Gabriel, que trabalha com ela full time em marketing. E deu uma missão inusitada pra ele: assistir TikTok o dia inteiro, pegar tendências, e trazer pra Plinq.
Eles testaram tudo:
UGC com IA (levaram 2 perfis de 0 a 25k seguidores, mas não converteu)
Carrossel no Instagram
Stories
Influencers de 500-600k seguidores
Até que acharam o ouro: UGC com criadoras reais.
Hoje a Plinq tem 10 meninas criando conteúdo em tempo integral - de domingo a domingo. Cada uma posta vídeos nos próprios perfis do TikTok com link pra Plinq.
Resultado: vários vídeos com milhões de visualizações por semana só no TikTok.
Eles têm vídeos com 6 milhões de views, 4 milhões, 3 milhões. Toda semana algum vídeo viraliza.
Uma criadora gravou chorando: “Ia sair com esse cara do Tinder, joguei na Plinq, ele é Red Flag.”
Era um caso real que uma usuária tinha mandado. Eles traduziram em vídeo.
Esse vídeo sozinho:
4 milhões de visualizações
1 milhão de views nos primeiros 3 dias
R$ 5.000 em vendas em um único dia
A atribuição é clara. Quando um vídeo viraliza, o faturamento explode. Eles veem o pico imediatamente.
Sabrine divide o marketing em dois:
On Brand (Instagram da Plinq):
Investidores vão ver
Jornalistas vão ver
Atores e atrizes da Globo recompartilham
Tem que estar alinhado com como a marca quer se mostrar
On User (TikTok com UGC):
Conversa com a usuária final
Entende o que ela quer ver
Traduz isso em vídeo que vira venda
Não está atrelado diretamente à marca
O único canal de paid que funciona? Google Ads Search. E o único termo que converte é “Plinq”.
Ou seja: branding é tudo. Quando viraliza no TikTok, o Google Search explode junto. As pessoas pesquisam “Plinq TikTok”, “Plinq Confiável”, “Plinq Plataforma”.
É um efeito cascata.
Sabrine recebe ameaça de processo todo dia.
Pessoas já tentaram invadir o sistema de todo jeito. Teve problema com dados expostos no Lovable que eles tiveram que remover manualmente. Teve dia que o sistema ficou lento. Teve dia que a API de pagamento deu problema e demorou pra compensar créditos.
E tem o lado psicológico.
A Plinq tem mais de 100 casos catalogados de mulheres que disseram: “Ia sair com esse cara, joguei na Plinq, vi que ele foi condenado por homicídio/tráfico/violência, desisti.”
100 casos. E isso é pouco. Porque é difícil fazer as mulheres falarem.
Sabrine resume: “Eu vendo um PDF que pode salvar sua vida. O quanto vale um PDF que pode salvar sua vida?”
Ela conversou com a mãe da Vanessa (a moça da reportagem). A mãe disse: “Eu venderia tudo pra minha filha ter tido acesso a isso.”
Perguntei direto pra Sabrine: “Você teve problema de escala? Quebrou algo?”
Resposta: “Zero. De não funcionar, zero.”
Obviamente tiveram problemas:
Tentativas de invasão (resolveram)
N8N engasgou quando pegaram 1.500 usuários no primeiro dia (ajustaram)
Algumas coisas do Lovable que deixaram expostas (removeram)
Dias com sistema lento (como qualquer sistema)
Mas nada crítico que impedisse o negócio de funcionar.
“Problemas vão existir até num sistema hardcode. A diferença é que com no-code você resolve em minutos, não em semanas.”
Já tem gente copiando. Óbvio que tem. Mas Sabrine não está preocupada. E explica por quê:
“As pessoas olham a coisa de forma muito superficial. Elas pensam: ‘Essa menina que não sabe nada sentou no Lovable, fez uma mágica, e aconteceu isso.’“
A verdade:
Entrevistou 25 advogados criminalistas
Montou um board de advisors com gente dos maiores escritórios de compliance do Brasil
Construiu marca e PR
Trabalha domingo, sábado, filho no hospital, trocando mensagem com o Gabriel sobre TikTok
“Eu posso falar passo a passo tudo que eu fiz. É difícil replicar.”
E tem mais: já começaram a construir o aplicativo mobile. Com um CTO de verdade (Micael). O app vai ter o ciclo completo de segurança. E o que é a plataforma hoje? Vai ser apenas 1/8 do que o app vai ter.
“Se alguém com muito dinheiro, tipo a filha do Jorge Paulo Lemann, resolver fazer. Aí sim.”
De resto? Boa sorte.
Agora o foco é:
Finalizar captação de investimento até final de novembro
Lançar o aplicativo mobile
Meta: 3 milhões de usuários nas primeiras duas semanas
Sabrine é direta: “Eu vou sumir de todas as redes sociais depois que lançar o aplicativo. Vai vir muita gente atrás de mim, vai dar problema com muita gente. Mas é problema bom.”
E a internacionalização? Ela já recebe proposta todo dia.
Índia, Austrália, Suécia, Peru. Uma menina do Peru manda mensagem no LinkedIn todos os dias porque a irmã dela foi morta por um cara com antecedentes.
É um problema global que ninguém está resolvendo.
Mas Sabrine não vai sair atirando pra todo lado. Cada país tem suas leis, estrutura de dados diferentes. Tem país onde dados criminais não são públicos.
Vai ser um estudo de médio prazo. Pós-Brasil, pós-aplicativo.
1. Tenha Dinheiro (Sério)
“Primeira coisa: tenha noção de que você vai ter que investir mais do que num negócio B2B pro negócio andar.”
Se você ver uma publi no Instagram da Plinq? Custou no mínimo R$ 10.000. Não custou menos do que isso.
As 10 criadoras de UGC? Ganham salário + comissão de venda.
B2C é caro. Ponto.
2. Não Espere Perfeição
“Não se apegue do tipo: ‘Nossa, mas tem 500 pessoas fazendo o mesmo que eu.’ Pense em uma forma diferente de fazer.”
A Plinq não tinha botão de deletar conta. Colocaram depois.
Várias features? Adicionaram quando usuários pediram.
Você não cria produto pra você. Você cria pro usuário.
3. Teste 1 Milhão de Coisas
“Muitas pessoas querem que eu dê uma bala de prata. Gente, eu testo coisas 24 horas por dia. É isso que eu faço.”
Eles testaram:
UGC com IA (não converteu)
Carrossel (não funcionou)
Instagram (não decolou)
TikTok com criadoras reais (FUNCIONOU)
Frameworks de teste. Zero apego. Testar, medir, descartar, seguir.
4. Não Planeje Demais
“Não planeje demais, não pense demais. As pessoas esperam uma bala de prata. Não é assim.”
Eles lançaram. Dois dias depois viralizaram no LinkedIn. Dois dias depois saíram reportagens. As coisas foram acontecendo, e eles foram lidando com os cenários.
Não tinha plano de 12 meses. Tinha: vamos fazer até entender o que vai ser.
5. E Se Der Errado? Faz Outra Coisa
“Na pior das hipóteses vai dar errado. E daí? Você vai lá e faz outra coisa.”
Sabrine já teve empresa de 25 funcionários, R$ 200k/mês. Fechou.
Já gastou R$ 3-4k em projeto que não deu certo.
Já tentou múltiplas coisas antes da Plinq.
Levou 13 anos pra chegar aqui.
“As pessoas ficam paralisadas com medo. Eu não consigo entender. Se der errado, tá bom. Faz outra coisa. É muito simples.”
6. Você É Servo do Usuário
“Não foque em fazer a coisa mais perfeita do mundo porque você acha que é bom. Solta, ouve as pessoas, depois você vai colocando.”
Insights de usuários > planejamento perfeito
7. Sem Coragem, Sem Resultado
“As pessoas buscam muito uma bala de prata. Querem o framework, mas não querem o trabalho de trás das coisas.”
Domingo. Sábado. Filho no hospital. Trocando mensagem sobre vídeo do TikTok. Se você não tem essa visão de EXECUÇÃO, você não constrói nada.
Obrigado por ler até aqui :)
P.S.: Se você quiser conhecer a Plinq, é só acessar plinq.com.br. E se quiser acompanhar a jornada da Sabrine (marketing, growth, bastidores), segue ela no Instagram: @sabrineplinq
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