Semana passada, Singapura sediou o Diálogo de Shangri-La, principal fórum de Defesa do Indo-Pacífico, portanto, maior fórum do mundo, considerando as potências e os interesses que existem nesta vasta região. Para quem quiser se inteirar dos principais assuntos, discursos e tendências, segue abaixo texto e podcast sobre o assunto:
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1- ASEAN
No início de junho de 2026, o governo de Hun Manet notificou a ONU e a Tailândia de que iniciaria um processo de “conciliação compulsória” sob a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (UNCLOS). O objetivo é resolver uma disputa sobre cerca de 26 mil km² no Golfo da Tailândia, uma área que pode conter enormes reservas de petróleo e gás natural. A decisão veio após a Tailândia cancelar unilateralmente um acordo de 2001 (conhecido como MOU 44), que servia de base para negociações e possíveis projetos conjuntos de exploração energética na área disputada. Bangkok aceitou participar, porém, no passado a Tailândia já ignorou decisões desfavoráveis, como no caso da Corte Internacional de Justiça, que em 1962, decidiu que o templo de Preah Vihear pertencia ao Camboja. Arrastando o conflito até os dias de hoje. Fato é que essa disputa é de longe a mais preocupante de todo o sudeste asiático, pois tem capacidade para implodir a Asean por dentro.
2- BRUNEI
O sultão anuncia ampla reforma ministerial, o destaque é para a nomeação de seu filho, Príncipe Abdul Mateen, para o cargo de ministro das Relações Exteriores, função que era ocupada pelo próprio sultão desde 2015. Ele é um fenômeno nas redes sociais com milhões de seguidores.
3- CAMBOJA
Com a crise no Irã, o Camboja passa por risco de segurança alimentar. Agricultores afirmam que o aumento vertiginoso dos preços dos combustíveis e fertilizantes está comprimindo ainda mais suas margens de lucro. A gasolina aumentou mais de 5% na primeira semana de maio, o país importa a maior parte de seu combustível e fertilizantes. Dados do governo mostraram que o país importou cerca de US$ 420 milhões em fertilizantes e quase US$ 218 milhões em pesticidas no ano passado, com as importações de fertilizantes aumentando em cerca de US$ 26 milhões em relação ao ano anterior. Além disso, importou quase 220 milhões de dólares em combustível somente em janeiro deste ano. O preço médio do kg de arroz está em U$ 0,20, mas agricultores afirmam que ele precisaria estar em mais de U$ 0,25. O governo afirmou que está monitorando a situação.
4- FILIPINAS
Em 3 de junho de 2026, a Assembleia Geral da ONU realizou a eleição para os novos membros não permanentes do Conselho de Segurança, Filipinas e Quirguistão entraram em uma corrida por votos, já que nenhum deles alcançou a maioria qualificada de dois terços na primeira votação, foram necessárias quatro rodadas de votação. Ao final, o Quirguistão venceu com 142 votos contra 49 das Filipinas. Para as Filipinas, a derrota representa um revés diplomático importante para o governo de Ferdinand Marcos Jr., especialmente porque Manila vinha tentando ampliar sua projeção internacional em temas como o Mar do Sul da China e a defesa do direito internacional, inclusive, sendo a atual presidente da Asean.
Pequim resolve sancionar o secretário de Defesa das Filipinas, Gilberto Teodoro Jr., e seus familiares imediatos, como falamos no podcast sobre Shangri-La, Manila foi o país que mais elevou o tom em todo o fórum, criticou a China com palavras duras. Em nota oficial, Pequim afirmou que Teodoro fez repetidas declarações “irresponsáveis” e “errôneas” sobre a China, prejudicando os interesses chineses e as relações bilaterais.
O senado filipino é o último bastião da derrocada institucional total, com presidente e vice se acusando de diversos crimes. O problema é justamente, que na política atual, as correntes são divididas entre “pró Marcos” e “pró Duterte”, nesse cenário, como confiar em decisões “neutras” ou “justas”? Muito interessante essa matéria do The Diplomat sobre o “drama do Senado”.
5- INDONÉSIA
A Indonésia sofreu grandes atentados nas décadas de 2000 e 2010, incluindo os ataques de Bali em 2002 que repercutiu mundialmente pelo alto número de estrangeiros vitimados. Nos últimos anos, o país aprovou reformas que ampliaram a participação das Forças Armadas em operações antiterrorismo. Desde o fim da ditadura de Suharto, em 1988, a Indonésia buscou desvincular o exército da política, no entanto, com o presidente e general, Prabowo Subianto, há muita gente que vê uma instrumentalização dos militares na política sob várias justificativas, entre elas, o combate ao terrorismo. O debate sobre contraterrorismo tornou-se também um debate sobre o futuro da democracia e das relações civis-militares na Indonésia.
6- LAOS
Laos planeja plantar quase 10 milhões de árvores em todo o país. Autoridades de diversas províncias afirmaram que a campanha visava aumentar a cobertura florestal, recuperar terras degradadas, melhorar a biodiversidade e incentivar a participação pública a longo prazo na conservação ambiental. Essas campanhas estão alinhadas com a estratégia florestal nacional do Laos, que visa aumentar a cobertura florestal para 70% até 2035. A meta surge como resposta ao declínio florestal de longo prazo associado à expansão agrícola, à exploração madeireira e ao desenvolvimento de infraestrutura. Nas últimas duas décadas, o Laos perdeu cerca de 58% de suas florestas nativas.
7- MALÁSIA
Crise política na Malásia com a provável ruptura entre Pas e Bersatu. Desde as eleições de 2022, PAS e BERSATU formavam o núcleo da oposição reunida na coalizão Perikatan Nasional (PN). Porém, em 2025–2026 surgiram disputas internas sobre liderança, estratégia eleitoral e distribuição de poder. O PAS vem crescendo eleitoralmente e acredita que pode liderar sozinho o campo político malaio-muçulmano. Já o BERSATU enfrenta divisões internas, expulsões de dirigentes e perda de influência. Recentemente, o PAS assumiu posição ainda mais dominante dentro da oposição. No entanto, quem pode ser beneficiar é a UMNO, que corre por fora.
- UMNO: antigo partido hegemônico da Malásia, perdeu sua primeira eleição em 2018 após um gigante escândalo de corrupção.
- PAS: principal partido islamista do país.
- BERSATU: partido nacionalista malaio fundado por dissidentes da UMNO.
8- MYANMAR
A junta militar de Myanmar está recorrendo à Rússia para tentar ressuscitar um antigo projeto tecnológico chamado Yatanarpon (ou Yadanabon) Cyber City, que há quase duas décadas é apresentado como a futura “Silicon Valley de Myanmar”, mas que nunca alcançou seus objetivos. Segundo a matéria, os militares preferem os russos aos chineses pois já dependem excessivamente da relação bilateral com Pequim.
9- SINGAPURA
As autoridades de Singapura alegam interferência estrangeira nos assuntos internos do país, fomentando divisões raciais e visando os sul-asiáticos por meio de uma plataforma sediada na China que supostamente semeia discórdia racial com conteúdo online. Em 6 de junho, a polícia anunciou ordens para a desativação de conteúdo que circula no YouTube, Facebook e X “que visa a comunidade indiana e mina o modelo de multiculturalismo de Singapura”.“No mês passado, começaram a circular online, no espaço informativo chinês, narrativas de que Singapura estaria demonstrando ansiedade em relação à nossa identidade cultural e à política étnica. Pouco depois, surgiram conteúdo online com narrativas inflamatórias sobre a diversidade cultural de Singapura, sugerindo que o país estaria sendo invadido por indianos”, revelaram as autoridades em um comunicado à imprensa. De acordo com dados do governo de Singapura de 2025, os chineses constituem 75,5% da população, enquanto os indianos representam 7,6%. Os malaios étnicos compõem outros 15%, numa composição racial equilibrada que é acompanhada de perto pelas autoridades. Nas últimas décadas, profissionais altamente qualificados do sul da Ásia se mudaram para trabalhar em TI, finanças e no meio acadêmico, ocasionalmente gerando debates públicos sobre oportunidades de emprego e densidade populacional, trazendo à tona questões de xenofobia, atritos culturais e pressão habitacional.
10- TAILÂNDIA
Após mais de 3 anos em coma, morre a princesa da Tailândia, com 47 anos. Ela desmaiou em dezembro de 2022 enquanto passeava com seus cachorros. Seus médicos atribuíram o desmaio a uma arritmia cardíaca grave, causada por uma infecção por micoplasma no coração. Ela era cotada para suceder seu pai. E falando nisso, veja o fio de puro suco de fofoca sobre a conturbada relação do rei com seus filhos aqui!
11- TIMOR-LESTE
Quase metade das crianças timorenses sofre de atraso de crescimento! Menos crianças morrem, mais mulheres têm acesso a cuidados de saúde e a taxa de fertilidade continua a diminuir. Apesar destes progressos, quase metade das crianças timorenses com menos de cinco anos sofre de atraso de crescimento, revelando que a desnutrição continua a comprometer o futuro do país. O governo diz concordar com a seriedade dos dados, e que está trabalhando para diminuir esses números.
12- VIETNÃ
Com o fim do tarifaço pela Suprema Corte, Washington vem recorrendo aos mais diversos argumentos para tarifas países ao redor do mundo, ou pelo menos, ameaça-los para que não contestem as tarifas, mesmo que seja totalmente paradoxal com o próprio governo Trump, como alegar desmatamento no Brasil. Em relação ao Vietnã, a “preocupação” foi com trabalho forçado.
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