É impossível não usar a internet vivendo na sociedade atual. O mundo está cada vez mais adaptado para isso e nunca se sabe da próxima atualização. Sou do ano de 2007, posso dizer que vi muitas coisas mudarem, e após eu ganhar um celular aos 11 anos, digamos que outros tipos de problema começaram a surgir na minha vida.
Quando eu digo problemas, eles são na verdade bem superficiais. Existem problemas muito piores acontecendo com pessoas que têm uma realidade diferente da minha. Foi a partir desse pensamento que tive a ideia para escrever. Meu primeiro exemplo, quando foi que deixamos as redes sociais ditarem o certo e o errado quando o assunto é a forma que nos relacionamos com outras pessoas, na amizade e no namoro?
Que atire a primeira pedra quem nunca descobriu um novo termo que popularizou nas redes e acabou se identificando ou criando um problema com isso? Vamos listar alguns: pick-me girl, love bombing, amizade de baixa manutenção, ghosting, regra dos 3 meses, hip-dips (??) e tantos outros.
A verdade é que não há problema em pôr numa caixinha/nomear o que você está passando, mas estamos nos comparando cada vez mais e criando novos problemas em cima de situações que talvez não deveriam ser um problema. Quanto mais a identificação, mais imersos estamos na bolha das frustrações humanas, algo que deveria ser normal. O motivo? Imagine que você discute com um(a) amigo(a). Você abre seu TikTok, e se depara com um vídeo de uma alguém que você não conhece dando um conselho/opinião sobre a situação que você está vivendo. Você passa o vídeo, e de repente outro vídeo, mas com um outro ponto de vista. E então, você abre os comentários, buscando por mais respostas. Cada um comenta algo diferente. E de repente você se perde dentro de muitas opiniões de algo que você está passando e esquece de olhar para o seu próprio ponto de vista.
Quando eu era criança, passei por muitos grupos de amizade, mas sempre mantive meus próprios gostos, e principalmente a minha essência. Nunca mudei para me encaixar em nenhum lugar. Eu sou uma menina que não tem o costume de passar maquiagem e meus amigos mais presentes da vida são meninos que eu conheci na escola. E eu tenho CERTEZA que 30% das pessoas que leram essa sequência de palavras pensaram de forma irônica: “Uau, ela é tãooo diferente das outras garotas, deve ser pick-me”. E na real, eu passei por essa situação numa roda de meninas ao comentar que não uso maquiagem.
Apesar de não ligar para esse tipo de coisa, me senti um pouco estranha de ter sido julgada por algo que é meu próprio costume. Pensei: “Eu estou errada por isso? Ou esse estereótipo se popularizou na internet como um problema? Ou será que todas elas são inseguras? Eu deveria usar maquiagem pra me validar como mulher num grupo de meninas?”
De uns anos pra cá eu acabei também criando um senso muito grande de exposição. Acho que o que minha família tentava alertar quando eu era adolescente não era em vão. Nem tudo precisa ser exposto e compartilhado. Normalizamos a necessidade de postar para provar que fizemos algo, como se os outros merecessem saber o que fazemos sempre. “Você faz academia? Você nunca postou sobre…”, “Você não postou feliz aniversário para a fulana? Vocês não eram amigas?”. E também, há a parcela que finge realizar algo por aprovação, o famoso “performar”, termo que si só já dá um outro artigo (rsrs)
O algoritmo é muito certeiro, as redes sabem exatamente que situação você está passando ou o universo em que você está inserido dependendo de fatores como: tempo de retenção, curtidas, republicados, pesquisas. A polaridade de opiniões nas redes sociais é algo que passa muitas vezes como despercebida, justamente por estarmos presos na nossa própria bolha algorítmica. Quanto mais você concorda (realiza a ação de curtir um vídeo), mais vídeos aparecerão sobre essa opinião, e será suposto que o outro lado talvez seja uma minoria, pois você não vê o contrário. E isso vale para qualquer assunto.
“O drama da Internet é que ela promoveu o idiota da aldeia a portador da verdade.“
Umberto Eco
Se formos ainda mais longe, o uso de inteligências artificiais mudaram completamente nossa forma de raciocinar e resolver problemas. Não foi apenas um método de pesquisa. Se tornou algo que pensa, procura e faz tudo por você. E ainda mais do que deveria, usando dados coletados de outros lugares, pessoas, numa mistureba feita pra você reutilizar quando quiser. Todos fomos vítimas. Na escola, faculdade, trabalho, e em alguns casos até em conselhos pessoais. Estamos lentamente nos tornando parassociais. Todas essas questões me fazem pensar: será que metade do nosso tempo de tela realmente está sendo útil?
A verdade é que não existe um certo ou um errado quando o assunto são as redes sociais. Você pode postar, não postar, usar ou não usar. O que devemos tomar cuidado é como nossas informações estão sendo compartilhadas e no que demandamos nosso esforço e energia ao usá-las. Se é algo que afeta muito o seu mental, talvez seja necessário refletir sobre a forma como você passa seu tempo na internet. Caso você repare que está se fechando numa bolha e esteja ficando sem uma opinião originalmente formada por você, é legal tirar um tempinho para pensar sobre o assunto sem o uso do celular. É importante também saber resolver problemas sozinho, se desafiar a aprender e resolver. Humanos também podem ajudar. O importante é não perdermos nossa humanidade e arriscarmos nossa integridade ao utilizar a internet.
Dica do dia: veja como seu tempo de tela está organizado
e muuuuito obrigada por todo o carinho com os meus textos 🩷 se você é novo por aqui, não se esqueça de se inscrever!
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