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makers gonna make · Dec 9, 2025

#110 recap de 2025 e previsões para 2026

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hele carmona · makers gonna make

oie! seja bem-vinde a mais uma edição da makers :) eu sou hele carmona, jornalista, designer e artista multimídia. o ano de 2025 está perto do fim e nessa edição resolvi fazer uma recapitulação do ano + compartilhar algumas expectativas e metas pro ano de 2026. como sou alguém que não só trabalha como designer mas também escreve sobre o campo e acompanha os principais movimentos do mercado, essa edição traz a análise num nível geral e pessoal/profissional — inclusive, vou adorar saber de vocês também! pra mim, esse ano foi atravessado por 3 macrotemas: inteligência artificial, trabalho e a tensão entre online e offline. vamos?

Vamos começar tirando o elefante da sala? Repetindo o que aconteceu nos últimos dois ou três anos, 2025 foi marcado por grandes lançamentos ou integrações de ferramentas de IA generativa por grandes players do mercado. Como já destaquei aqui na newsletter, incluir essas ferramentas em softwares já previamente adotados pelos profissionais do mercado de design é uma ótima estratégia para fomentar o uso delas — afinal, elas já estão ali mesmo! Acho que o movimento mais bold foi o do Figma, que em outubro adquiriu a plataforma Weavy e lançou o Figma Weave, uma espécie de hub de IA nativo:

“A Weavy reúne os principais modelos de IA do mundo com ferramentas de edição profissional em uma única tela baseada no navegador. Com a Weavy, você pode escolher o modelo ideal para cada tarefa (por exemplo: Seedance, Sora e Veo para vídeos cinematográficos; Flux e Ideogram para realismo; e Nano-Banana ou Seedream para precisão) e compor elementos poderosos usando saídas de IA generativa combinadas com edições manuais (como ajustar iluminação, mascarar um objeto ou fazer a correção de cor de uma cena).”

Embora o Figma adote um discurso mais moderado sobre o uso de IA vs. criatividade humana (do mesmo texto: “acreditamos que o primeiro prompt é apenas o ponto de partida criativo, não o destino final. (...) Se você quer se destacar, precisa ir além do prompt para chegar a algo realmente excelente”), o caminho é bastante similar ao dos concorrentes. No mesmo mês, o Canva anunciou “uma geração de IA criada especificamente para a área criativa, capaz de entender a lógica do design e criar conteúdo editável em segundos”; e a Adobe passou o ano todo atualizando e expandindo o Adobe Firefly e incorporando ferramentas ao Illustrator e ao Photoshop.

Outro lançamento que deu uma chacoalhada na gente foi o Nano Banana Pro, do Google, um modelo generativo de imagens com resultados (aparentemente, embora eu mesma não tenha testado) bastante realistas. O que nos leva a uma importante mudança de paradigma desse ano: antes, presumíamos que imagens e vídeos eram reais e depois descobríamos que eram IA. Agora e daqui pra frente, é razoável presumir que qualquer conteúdo online tenha uso de IA a menos que seja explícito e sinalizado o contrário.

Plataformas como o Instagram e o TikTok têm adotado, desde o ano passado, rótulos para conteúdos gerados por IA, mas nem sempre eles se mostram eficientes ou claros o suficiente; até legendas automáticas podem acabar rotuladas como material de IA, o que não é tecnicamente incorreto, mas é bem diferente de vídeos e imagens completamente falsos — que por sinal, muitas vezes acabam nem sendo rotulados quando os metadados se perdem ou são removidos. Parece que como lidar com o problema da desinformação é uma pauta que está sendo deixada pra depois da adoção em massa de ferramentas generativas.

Voltando para o mercado de Design, o estúdio Môre Design e o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados lançaram um report sobre o uso de IA por designers brasileiros que trouxe o impressionante marco de 94% de adotantes; mas, quando olhamos a pesquisa com mais cuidado, vemos que o principal uso é para escrita e revisão — o que, vamos combinar, designers já faziam pouco mesmo antes do ChatGPT. Também senti falta de desdobramentos sobre o uso. Por exemplo, 48% usa para gerar imagens, mas será em todos os trabalhos? Será que sempre chegam em um resultado satisfatório? Já atendi clientes que queriam muito usar imagens de IA, mas nem sempre o resultado preenche os requisitos da campanha. Talvez 2025 tenha sido o ano da quantidade, e não da qualidade. Será que em 2026 isso vai mudar?

Do report IA no Design em 2025, de Môre e Ibpad

2025 também foi um ano de questionamento e posicionamento crítico em relação a esses movimentos. Vimos denúncias públicas pelo treinamento ilegal de modelos de IA com dados de usuários e movimentos como o Unidad organizando debates e promovendo discussões sobre a regulamentação da tecnologia no país. Foi um ano em que gostei muito de acompanhar pesquisadores sérios, como a Catharina Doria, falando sobre os perigos relacionados à desinformação e privacidade nas redes sociais. E também foi o ano em que organizei a coletânea Armadilhas, com sete textos sobre a relação entre design e automação.

Esse ano me tornei freelancer em tempo integral e, como todo profissional nos primeiros meses de estúdio solo, em alguns momentos me vi com mais tempo do que clientes, e aproveitei a oportunidade para investir na minha produção autoral. Esse caminho me levou a participar de feiras de arte impressa como expositoras e uau! Que surpresa boa ver os eventos tão cheios. Conversando com organizadores desses eventos, dá pra notar que nossa ressaca coletiva de encontros digitais da pandemia ainda não passou completamente. Feiras como a Delícia Impressa, a Miolos, a Motim e a Mamute seguem lotando, criando um ambiente incrível pra conhecer outros criadores e fomentar financeiramente o campo dos impressos.

Também tive a oportunidade de participar de alguns eventos em universidades aqui no Rio, como a Puc e a Ufrj, e foi legal perceber os alunos engajados em entender o que os aguarda no futuro próximo. Ouvi muitas perguntas e discussões sobre o mercado de trabalho, não só no sentido de oportunidades e remuneração mas também sobre novas (e velhas) tecnologias, regulamentação da profissão, manutenção e busca por mais direitos trabalhistas… Questões que às vezes parecem ofuscadas por “revoluções de mercado”.

A impressão que eu tenho — e pode ser uma bolha, mas acho que vale a menção — é que estamos deixando um pouco de lado a competitividade tão acirrada impulsionada pelo liberalismo e as narrativas de sucesso individual para compreender que, mesmo quando trabalhamos como autônomos, dependemos dos nossos pares. Seja porque cada um tem o seu papel em uma longa cadeia criativa — de quem organiza os eventos a quem frequenta — ou porque está ficando claro que pra melhorar as perspectivas individuais precisamos atuar de forma coletiva enquanto classe criativa.

Transparência e ética em IA

Olhando pra tudo isso, tenho algumas expectativas (espero que não sejam apenas wishful thinking!) para o ano que vem. Não gosto da ideia de que tecnologias sejam inexoráveis, mas precisamos ser realistas e concordar que empresas bilionárias vão continuar investindo na disseminação de IA; acredito que movimentos questionadores precisam e vão surgir.

Conforme o debate sobre privacidade e desinformação vier a tona — porque ele vai se tornar inevitável — profissionais e clientes podem buscar mais transparência em relação às ferramentas. Se elas vão ser incorporadas, é importante saber como são desenvolvidas, como são treinadas e principalmente quais são os princípios éticos norteadores. Aliás, qual dessas empresas de software que mencionamos têm um comitê ativo de ética e responsabilidade social? Será que não é a hora de cobrar essa responsabilização da parte delas, e não apenas dos usuários?

Busca pela própria linguagem, curadoria e a vida online

Também acho que muitos profissionais e marcas vão precisar encontrar (ou reencontrar) a própria linguagem no meio de um mercado saturado de coisas muito parecidas e genéricas, geradas por IA ou não. Isso vai valer tanto pra trabalho quanto pra conteúdo na internet: nunca houve tantas pessoas e portais para acompanhar, e em 2026 vamos nos perguntar: o que eu ganho seguindo esse criador/portal/marca? O que estou trazendo da internet pra minha vida? Dois extremos de conteúdo baseados na curadoria devem ganhar força: os “giros de notícia”, conteúdos curtos e pouco aprofundados com foco na atualização geral sobre algum tema; e os conteúdos mais aprofundados e longos sobre temas específicos, incluindo podcasts e plataformas como o próprio Substack. Em ambos os casos, a figura do autor, curador ou fonte deve se fortalecer. Em quem podemos confiar numa época como essa?

Aprendizado contínuo

Nessa mesma linha de se informar melhor, acho que o life-long learning vai seguir forte; essa ideia de que a formação profissional não acaba nunca e nem se mantém necessariamente dentro da academia. Pode parecer uma corrida sem fim, uma linha de chegada inalcançável — mas criatividade é prática, e seja pra acatar ou rejeitar as tendências do mercado, precisamos nos manter em movimento. Em 2025, quis voltar minha energia de aprendizado para as soft skills: comecei um curso de oratória porque notei, nas palestras que fui convidada a ministrar, que posso melhorar minha auto expressão, além de que comunicação é uma habilidade útil pra todo mundo. Também me reconectei com práticas manuais e comecei a pintar bauernmalerei, como minha mãe e minha avó. Não é um aprendizado que levo diretamente pro meu trabalho, mas a criatividade é um bichinho que exige uma dieta variada, e trabalhar a paciência e as escolhas técnicas dentro da pintura abriu minha mente pra novas possibilidades dentro do design.

Já para o ano que vem, tenho outros planos: focar um pouco mais em habilidades técnicas, as hard skills. Desde que abri o hele studio em maio, percebi o quanto é importante dominar ferramentas e processos diversos, não só para elevar a qualidade do trabalho autoral, mas para conseguir colaborar melhor, delegar e entender toda a cadeia de produção de um projeto.

É por isso que escolhi voltar a estudar com a Aprender Design :) A agenda de 2026 já está no ar com turmas confirmadas de Direção de Arte 101, Design de Produtos Digitais, Direção e Produção de Ilustrações… e muitos outros cursos que ajudam a construir esse arcabouço criativo. No link você pode conferir mais detalhes sobre os cursos, como turmas disponíveis, conteúdo dos cursos e quem são os professores.

Confira a agenda completa

Gosto muito da abordagem da escola: os cursos são ao vivo, o que evita de ficar procrastinando de assistir, cria um senso real de comunidade e favorece o ✨networking✨. Todos os cursos estão com 20% de desconto até 31 de dezembro, perfeito pra incluir nas metas do ano que vem. Ah, e eles ainda vão confirmar mais turmas! Pessoalmente, estou muito animada para fazer o Animando Marcas e Produtos, já imaginando vários projetinhos de motion combinando técnicas analógicas. No ano que vem volto pra compartilhar como foi a experiência com o curso! Obrigada Aprender Design por patrocinar esse trecho da newsletter :)

Bem-estar profissional no mercado criativo

Fechando as expectativas pra 2026, acho que profissionais da indústria criativa querem trabalhar melhor, ganhar melhor, mas continuar gostando do que fazem; afinal, se fosse pra odiar meu trabalho, eu seria advogada e não designer e artista multimídia. Vejo debates aumentando em torno de tópicos como precificação mais justa, limites mais claros, contratos e negociação com clientes, além de mais conversas abertas sobre trabalho, dinheiro e burnout.

E você, quer compartilhar alguma percepção sobre 2025 ou expectativa pra 2026?

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obrigada por ler até aqui! se você sentiu falta de um apanhado de melhores do ano, como livros e cases, calma que essa edição está no forno! nessa edição quis focar em movimentos do mercado porque no ano passado vi poucas análises desse tipo e é algo que sinto falta. como sempre, fique a vontade pra comentar ou responder esse e-mail se tiver alguma dúvida ou sugestão. se você gostou da edição, compartilhe com alguém que vai aproveitar essa leitura também :)

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Read the original on makersgonnamake.substack.com

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