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Mãe de Zé · May 29, 2026

A João o que é de João

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Mãe de Zé · Mãe de Zé

E aí, pessoas?

Bom, se meu último texto criticou as emendas do deputado João Daniel (PT-SE) ao PL 3080/2020 e o PL 6238/25, é mais que minha obrigação dizer que o deputado retirou tudo. A partir da pressão de parte da chamada comunidade autista, João Daniel que, como eu havia sinalizado antes, é um militante histórico dos movimentos sociais por terra e reforma agrária, percebeu que algumas temáticas não estão bem amadurecidas no debate público e que existem sérias divisões de perspectiva política entre autistas, entre cuidadoras, entre professores, enfim, entre quem vivencia o autismo de alguma forma.

Primeiro, eu quero agradecer ao deputado, mesmo que ele jamais vá me ler.

Segundo, quero reafirmar a importância de eleger gente de esquerda com experiência de movimento social. Compreender as contradições, o vai e vem das pautas, as disputas que às vezes são de táticas, às vezes, pessoais, às vezes, estruturais, é algo que o movimento social ensina. E quanto mais esse movimento social for organizado por pessoas historicamente precarizadas, como é o caso do MST, mais esse aprendizado é enraizado e incorporado pelos seus militantes.

Em terceiro lugar, quero chamar a atenção para algo que ouvi do deputado no meio daquela confusão toda que foi o fato de terem sido realizadas audiências públicas para chegar às conclusões que levaram aos textos, agora, retirados de pauta. É preciso que parlamentares, figuras públicas em geral, instituições democráticas, entendam que cuidadoras de pessoas que precisam de suporte 24/7 não participam de audiências públicas. Por mais que esse seja um instrumento de altíssima importância e deva ser utilizado sempre que possível para ouvir a população, a gente mal consegue tomar banho. Em tempos de vitória contra a escala 6x1, é mais que necessário lembrar que o esgotamento laboral retira as pessoas dos espaços políticos, e o cuidado é um labor, é um trabalho, dos mais extenuantes, invisíveis e, claro, não remunerados. Não sei - tenho palpites apenas - sobre como viabilizar a presença de cuidadoras de pessoas com deficiência (que não podem representar a si mesmas) na política, mas sei que é um assunto urgente.

Aliás, quando falei da presença de autistas nível 1 de suporte em gabinetes, de forma alguma foi desmerecendo a ocupação desse lugar. Eu acho incrível que todos que possam passar por um cargo assim o façam. Minha questão é que há que se buscar uma forma para que a representação de cuidadoras também seja viável nesses espaços. É só olhar a guinada na vida da Vanessa Ziotti, assessora de Andrea Werner (PSB-SP).

Por fim, queria acrescentar que vi no próprio instagram de João Daniel, que uma dessas audiências públicas, realizada dia 13/05/26, teve como foco “a inclusão de pessoas neurodivergentes com necessidade de suporte reduzido (como autistas nível 1, pessoas com TDAH, dislexia e outras condições”. Sabem o que eu acho disso?

Acho ótimo! É precisamente nisso que insisto o tempo todo: que as pessoas falem por si! Se é possível não só uma audiência pública, mas a auto—organização de pessoas autistas nível 1 de suporte para falar de suas experiências, organizar suas demandas, acolherem-se, e tudo mais que entenderem adequado, eu só posso ser a favor.

Minha contrariedade só entra em cena quando essas pessoas querem assumir o lugar de fala das pessoas de maior grau de suporte. Nestes casos, eu não vejo como não sermos nós, cuidadoras, as principais demandantes e organizadoras das pautas. Isso, claro, pensando que cuidamos de pessoas que não podem representar seus próprios interesses. Aliás, não é nada mais do que já acontece com crianças e adolescentes, independente de serem típicos ou atípicos.

Dito isso, e mudando totalmente de assunto, o plano de saúde aumentou, contra liminar judicial, mais de mil reais da minha mensalidade pelo segundo mês (quem me acompanha no bluesky já sabe), vou colocar aqui o print:

A primeira eu parcelei no cartão de crédito e a segunda não sei. O juiz já foi comunicado no processo? Sim. Desde o aumento no mês passado. Então, se você conhecer alguém na 7ª Vara Cível de Aracaju-SE e quiser pedir para o magistrado olhar o descumprimento da liminar, eu agradeço, porque hoje a assessora que cuida do processo estava em home office e outra ficou de “passar o caso”. Ou seja.

Outra coisa que vocês podem fazer é manter a assinatura da newsletter, pelo que eu agradeço sempre e imensamente, e seguirem o perfil “lojinhaduzeh” no instagram para venda de livros, cosméticos e mais o que for aparecendo. É um pouco o que eu fazia aqui com a Feira do Zé, e também o que já faço no bluesky divulgando links. Nos bons tempos do twitter, mais de 30 mil seguidores me garantiam alguma visibilidade, hoje, a coisa está mais difícil (não tenho mais twitter/X).

Como sempre, não vou ter tempo de revisar o texto, perdoem qualquer coisa.

O pessoal da leitura guiada do “Outra Sintonia” já recebeu email, mas não custa reforçar: quarta-feira, 03/06/26/ às 19 horas, mais um encontro.

Lembrete: essa newsletter é e sempre será gratuita. Caso deseje voluntariamente fortalecer minha escrita, você pode assinar um plano de R$ 10,00 por mês; R$ 100,00 por ano, ou fazer pix, a qualquer momento, de qualquer valor, para 79981565384 (celular). A meta atual é atingir 250 inscritos pagantes. Hoje, são 231, o que dá exatos R$ 2.136,72 mensais. Dê preferência à assinatura via plataforma do substack (debitada na sua fatura de cartão de crédito), caso pretenda contribuir regularmente para nos ajudar a atingir a meta. É só clicar no botão roxinho abaixo. Obrigada.

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