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A Nova Música Clássica · Apr 8, 2025

Mas o que diabos é essa tal de Nova Música Clássica?

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Luiz De Simone · A Nova Música Clássica

(Atualizei esse artigo em janeiro de 2026. Lá no finalzinho coloco minhas primeiras composições que dialogam com a Nova Música Clássica. É a busca por minha essência, por minha visão de simplicidade. Não deixe de conferir! ♫ Agora vamos ao artigo!)

A música clássica tradicional enfrenta um debate constante sobre sua relevância e o seu futuro. Em meio a essa discussão sobre a crise da música clássica e da música de concerto, surge um movimento musical revigorante: a Nova Música Clássica.

Mas, para aqueles que ainda não a conhecem, a pergunta é inevitável: o que diabos é essa tal de Nova Música Clássica? Vamos, você e eu, mergulhar nesse universo da música clássica contemporânea - e estou certo de que não é o que você imagina! - explorando seu potencial como um sopro de vida para a música erudita. Tudo isso vem da minha perspectiva pessoal como pianista e compositor, é claro. O piano é um elemento central nessa minha maneira de ver as coisas.

Antes de nos aprofundarmos no que exatamente é a Nova Música Clássica, é crucial reconhecer o contexto em que ela surge. A música clássica tradicional, apesar de seu inegável valor histórico e artístico – é o grande legado da humanidade para o universo, pra deixar claro meu nível de apreço – enfrenta desafios significativos no século XXI.

Salas de concerto lutam para atrair um público mais jovem e diversificado, a percepção de elitismo e inacessibilidade ainda paira sobre o gênero, e a relevância para as novas gerações é constantemente questionada. Por explorar um repertório predominantemente centrado em obras de séculos passados existe uma noção muito palpável de ser “música de museu”, como dizem por aí, e por conta disso não conseguir reverberar plenamente nas audiências do mundo contemporâneo.

Tenho uma visão fria a respeito do resultado de diversas pesquisas que são realizadas sobre isso. Não compartilho da ideia de “música de museu”, é claro, mas reconheço que essa é uma percepção real do grande público. Para além de minhas paixões, quero ter um entendimento realista do cenário como um todo.

Sim, eu já ouvi essa pergunta feita assim dessa forma, com essa ênfase, com essas palavras! A pessoa, no caso, até veio a se tornar muito interessada e uma grande “consumidora” do estilo, mas havia um certo desconforto inicial por não fazer ideia do que eu estava falando. Pois bem, vamos lá!

Há neste momento compositores das mais diversas formações e influências espalhados pelo mundo inteiro criando um repertório fascinante para piano solo. Eles estão ocupando os grandes teatros, ganhando prêmios ligados ao mundo da música clássica (acredite se quiser!), assinando contrato com as mais antigas e tradicionais gravadoras do mundo clássico e, o mais importante, enchendo os teatros com um público de todas as idades, inclusive os mais jovens!

A Nova Música Clássica mistura elementos da música clássica tradicional com elementos da contemporaneidade vindos do pop, jazz, música eletrônica e com largas doses de minimalismo. Com composições mais acessíveis e diretas, ela valoriza a simplicidade melódica em uma atmosfera expressiva e introspectiva. Sua proposta é trazer a tradição da música clássica para o contexto atual, atraindo novos públicos e criando preciosas pontes entre o passado e o presente.

Alexandra Stréliski e seus públicos gigantes. Tratamento de diva pop!

Veja essas fotos de uma apresentação da pianista e compositora canadense Alexandra Stréliski. Ela é uma celebridade no Canadá e mobiliza públicos gigantescos para seus concertos. Às vezes vejo imagens assim de relance e penso “nossa, que festival de rock é esse, com tanta gente reunida num estádio?”. Quando me dou conta é apenas mademoiselle Stréliski tocando seu piano acompanhada de uma pequena orquestra e coro... Imaginar tanta gente assim para ver e ouvir isso é incrível. E ela ainda recebe tratamento de diva pop, causando até uma certa histeria nos fãs. Não é curioso? Não desperta sua curiosidade?

“E que música tão magnética seria essa?” – você pode pensar. Quer ouvir uma delas? Vou compartilhar o link de uma de suas peças que particularmente gosto muito, chamada The Breach, e que aliás toco em um dos concertos da série A Nova Música Clássica para Piano. Basta clicar aqui!

Posto abaixo um vídeo meu tocando a peça Opus 12, de Dustin O’Halloran. Ao longo do vídeo alguns textos vão aparecendo e falando mais do compositor e sua obra. Procure ver até o fim! Essa peça é uma verdadeira pérola para piano solo! Uma outra de suas obras, inclusive, teve participação importante na construção de toda essa minha jornada com esse estilo. Prometo depois escrever melhor sobre isso.
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Pense em artistas como Ludovico Einaudi, Yann Tiersen, Max Richter, Ólafur Arnalds e Nils Frahm, além de centenas, milhares de outros! Suas músicas – muitas vezes presentes em trilhas sonoras de filmes, notórias playlists de streaming e concertos em grandes teatros abarrotados de gente – demonstram a capacidade da Nova Música Clássica de atrair um público vasto e engajado, incluindo muitos que talvez nunca tenham se interessado pela música clássica tradicional. Aliás, muitos que diziam até não gostar de música clássica mudaram de opinião.

Um comentário que já ouvi diversas vezes nos concertos que tenho feito é uma variação do tipo: “Ah, isso é música clássica? Ué, então eu já gostava e nem sabia”. E isso é dito com alegria, com uma certa euforia, quase como um alívio. É como se houvesse um desejo oculto de quem está ávido por descobrir e se conectar a um novo universo musical, ainda mais um ligado à música de concerto, e finalmente o tivesse realizado.

É claro que existe um grande respeito pelo ambiente da música clássica. As pessoas adorariam conhecer mais intimamente, ter uma conexão genuína com uma Arte historicamente tão apreciada, tão admirada, e que é tocada nos teatros mais importantes do mundo. Ir num concerto de piano solo e ver que é possível compreender o que está acontecendo ali é um prazer novo para muitos. Algo até mesmo libertador!

É exatamente neste ponto – a capacidade da Nova Música Clássica de se conectar com um público amplo – que vejo a música clássica tradicional deixando escorrer por entre os dedos uma poderosa oportunidade para lidar com os desafios que vem enfrentando nas últimas décadas.

Essa resistência ao novo é um tremendo erro estratégico por parte de alguns setores da música clássica tradicional.

Em vez de ver a Nova Música Clássica como uma forma "diluída" ou "simplificada" de música erudita, algo de menor valor, sem profundidade, a tradição deveria reconhecê-la como um aliado poderoso para reverter esse quadro adverso que entendo como sendo de “crise”, expandindo seus braços e trazendo para perto este novo membro do clube, reconhecendo o valor artístico e o enorme potencial de público da Nova Música Clássica.

Abaixo segue outro exemplo desse lindo repertório, uma peça que já está se tornando um clássico entre os admiradores do estilo. É uma composição do talentoso e expressivo compositor holandês Joep Beving, que se diz sempre em busca de falar de emoções complexas da forma mais simples possível. Sinceramente acho que ele está sendo bem sucedido nessa busca…

Acredito que a chave para o futuro da música clássica reside na abertura e no reconhecimento do valor da Nova Música Clássica. Integrar obras desses novos compositores em repertórios de concerto, no programa das academias de música, promover colaborações entre artistas dos dois "mundos" e recebê-la como parte de um espectro musical mais amplo são passos cruciais para garantir a vitalidade e a relevância da música clássica no século XXI.

A Nova Música Clássica não é uma substituta da velha música clássica tradicional, mas sim um complemento. Ela oferece uma porta de entrada acessível e emocionalmente engajadora para o universo da música instrumental, podendo despertar a curiosidade e o interesse de um público mais amplo por obras mais complexas e tradicionais no futuro.

Essa convivência entre o tradicional e o atual tem tudo para reavivar a paixão pela música de piano, demonstrando que a música instrumental continua sendo uma forma de arte relevante e poderosa no nosso tempo.

…vejo claramente isso acontecendo, o passado e o presente perseverando juntos, num saudável e virtuoso processo de retroalimentação que pode marcar essa parceria fundamental na construção de um futuro musical mais vibrante e esteticamente democrático. É o famoso ganha-ganha!

Como sempre digo, o mundo precisa de Arte – como nunca! – e não podemos deixar passar essa chance bem debaixo de nossos olhos. Sejamos atentos. Viva a nova face da música clássica para piano!

(atualizaão de Janeiro/2026)

Como disse lá no topo deste artigo, vim aqui compartilhar minhas três composições mais recentes, todas de 2025 e todas representando minha busca por uma linguagem mais sóbria e simples. Como diz o Joep Beving, “falar de coisas profundas do jeito mais simples possível”.

Gosto muito dessa jornada, dessa atitude artística. Sinto que estou longe de encontrar o meu “essencial” e minha linguagem ainda é muito cheia de texturas e notas. Bem menos do que meus momentos mais lisztianos (hehe, se é que algum dia tive momentos assim), mas ainda assim distante do que seja algo fundamentalmente simples. E tudo bem. Essa é minha busca e minha busca apenas.

Abaixo estão os três lançamentos deste ano, todos lançados por minha gravadora – Novo Klassico Records – e disponíveis em todas as plataformas digitais de streaming de música. Por favor, caso você visite alguma delas, não deixe de seguir meu perfil. Sua presença será muito apreciada! 😊

BRISA (15/08/2025)
https://music.imusician.pro/a/K8y-niDd/

ESSENCIA (20/09/2025)
https://music.imusician.pro/a/33jPllpj/

TEMPUS (22/11/2025)
https://music.imusician.pro/a/HpCFuID7/

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Quer comentar algo sobre as músicas ou sobre qualquer outro aspecto dessa conversa toda? Estou aqui, a postos! Não hesite por um segundo sequer!!

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Read the original on luizdesimone.substack.com

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