Quando li um artigo do New York Times sobre o “looping da solidão” e como as Big Techs estão lucrando com isso, criando todo um mercado, me bateu um incômodo. O texto explora como soluções digitais contra a solidão, como companhias de Inteligência Artificial, algoritmos das redes sociais e chatbots, muitas vezes nos prendem em ciclos de isolamento, nos afastando de relações humanas de verdade. Isso porque algoritmos e interações com IAs não são relações, são reflexos. Elas aprendem o que a gente quer ouvir, devolvem sem atrito, nos servem sem causar culpa e estão sempre à disposição. E, assim, vamos atrofiando a nossa capacidade de criar vínculos de verdade.
E será que, com a Lúcidas, eu também faço parte dessa “economia da solidão”? De certa forma, sim. Desde o início da plataforma, há dois anos, eu venho alertando (sempre com base em estudos e na OMS) sobre os perigos da epidemia da solidão e o peso da centralidade do amor romântico na vida das mulheres. E, nessa semana, estou lançando nosso primeiro AULÃO ONLINE DE SOCIAL FITNESS, pra gente aprender juntas a fortalecer os músculos da amizade (falo mais no final). Dei uma parada pra pensar, porque não quero criar uma comunidade em cima de promessas de conexão fácil nem entrar nesse looping.
Mas o que a Lúcidas propõe como antídoto pra nossa busca por conexão é algo mais simples. E mais difícil, se comparado às soluções tecnológicas pra fugir da solidão: priorizar nossas amizades. Cuidar da saúde social. Reaprender a criar laços reais. Saber que isso dá trabalho, mas tentar mesmo assim.
Tava falando disso lá no LinkedIn e recebi um comentário que traduziu exatamente o que sinto e o que a Lúcidas busca construir:
Essa é a nossa verdade. Obrigada, Eti, amiga que fiz num grupo de Whatsapp (sim, isso existe!) e que é uma incentivadora da Lúcidas desde o começo. A Eti participou de um dos nossos encontros da Trilogia Amor de Amiga, em Junho, o BRINCAR (post que conta como foi lindo aqui). As experiências são a cereja da Lúcidas: já criamos encontros pra fazer novas amigas, pra aprofundar uma relação existente, pra brincar (e colorir s*r*b4s). Já montei uma "Banquinha de Social Fitness" no MECA Inhotim pra incentivar as participantes a pensarem sobre seus vínculos. Tudo ainda bem artesanal, às vezes incômodo, mas sempre emocionante. Sempre uma descoberta incrível pra mim e pras participantes. Sempre HUMANO.
Sente o clima do CHEGAR, encontro que promovemos com o Relacionadengo pra mulheres com mais de 30 se encontrarem pra fazer novas amizades:
Não dá pra ouvir nada mesmo porque o papo rolou solto com a metodologia que a gente propôs para “matches da vida real". Teve gente que não queria ir embora, que marcou de ir no pagode, já deve post declarando amizade eterna no feed e um grupo criou um clube do livro. Eu fiquei emocionada.
E é essa vontade genuína de incentivar que as mulheres priorizem suas amizades (novas ou de sempre), somada a bastante pesquisa e prática que deu origem ao nosso primeiro AULÃO ONLINE DE SOCIAL FITNESS - 90 minutos pra fortalecer os músculos da amizade e começar a se sentir mais conectada.
Social Fitness é o nome desse conceito que propõe: assim como cuidamos dos músculos do corpo, precisamos exercitar nossos músculos relacionais para não atrofiar nossa saúde social. Essa ideia surgiu a partir da maior pesquisa sobre felicidade já feita no mundo, em Harvard, cuja principal conclusão é: se você precisar tomar uma única decisão pela sua saúde e felicidade, que seja cuidar das suas relações. Como a gente desaprendeu a fazer isso de forma natural e cotidiana (ou alguém aí ainda consegue colocar uma cadeira na calçada e papear com a vizinha?), os autores apresentam o Social Fitness. As pesquisas dão uma série de caminhos para que a gente possa fazer isso de acordo com o estilo de vida e necessidades de cada um.
Neste encontro de 90 minutos, online e ao vivo, vamos passar por alguns fundamentos e práticas apresentadas principalmente em duas obras: The Good Life: Lessons from the World's Longest Scientific Study of Happiness (dos líderes atuais do estudo de Harvard) e The Art and Science of Connection: Why Social Health Is the Missing Key to Living Longer, Healthier, and Happier (de Kasley Killam, que abriu o SXSW desse ano falando de Saúde Social).
O aulão terá 3 etapas principais, em que vou guiar os participantes em algumas reflexões e práticas:
Sua "Bioimpedância Social": Como identificar a "composição" das suas conexões (qualidade vs. quantidade) e o impacto delas na sua saúde.
Rotina de Treino: Descubra pequenas e poderosas ações para o dia a dia, baseadas nos princípios da OMS e nos estudos de Harvard.
Exercício Prático: Vamos escolher um exercício para treinar a presença nas suas interações.
QUANDO: 27/07, Domingo, das 10h às 11h30
QUANTO: R$ 55 (inteira) ou R$ 22,50 (pra quem tá sem grana)
ONDE: plataforma Zoom, inscrições no Sympla
“Será que é pra mim? Eu já tenho amigas.”
Não é sobre quantidade de vínculos, mas sim sobre olhar com clareza e generosidade pra qualidade das nossas relações e pensar se você quer criar novos vínculos, cuidar melhor dos existentes ou mesmo cortar alguns. Vamos juntas vislumbrar uma vida com mais bem-estar, propósito e resiliência, alinhada com as recomendações da OMS para uma sociedade mais saudável.
“Eu sei disso, mas não tenho tempo.:
Aí a gente volta lá pra conclusão de Harvard: se você precisar tomar uma única decisão pela sua saúde e felicidade, que seja cuidar das suas relações. A falta de tempo, a falta de grana, o excesso de pressão da vida hoje é o que nos afasta dos nossos vínculos e nos empurra pra solidão (e pras soluções imediatas das Big Techs). Enfrentar isso tem que ser uma decisão consciente assim como fazer musculação pra poder ir no banheiro sozinhas quando estivermos idosas. Mas não se preocupe: vamos passar por práticas pra quem não tem tempo. Atitudes simples, que criam conexão e não precisam de dias de preparativos. E não tem nada a ver com amizade de baixa manutenção, hein.
EU ESTOU ANIMADA, criando tudo com o maior carinho e esperando vocês.
Se tiver qualqueeeeer dúvida ou pedido, me escreve? Vou amar.
Um beijo,
Lari Magrisso
Fundadora e Diretora Criativa da Lúcidas
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