Essas notas foram baseadas em uma apresentação que fiz num congresso no ano passado. A mesa da qual participei era parte de um seminário temático sobre “Cinema comparado” – um conjunto de pesquisadores que se reúne há alguns anos para discutir métodos e abordagens, seja por comparações entre filmes, cineastas, movimentos, conceitos ou entre o cinema e outras áreas.
Se a “Literatura comparada” já é uma disciplina estabelecida há mais de um século, um estudo correspondente do cinema ainda está em vias de organização. Não é incomum que propostas comparativas sejam feitas na crítica de cinema; elas na verdade talvez sejam tão frequentes, e há tanto tempo, que criam a impressão de serem naturais, e mais ainda, já compreendidas em seus fundamentos. Mas isso significa que costumam prescindir de esforços teóricos, e que tendem a ser intuitivas, supondo que a base mesma da comparação é ausente de problemas, quando não de interesse. Também por isso, quando um trabalho se volta a esse nível elementar, a impressão é de que se analisa as próprias condições de possibilidade do pensamento.
O tema da minha apresentação era a linguagem e a retórica do comparatismo no cinema, partindo de uma adaptação dos termos de Hayden White sobre a “Metahistória”. Inicialmente, eu pretendia falar mais sobre as diferentes acepções do termo, por White e por Hollis Frampton, mas preferi me concentrar em White por questão de tempo. Retomo aqui uma citação a Frampton, embora não seja central para o meu argumento.
No geral, esse texto pode ser lido em complemento às Notas sobre crítica (VI), que terminam com uma bibliografia sobre a retórica na crítica de cinema.

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