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Diário de uma Taróloga · May 4, 2026

Um Papa que estudava tarô: será verdade isso?

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Letícia Tórgo | Psicoterapeuta · Diário de uma Taróloga

Não é muito difícil encontrar referências e símbolos iconográficos que fazem alusão ao tarô em Igrejas que foram construídas na época do Renascimento. Aliás, eu já fiz um conteúdo por aqui falando sobre tarô e religião…

Mas será que existiu mesmo um Papa que estudou sobre o tarô?

João Paulo II, cujo nome de nascimento era Karol Józef Wojtyła, foi um papa da Igreja Católica Romana, servindo como o 264º Papa de 1978 até sua morte em 2005. Ele nasceu em 18 de maio de 1920, na cidade de Wadowice, na Polônia, e foi ordenado sacerdote em 1946.

João Paulo II foi o primeiro Papa não-italiano em mais de 450 anos e o primeiro Papa polonês na história da Igreja Católica. Ele desempenhou um papel significativo em eventos históricos, como a queda do comunismo na Europa Oriental, sendo considerado uma figura influente na política mundial.

Durante seu pontificado, João Paulo II enfatizou a defesa dos direitos humanos, a paz mundial e o diálogo inter-religioso. Ele fez inúmeras viagens pastorais, visitando diversos países e sendo reconhecido como um líder carismático e eloquente.

João Paulo II foi beatificado em 1º de maio de 2011 pelo Papa Bento XVI e canonizado em 27 de abril de 2014 pelo Papa Francisco. Ele é lembrado como um dos Papas mais populares e carismáticos da história, tendo deixado um legado duradouro na Igreja Católica e no mundo.

-Tá, Let, adorava o esse Papa, mas onde o tarô entra nessa história?

É ele quem aparece nesta curiosa e controversa foto que foi publicada na página 27 de um conhecido jornal alemão, o Weltbild, em 18 de novembro de 1988.

A imagem está meio caidinha (coisas de Internet e de um tempo em que a gente tirava foto com máquina fotográfica e ainda revelava), mas vale observar a pilha de livros que está à sua frente. Vem comigo no zoom…

À esquerda acima os livros que estão sobre a mesa, abaixo sua versão original e à direita o detalhe da mesa do Papa.

Apesar da falta de nitidez da foto, um olhar mais atento revela que, entre os volumes utilizados para elevar o microfone durante a entrevisa, há dois livros com o título Die Großen Arcana des Tarot, ou seja, a tradução alemã de uma edição que foi lançada anonimamente e postumamente em 1980, com o título Méditations sur les 22 Arcanes Majeurs du Tarot (em italiano, publicado como Meditazioni sui tarocchi. Un viaggio nell’ermetismo cristiano ou em português: Meditações sobre o Tarot: uma viagem no hermetismo cristão). A versão em inglês está disponível AQUI.

Olha uma print do autor e da versão em italiano aqui:

Meditações sobre o Tarot: uma viagem no hermetismo cristão

Naturalmente, ninguém pode ter certeza se o Papa polonês realmente leu ou mesmo demonstrou algum interesse por um livro de Tarot. Ao mesmo tempo, é também verdade que dificilmente poderíamos afirmar o contrário. Afinal, os livros estão ali, ao alcance de suas mãos e - por alguma razão - foram “escolhidos” para dar altura para o microfone e invariavelmente apareceram na foto.

Além dessas suposições, o sucessor de João Paulo II – Joseph Ratzinger – não apenas conheceu a existência da obra nos anos em que ocupou o cargo de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, como também acredita-se que ele tenha incentivado sua tradução para o russo.

A obra Meditações sobre o Tarô não é um manual de adivinhação, mas uma densa exploração do hermetismo cristão. O autor, um convertido ao catolicismo, escreveu a obra para demonstrar como os símbolos do tarô podem ser lidos à luz da teologia cristã e da filosofia profunda.

Por mais que isso pareça uma trama romanesca com tons religiosos, esotéricos e misteriosos, esta história é marcada por outra informação interessante: o prefácio da edição alemã da obra foi escrito por Hans Urs von Balthasar, famoso teólogo suíço, jesuíta, cuja vasta produção literária frequentemente foi alvo de muitas polêmicas.

Segundo Tomberg, a ciência não era nada mais do que a mente humana, fruto de uma única substância – material – que, por meio da experiência de seus próprios erros, chegou a compreender o mundo, e por isso se identificava em uma missão universal e civilizadora.

Von Balthasar foi considerado um dos precursores do Concílio Vaticano II, para o qual, aliás, não foi convidado. Ele era um dos especialistas em teologia mais influentes da Europa Central.

Em 1988, o Papa João Paulo II anunciou que elevaria Von Balthasar ao cardinalato em reconhecimento à sua monumental contribuição teológica. No entanto, o teólogo faleceu subitamente em sua casa em Basileia, no dia 26 de junho de 1988, apenas 48 horas antes da cerimônia de consistório em Roma.

Essa “quase-elevação” gerou um choque na comunidade católica e alimentou teorias de que sua morte teria sido uma intervenção divina ou um sinal de que sua teologia era ousada demais para a cúpula da Igreja.

Hoje não há mais uma pessoa razoável que reze; a era da contemplação passou, agora há a ação: o homem assume não apenas a administração de seu mundo, mas também de si mesmo, e faz de si o que deseja”. - Hans Urs von Balthasar

Para quem estuda a relação entre o Tarô e o Sagrado, a morte de Balthasar é vista como o fim de uma era de abertura ao hermetismo dentro do Vaticano. Ele era o principal protetor intelectual de Valentin Tomberg (o autor de Meditações sobre o Tarô). Com sua morte, a obra perdeu seu maior defensor na hierarquia católica, o que contribuiu para que o livro permanecesse em uma zona cinzenta entre a ortodoxia e o esoterismo.

Apesar da morte prematura, João Paulo II fez questão de celebrar a memória de Balthasar, afirmando que ele continuava sendo um “Cardeal de espírito” para a Igreja. Ele foi enterrado com as honras de um príncipe da Igreja, mas a ironia de sua partida no “vão” entre o anúncio e o título oficial permanece como um dos episódios mais comentados da história da teologia.

Se assim como eu, você também tem interesse em compreender melhor a conexão entre o tarô e a Igreja, a foto de um dos Papas mais queridos da Igreja diante de um livro de tarô é o símbolo máximo do encontro entre o Hierofante (O Papa) e a Sacerdotisa (o conhecimento oculto).

Ela representa o momento em que a estrutura institucional da Igreja toca a tradição hermética que, embora invisível, sempre correu paralelamente à história do catolicismo.

Marque uma leitura comigo

O Tarô é um sistema de cartas utilizado desde o século XIV originário da Itália. Ele consiste, tradicionalmente, em um baralho de 78 cartas, divididas em dois grupos principais: os Arcanos Maiores e os Arcanos Menores.

Através da leitura da simbologia das cartas, trazemos para a consciência informações que estão no inconsciente e que são fundamentais para a formação de um ego estruturante. Esse processo permite uma tomada de decisão com mais clareza, segurança e leveza em sua vida.

O tarô é uma linguagem. Se você entende esta linguagem, as cartas falam com você.

Beijos, Let.

Read the original on leticiatorgo.substack.com

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